31/08/2014

Morrer pra nascer de novo

BASICAMENTE O QUE SE ESPERA NO BRASIL SÃO MUDANÇAS. MAS MUDANÇAS DE VERDADE, HONESTAS, NÃO BLÁ-BLÁ-BLÁS E NEM NHEM-NHEM-NHENS.
Imagem - Google
Marina Silva, seria a mais nova esperança de renovação?
A sequência histórica a partir dos sessenta foi de doer, não só para quem esteve por eles, mas também para aqueles que chegaram depois deles.

Após a estada do último general, o que pediu para ser esquecido, nos mandaram um acadêmico para a presidência - José Sarney. Foi o que substituiu Tancredo o sujeito que saiu de súbito um dia antes da posse - uma verdadeira saída à mineira.

Sarney presidente foi o cara dos brasileiros e brasileiras, da inflação de mais de cem por cento ao mês, das greves, do plano cruzado, do Bresser Pereira e de tantas outras extra-terrestrices.

Daí veio a primeira eleição democrática para Presidência da República desde 1960. O Diretas-Já havia naufragado anos antes. 

Elegemos então um moderníssimo caçador de marajás, um super-homem, um cultuador do valentismo: Fernando Collor de Melo, uma espécie de Coxinha das Alagoas, um atleta de pai e de mãe, que sugeriu matar o tigre da inflação com um único tiro. Acertou no olho da grana no banco, reteve tudo. Se deu mal depois e nós também.  

Lembramos do ex metalúrgico que concorreu com esse super man no pleito democrático. Perdeu, pois na época não convenceu pelo discurso tosco e a Globo, sempre atenta,  logo o tirou fora do ar.

Daí desaguamos novamente num vice, Itamar Franco, exótico mineirinho arretato, um come-quieto legítimo. O sujeito foi logo ressuscitando o fusca e mandou ver nas URV's e no Plano Real. Essa ele acertou na mosca. A turma do sapo repudiou o #planoreal.

Adiante, mais consolidados na democracia, os brasileiros mandaram FHC para Brasília. Um intelectual de discurso convincente, sociólogo liberal que vendia geladeira para esquimó de tão bom de papo que ele era. Privatizou tudo que via pela frente e nego mamou legal. 
Acho que ele fez o que teve que fazer diante da globalização. A América bolivariana precisava ser inserida na nova ordem mundial.

2003 chegou e Lula, mais persistente que convincente, na posse chorou e fez muita gente chorar, inclusive este tonto blogueiro.

Deu continuidade na política econômica de seu antecessor, bem alinhado com mundo dos banqueiros. Personalizou sua passagem implementando algumas pitadas de ações sociais - deu bolsas pra tudo quanto é lado. Quanta criatividade se viu no reino Lulano.

Desfilou pelos quatro cantos do planeta distribuindo charme de novo-rico. Se esbaldou na farra da popularidade como um verdadeiro chefe de banca de bicho do meio da favela. Um rei da cocada preta. Até avião novo o danado comprou. 

Lula quis o Nobel ou a vaga do Papa? Não, isso é boato. Pura intriga da oposição.

Dona Dilma, mais discreta, marquetada como gerentona, logo de início teve que engolir um ministério com boa parte envolvida em acusações de corrupção. Um time que seu antecessor-mentor empurrou pela garganta da protegida. A bomba explodiu depois e o mentor se esquivou como sempre faz. Ele nunca sabe de nada, nem a Rosemary ele soube que um dia existiu.

Dilma começou mal e com o tempo foi piorando. Nem com os mensaleiros no xadrez a vida aliviou. 
Em rota de colisão ela encara o desgaste popular de nariz em pé. Desgaste baseado na frustração que seu governo impôs ao brasileiro comum, o mesmo brasileiro que depositara as fichas no blá blá blá de um partido supostamente trabalhista.

