21/03/2013

Antenado

PALAVRINHA EM DESUSO.


Pesquei essa tira hoje cedo. É do Adão Iturrusgarai publicada na Folha de S Paulo. Representativa não acham? 
Mesmo que o cidadão se negue a manter-se antenado, coisa difícil, pois tudo vem de forma compulsória, ele acaba cedendo. Um celularzinho básico, ao menos, ele tem.

Para um sujeito como eu, que tem quase sessenta anos e que, claro, conheceu o mimeógrafo e o papel estêncil, custa pra se adaptar. 

Lá no meu primeiro emprego na Multividro - Indústria de Vidros e Cristais em 1968, quando eu tinha 14 anos, fui registrado em carteira "de menor" (existia isso na época), como auxiliar de escritório. Uma das tarefas que recebia do chefe João Forcinitti, era ir até a agência central dos Correios no centro da cidade, para levar uma máquina que franquiava cartas. Pagávamos um determinado valor (em cruzeiros) para que o agente franquiasse o valor na traquitana para que pudéssemos ao longo do mês selar cartas. 
O volume diário de correspondências produzidas para serem enviadas aos fornecedores, clientes e representantes pelo país era tão alto que se fôssemos colar selos em cada uma delas, não daríamos conta. 

Eu envelopava essas cartas e registrava na máquina o selo previamente pago e o serviço rendia muito mais. Tecnologia que me surpreendia. Junto com as calculadoras elétricas (não eletrônicas) cuidar da máquina de franquia era o meu maior orgulho. 

No final do dia, lá ia eu pra agência do Belém fazer o despacho de umas duzentas cartas. 

Hoje o email resolve tudo. O trabalho de uns vinte datilógrafos e de um auxiliar de escritório pode ser feito por um único estagiário.
Nem a Multividro existe mais. Quando passo por onde ficava o meu primeiro emprego vejo vários edifícios moderníssimos, torres gigantescas onde residem milhares de pessoas. Parecem monstros a me espreitar.
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