Não cumpriu quase nada do que prometeu, as mudanças não vieram e a marolinha se transformou num tsuname na vida da nova classe média e o pau comeu solto nas ruas do país tendo início nos míseros vinte centavos na tarifa do busão.

Sem levar em conta o fiasco da Copa do Mundo - não somente pelos sete a um e três a zero, mas pelo mal negócio que se revelou posteriormente. Não lotou o hotel e o trem-bala nem saiu do papel.
O resultado influenciou negativamente no balanço do semestre, foi o ministro quem disse, não a mídia. 

Quem ganhou na Copa foram os mega empreiteiros e os das canetas, pelas construções dos super templos esportivos de mais de bilhão de reais. Nego mamou muito, como nas privatizações.
                                               #eleições#candidatos#corrupção#democracia
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Marina, a ambientalista.
As pessoas não estão interessadas nas ideologias dos candidatos já que constataram que a natureza distinta de cada um deles faz com que, uma vez no poder, cometam as mesmas transgressões que os seus antagônicos.

O cidadão comum topa encarar qualquer um na Presidência da República, porém,  já esboça pelas pesquisas, uma única exigência: que o novo presidente não venha do PT, do PSDB e nem do PMDB, instituições que representam um continuísmo não mais tolerado. 

Eu incluiria os demais partidos nesse pacote, pois acho que o problema é muito maior que os próprios partidos. Esses mantém e usufruem do sistema como ele é. E nada de mudar.
O fato é que esses partidos majoritários estiveram muito presentes na vida pública do país desde a fuga dos generais em 1985.

Nesse contexto votar em Marina Silva seria como votar no Tiririca ou em qualquer coisa exótica que apareça em campanha.
Parece uma espécie de vingança eleitoral, as pessoas ingenuamente entendem que podem protestar votando em alguém de bruta diferença. 

Depois que passa a onda, elas esquecem e a vida segue normal, como sempre foi e a roda gira.

A máquina é realmente poderosa.


Imagem - Google
Se eleita Marina Silva mudaria o visual?
A figura de Marina Silva dá a ilusão de renovação no cenário político, sentido de algo novo, de um horizonte espetacular. 
Votar nela está se mostrando moderno, assim com o foi progressista eleger Getúlio Vargas em 1950, Collor de Melo em 90 e mais recentemente, Lula, depois da virada do século.

Pra mim Marina Silva e os que estão com ela nessa empreitada, vivos ou mortos, não me mostraram o menor indício de renovação. Jogam com as mesmas regras e são elas que fomentam a farra da grana fácil e da soberba.

Antigamente para situações esdruxulas usava-se uma expressão simplória que bem caberia ao nosso querido país. Era mais ou menos assim: 
"Tinha que morrer e nascer de novo para quem sabe aprender de vez"

É duro dizer meu caro amigo, mas é assim que enxergo o cenário brasileiro, ainda bem bolivariano. 

Contudo, bola pra frente.

30/08/2014

Igual aos nossos pais.

Na direita da esquerda ou pela esquerda da direita é como dar uma guinada de 360˚ para reformular.

Quando criança eu pensava que depois do ano 2000 o mundo seria totalmente diferente.

Na época se dizia que no futuro, embora distante para as crianças, teríamos um mundo espetacular. Um lugar maravilhoso, todo automático, prateado, reluzente, brilhante, refletindo azul, amarelo e vermelho em tudo.

Acreditávamos no futuro como sendo uma coisa do outro mundo, um lugar cheio de seres extra-terrestres, de raios ultra-magnéticos catalisadores do bem, de cosmonautas errantes, de homens do espaço iguais aos das séries da TV em preto e branco, do tipo O homem do Espaço de 1962.

Acho que esta série foi exibida em São Paulo pelo Canal 7 - TV Record. O bispo, ainda criança como eu, nem imaginava que no mundo laminado ele seria o dono desse templo.  (Será que não?)

Imaginávamos um mundo de telepatias, de objetos que se movimentariam pelo ar somente com a força do pensamento.

Imagine uma criança de 8, 9, 10 anos de idade pensando nesse futuro. Que mundo seria esse dos mais estranhos?

Confesso que me sentia alguma vezes um pouco assustado com essa expectativa. Duvidava desse futuro tão cinematográfico, mas também não via a hora do tempo passar só para conferir a veracidade da lorota.

De certa forma o mundo prateado, futurista e espetacular, aconteceu. Chegou de mansinho, aos poucos, bem à sua forma, e nele estamos, e diante dele nos debruçamos.

Em nosso país, dito como o mais encantador recanto do planeta, o canto que neste 2014 - ano da Copa do Mundo, o evento que emudeceu nativos de todas as cores pela realidade que se mostrou racional em excesso, diga-se, pelos sete a um e 3 a 0, numa espécie de estupro de orgulho de país do futebol, o mesmo ano que quem prometeu mudanças de um passado de chumbo e que nada ou quase nada fez e sabe que precisa fazer alguma coisa para se manter no trono, a tecnologia ultrapassou muitas das expectativas.

Nem o mais otimista dos futuristas poderia imaginar um mundo tão conectado como o que dispomos hoje. Mesmo que por aqui a banda larga seja ainda um pouco estreita.

Mentira, alguns mais atentos imaginaram sim. Até mesmo antes dos meus tempos de criança, alguns se atreveram às profecias e se deram muito bem.

Mudou muita coisa é verdade, mas na essência, na carne, no sangue e na alma, somos exatamente os mesmos como eram os nossos pais. (Viva Belchior)

Trocamos de roupa, talvez. Limpamos o suor com o banho com a água que ainda nos resta. Vestimos uma nova roupa, mas ainda gostamos de andar de nariz empinadinho.



A charge foi inspirada numa postarem da net. O intuito foi chamar a atenção para a mentira em que nos meteram.
O sistema é tão presente nesse futuro que sorrateiramente se aproximou que nos ilude, nos faz pensar que gozamos da liberdade e que podemos escolher os caminhos que quisermos, mas na verdade ele esconde o ímpeto tirano. Nos ilude com um pseudo livre-arbítrio.


26/08/2014

Avant, Palestra - 100 Anos

Avant Palestra! Ouço isso desde criança. 

Palmeiras você é o pano de fundo da minha vida. Um pano verde, de cor esmeralda, a cor da esperança. 
Nossa relação nunca foi de paixão desenfreada, de amor obsessivo ou obcecado, ou doentio. Às vezes até pensei em te deixar, te esquecer. Em outras estive bem perto de você, tão perto que me senti doente quando você esteve doente.
Já pensei em te abandonar, te deixar pra sempre, te esquecer. 
Que nada, não deu, não dá, duvido que um dia dará.  A gente briga com a mãe, fica bravo com ela, mas mãe é mãe e time do coração é do coração. Forever
Então, meu querido Palestra, Um enorme VIVA pelo seu aniversário! Parabéns do fundo do meu coração! 
Gostaria de estar aqui quando você completar duzentos, trezentos, mil, dez mil anos, mas infelizmente, acho que não vai dar, devo ir antes. 
Aliás, espero irem antes de mim os que te tratam mal.  
Ah que lindo estádio, heim! Não é pra qualquer um mesmo.
Viva, belo!!!

23/08/2014

Arque

Imagem - Google 
A pluralidade de ideias e a possibilidade de manifesta-las numa condição balanceada, indo até onde os olhos do próximo permitam, talvez seja a expressão mais contundente do que seria liberdade de expressão. 

E como diria o comentarista esportivo: esta é minha, humilde, opinião.

Uma pedra de diamante é eterna pela sua rigidez, em estado bruto, nativo, incrustado ou mesmo depois de habilmente lapidada com intuito de iludir o incauto, assim cada um vê o brilho de seu jeito - sob seu prisma.

Os olhos de um pássaro seriam mais reluzentes diante do mineral tão resistente ou ele voaria até pousar numa pedra-sabão para afiar o bico?

Manifestar ideias não se trata de um estado de direito, um estado geralmente organizado por normas propostas por quem nem sempre deveríamos confiar. Muito mais que isso, expressar a opinião, seja ela qual for, seria como praticar a percepção do estar-vivo, seguindo os três princípios básicos da sobrevivência: observar, pensar e manifestar.

Das cavernas, os primitivos olhavam para as estrelas tentando compreender o firmamento como um todo. Dessa forma descobriram qual seria a melhor condição para atacar o mamute e garantir a pança cheia de sua cria.

Então, meu caro, fale o que bem entender, depois de ter pensando e antes de ter observado.

Mas se quiser transgredir essa ordem, pode também. Seria mais ou menos como entrar pela porta dos fundos. Cada um mede a sua eficiência e o seu firmamento. 

Arque e vá.

O que quis dizer? Nada. Nada além de cada um na sua, na linha do viva-e-deixe-viver.

17/08/2014

Hoje a represa não represa.

Imagem divulgada pela mídia (golpista para alguns) - Represa seca.
Descaso público e acaso da natureza, as duas forças se encontram. A segunda decorre por inconsequência da primeira. Ou como consequência dela, não sei.
O resultado? A gente assiste sentado. De boca aberta e desaguado. 
E o militante tira partido, pois o partido lhe paga pra ser marionete. Às vezes nem paga, lava o cérebro.
O partido assume, é eleito (democraticamente) e a cena continua numa grande mentira.
Enquanto o jogo não mudar os jogadores não mudarão.  Realmente, como dizem: o problema não são os jogadores, mas sim o próprio jogo.
Em outubro do ano passado a represa em Piracaia já apontava o que estava por acontecer. 
Imagens do blogueiro. 



  Descaso e acaso.

13/08/2014

Dos jornais me lembrei da poesia

Imagem Google 
Saltei pela dimensão até chegar numa poesia em especial. Uma que me bateu de sopro, de arrastão. Daquela antiga de Carlos Drummond de Andrade. 
Poderia se chamar Ame-o ou Deixe-o, mas o poeta batizou-a com nome mais singelo: 
Quadrilha
Se o termo está em moda ou sempre esteve não sei, só sei que fiquei com ela. Fique com ela você também. 
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.

11/08/2014

Portinari colore meu Blog

Só para dar cor no  meu Blog
Bancada e Plantas Tropicais - Painel, Óleo, Madeira - 1934

05/08/2014

A Casa da Dona Aurora

Mini conto criado por este blogueiro de horas vagas, inspirado em fatos que me pareceram reais. Me pareceram, já não tenho tanta certeza disso.
Imagem encontrada no Google

São Bernardo do Campo, SP - Brasil
Agosto de 2019


Enfático, com dedo em riste, muito convicto da razão, Eurico levantou-se do banquinho de madeira onde se acomodava e disse:

__ Olha aqui pessoal, vou falar uma coisa de uma vez por todas e vou dizer essa coisa com todas as letras, estão compreendendo?  

Continuou:

__ Pois, então, digo que o PT é um partido de corno, um partido filho da puta que só tem gente do mal. É inconfundivelmente uma coisa do capeta, do satanás, da besta, do 666!

Considere, caro leitor, que Eurico encontrava-se já bastante alterado e poucos deram atenção para o que ele dizia.

Mesmo assim, alguns se manifestaram.

__ Olha a boca, Eurico! Olha as criança! Pára de bebê e falá merda!

__ Sai pra lá Eurico do caraio, pára com esse papo de demônio, porra!

__ Pô, vai se fodê, mané!

__ Manhêeee...

Foi assim que conheci Eurico. Soube depois que se dera bem como metalúrgico e que aprendera o ofício dentro da Ford, seu primeiro e único emprego e que de lá havia sido demitido por aqueles dias, logo depois da Copa. 
Tinha 32 anos e era filho da saudosa dona Matilde, a que Deus a tinha em algum lugar do céu e de Seu Romão, o eterno técnico do Atlético de Vila Clemente, time local cuja camisa de um vermelho bastante desbotado era motivo de chacota pelos adversários.

Eurico era um grande cara, porém, um falastrão desregrado, ainda mais quando se permitia passar dos três ou quatro copos de cerveja, indiscutivelmente esse era o seu limite. 
Vivia se enroscando em encrencas por falar o que não devia exatamente onde não podia. 

Marido de Lucymara, uma morena de pernas grossas e seios grande de 27 anos, um mulherão de fechar o comércio e de quem suspeitavam da fidelidade matrimonial. Desde sempre dizem à boca fechada e ao pé d’ouvido, mesmo sem que ninguém pudesse de fato confirmar que o marido era mesmo um corno, um chifrudo de marca maior.

Eurico e Lucymara se casaram ainda meninos e hoje são os pais de Lú e Euriquinho, ela com 13 anos já uma mocinha que gosta de baile funk e ele, que veio com a cara de não sei de quem, com 7 e fanático por futebol.

Foi numa roda de samba, num pagode de sábado de início de primavera super quente na casa da Dona Aurora, a quem vim conhecer através de um amigo em comum que para lá fui convidado. Um lugar onde a rapaziada se encontrava aos finais de semana para “descontrariar”, como diziam.

Rolava feijoada da boa, cerveja, pagode, cachaça e folia. 

Além de tudo, ali se encontravam grandes filósofos contemporâneas que emplacavam referendos históricos, avassaladores e definitivos.
Se falava de tudo e se achava solução pra tudo, pois todos participavam do samba do branquelo-doido. 

Aos sábados na casa da Dona Aurora se reuniam os sambistas, os pagodeiros, os pensadores do futebol, da economia, da religião, do futuro do país e da política. Ah meu Deus! Da maldita política que tanto odeio! 

Sempre regado ao som do pagode, das havaianas não legítimas e dos nikes absolutamente legítimos que se arrastavam pelo chão num chique-chique alucinado.

Com tanta cerveja e tanta caipóra a casa da dona Aurora se transformava no templo de Salomão. O dízimo, naquele caso, servia para todos.

__ Mas por que Eurico? Por que você está falando isso, meu rapaz?

O da direita perguntou curioso, quando logo foi retrucado por um outro da esquerda: 

__ Pô, não provoca não, num dá mole pra esse corno otário.

Eurico prosseguiu e dessa vez colocou a voz um pouco mais alta:

__ Digo e repito: é partido do mal. Do mal porque só tem filho da puta nesse PT. É uma cambada de  F i l h o s  d a s  P u t a s!

E concluiu:

__ E tem mais, corinthiano petista é mais filho da puta ainda!

Calaram-se todos de súbito, inclusive o próprio Eurico. Não se ouvia um pio.

Depois de uns trinta segundos o estrondo de um três-oitão interrompeu o mórbido calado. Um projétil certeiro atravessou a ventana de Eurico desfigurando sua carcaça, e de tal forma o projétil procedeu que sequer puderam ver seu rosto no caixão, as flores e a faixa dos amigos esconderam a ausência do crânio no corpo do rapaz.

Nunca se soube do assassino. Nunca tiveram certeza de nada. O delegado ao juiz repetiu: ninguém sabe, ninguém viu. 

Uns disseram que o autor foi um corinthiano ofendido, outros juraram de pés juntos que o dedo gatilhador pertencia mesmo a um petista ortodoxo, desses do tipo fanáticos que ficam ainda mais alucinados no fervor do eleitoral.

Como não somos de lá, então podemos falar, digo que o assassino não foi nem um e nem outro, não foi um corinthiano afoito e nem um petista, tampouco. 

Na verdade o matador foi um santista militante da juventude PMDbista e que por um acaso é também amante, aliás, desde os treze, de Lucymara, a morena das pernas grossas e peitos grandes de fechar o comércio de 27 anos.
Luis Carlos, o filho mais novo da dona Aurora que aos 21 casou-se com a senhora dois meses depois dela ter enviuvado. 

Do três-oitão ele se desfez, trocou por uma automática que atira pra mais de seis.

Vila Clemente comemorou e fez rolar a festa. Foi na casa da dona Aurora, um lugar de gente feliz que conheci através de um amigo em comum.

03/08/2014

Como será a nossa vida daqui a 20 anos?

SINGULARIDADE
Artigo interessante pinçado da Internet - Revista Galileu, falando sobre o futuro da tecnologia.
(FOTO: FLICKR TJ BLACKWELL / CREATIVE COMMONS)

Analisamos relatórios e mostramos como a forma com que você interage com o mundo e com a tecnologia vai mudar daqui a duas décadas.  
14/07/2014 -  POR ANA FREITAS

Peço uns segundos de reflexão para o seguinte: o aparelho de telefone que você tem no bolso tem o poder de processamento e a capacidade de armazenamento várias vezes maiores do que o computador gigante que você usava pra entrar no ICQ em 2003. Aliás, o seu celular é mais poderoso do que o computador da NASA que levou o Apollo 11 à Lua.
A velocidade com que a tecnologia avança é observada pela Lei de Moore, uma "profecia" de 1965 do então presidente da Intel, Gordon Moore. A Lei de Moore diz que o número de transistores em um chip dobra a cada 18 meses, e esse padrão se mantém desde então. Em 2001, o inventor e futurista Ray Kurzweil ampliou a teoria de Moore, dizendo que sempre que uma tecnologia encontra um tipo de barreira que interrompe ou desacelera seu desenvolvimento, surge uma outra tecnologia que rompe com essa barreira. Kurzweil acredita que a humanidade deve atingir a singularidade tecnológica em 2045 - a singularidade é o o nome que se dá ao momento em que a civilização atingirá níveis tecnológicos tão rápidos, avançados e que mudarão tão profundamente os paradigmas da sociedade como um todo, que a inteligência artificial vai superar a inteligência humana, e nossa mente limitada de hoje é incapaz de prever exatamente o que isso significará.A evolução tecnológica, então, não é linear, e não dá pra esperar que nos próximos 20 anos a gente avance tanto quanto nos 20 anos que passaram. Na verdade, o mundo será completamente diferente: levando em conta a projeção de Moore e as análises de Kurzweil, que é um dos mais respeitados futuristas do mundo, em 18 ou 20 anos a tecnologia será centenas de milhares de vezes mais avançadas do que é hoje (http://theemergingfuture.com/speed-technological-advancement.htm). Por isso, é muito difícil prever os paradigmas que serão rompidos nesse período.
Mas há quem esteja tentando - gente que, inclusive, já teve sucesso no passado em palpitar sobre onde estaríamos tecnologicamente nos dias de hoje. O PEW, instituto de pesquisas sobre internet, conversou com especialistas sobre as possibilidades para a internet nos próximos anos. O site Edge.org entrevistou Kevin Kelly, editor da revista Wired e um dos mais respeitados analistas sobre o futuro da tecnologia. E nós vasculhamos o vasto material coletado nessas entrevistas em busca da resposta: quão diferente nossa vida será daqui a 20 anos por causa da evolução tecnológica? 
Wearables Você já deve ter ouvido falar dessa categoria de gadgets - que carece de uma tradução adequada em português. O termo se traduz literalmente como "vestíveis" e nele se encaixam aparelhos como o os relógios da Samsung e da Apple, o Glass, do Google, e pulseiras que registram atividades físicas, como Fitbit. De acordo com especialistas, é aí que vamos nos aproximar mais rapidamente dos filmes de ficção científica. Eles vão baratear, se tornar populares e vão incorporar aplicativos de realidade aumentada capazes de mudar nosso cotidiano e a maneira como os recursos tecnológicos se relacionam. Imagine ver a realidade com camadas de dados - visualizar, pelo seus óculos, a distância de onde você está para onde quer ir, com coordenadas ao vivo? As possibilidades para gadgets como esses são bastante amplas. 
A escassez de atenção "Nós gastamos quatro, talvez cinco anos estudando e treinando para aprender a ler e escrever, e esse processo de aprendizado afeta as conexões no nosso cérebro. (...) Pode ser que para que aprendamos a gerenciar nossa atenção, a pensar de maneira crítica, (...) toda essa 'alfabetização tecnológica', tenhamos que passar anos treinando e estudando. Talvez demande treinamento, estudo", diz Kevin Kelly, editor da revista Wired. Outros especialistas concordam: atenção e a capacidade de focar-se em algo por um período estendido serão commodities raras, e talvez ainda não saibamos, mas seja necessário estudar e dedicar tempo a adaptar nosso cérebro a esse contexto de hyperlinks e referências cruzadas entre o conteúdo que consumimos sem deixar que isso atrapalhe a concentração e a absorção da informação. 
Internet das coisas A internet ainda é, para nós, uma coisa na qual estamos conectados ou não. Ou seja, existem momentos em que estamos na rede e horas em que estamos completamente desconectados. Em 20 anos, a relação entre nós e a rede será parecida com a maneira como lidamos com a eletricidade: ela simplesmente existe e permeia nosso cotidiano. Não falamos sobre, não analisamos seu impacto e assumimos que ela simplesmente esteja ali o tempo. Só notamos que ela existe quando não a temos mais. Da mesma maneira que a eletricidade, espera-se que a internet fique tão barata que se espalhe pelo mundo e chegue inclusive a regiões carentes.Um dos especialistas disse, anonimamente: "a internet e a humanidade serão uma coisa só, pro bem ou pro mal. A internet das coisas será a inovação mais útil, e a que mais pegará as pessoas de surpresa." Nos próximos 20 anos, a internet será parte de praticamente todas as coisas que a gente tem e tudo vai se integrar online - da porta da sua frente da sua casa a sua bicicleta, sua câmera fotográfica, sua geladeira, as lâmpadas e a mesa de jantar. 
Esqueça a privacidade Se você acha que temos um problema com privacidade, saiba que a maioria dos analistas diz que é um caminho sem volta. E em vez de nos preocuparmos em não sermos monitorados, vamos desistir de brigar pelo impossível e tentar diminuir o impacto dessa nova realidade. Como? Exigindo mais transparência (assim, tendo certeza quem está nos monitorando, quando e porquê) e negociando períodos cegos, um espaço de tempo pra ficar livre da vigília constante. 
A tecnologia resolve problemas, mas cria outros" A maioria dos nossos problemas hoje é tecnogênico, ou seja, foram criados pela tecnologia", explica Kevin Kelly. E a maioria dos problemas do futuro, ele diz, serão criados por tecnologias que estamos desenvolvendo hoje. Isso acontece desde os primeiros avanços tecnológicos - quando, por exemplo, o homem desenvolveu um martelo feito de pedra, ele foi usado como ferramenta, pra produzir outras coisas, mas também foi usado para ferir pessoas de maneira mais eficiente. E Kelly diz que usar um martelo para uma coisa ou outra é uma questão de escolha, mas que antes de inventarmos o martelo, essa escolha nem existia. "A tecnologia segue dando meios para que façamos o bem e o mal, e está ampliando as duas possibilidades, mas o fato de que temos uma nova escolha a cada vez é uma coisa boa também."