28/02/2013

Lula, mais para Lincoln do que para Deus.

Segundo ele próprio. 

Pelo que os Maias previam o mundo iria se acabar em 21 de dezembro de 2012. Previram com exatidão mesmo antes do calendário gregoriano existir. Cataclismas nunca vistos na história, praticamente dizimariam a vida na terra, Erupções vulcânicas, tsunamis gigantescos, terremotos em escala jamais observados, varreriam quase tudo o que se conhecia. Poucos sobreviveriam e as vidas remanescentes, os privilegiados por alguma razão, fariam da terra um mundo novo. Não sei bem o que quiseram dizer com isso.

Me perguntava à época, considerando a possibilidade dessa previsão se tornar real, por mais absurda que ela parecia, quem e quantos sobreviveriam e o que esses levariam da memória para novos tempos? O velho mundo, o novo mundo e o novíssimo mundo estariam nos mesmos lugares de hoje na configuração? O lindo planeta azul e branco continuaria sendo assim para quem os visse dos céus? E a diversidade de línguas de hoje? Culturas, conhecimentos, valores, religiões, a fé, o que aconteceria com tudo isso? Um sem fim de perguntas ficaram sem respostas porque nada disso aconteceu.Talvez porque os cálculos da civilização Maia não consideraram uma coisa bastante simples: o tempo não existe além da necessidade humana de medir tudo. 

Mas, brincando com as ideias, imaginei uma situação singular. A memória permanecendo mesmo após o cataclisma. 

Se encontrariam numa ilha distante em meio a um imenso oceano, provavelmente agora com águas do que foram um dia do Atlântico e do Pacífico, os nossos queridos, Lula e FHC. Ambos maltrapilhos, sujos, com sede, fome e barba por fazer. Irreconhecíveis aos seguidores.
Junto a eles um punhado de sobreviventes, atônitos, descalços, perdidos, perguntando-se o que havia acontecido naquelas últimas horas.
Juntaram-se em torno de uma fogueira, pois estranhamente, quando a noite chegara, o intenso calor foi substituído por um frio de arrepiar os cabelos. Neve caia sobre as larvas vulcânicas ainda ativas, deixando o cenário num contraste do avermelhado ao branco, com um leve azulado da noite de lua cheia.
Calados e friolentos aqueciam-se próximos uns dos outros, rodeando a fogueira que lançava pequenas chamas hipnotizadoras. Horas se passaram e os únicos sons que se ouviam vinham dos ventos noroeste que cortavam os morros e das ondas baixas que quebravam nas areias escuras da praia.
Do nada, depois de algum tempo de consternação, ouviu-se uma voz rouca vinda de um deles: 

"Companheiros, eu estava lendo o livro do Lincoln. E fiquei impressionado como a imprensa batia nele em 1860, igualzinho bate em mim, e o coitado não tinha computador. Sabe o que ele fazia para saber de notícias? Ia para o telégrafo, ficava numa sala esperando. Nós aqui podemos xingar um ao outro em tempo real. Quantos aqui já estão no telefone, (dizendo que) o Lula está falando demais? Quantos já estão tuitando ai?"
Todos aplaudiram discretamente o comentário sem pé e nem cabeça. Inclusive, FHC. Na minha fábula os Maias acertaram no cálculo, mas erraram e feio nas mudanças.

27/02/2013

CONTAS ABERTAS - 23 MILHÕES POR DIA.

Qual a relação custo-benefício da estrutura chamada: Poder Legislativo?
Será que entre os 531 deputados federais e os 81 senadores da república, encontramos somente um que não sinta constrangimento pelo que ele custa ao país? Um ao menos, somente um. Um que tenha nascido de pai e mãe, um que tenha vergonha na cara, um comum, como eu, como você. Pelo visto, a resposta é um sonoro, não.
Não importa o partido de origem e nem a ideologia que os mantêm em Brasília, parece que todos eles se confundem dentro e fora desses prédios que, infelizmente, representam o que há de mais nefasto no país. Nessas câmaras que poderiam ser dotadas de um sistema de ar condicionado especial que evaporasse de quando em quando, um gás de cianoreto. Acho que até mesmo Batman e Robin e o comissário Gordon fariam vistas grossas diante de uma situação como esta.
Li a matéria no site Contas Abertas - www.contasabertas.com.br e reproduzi aqui o que me deixou realmente muito angustiado. Os números já seriam impressionantes para um país muito rico e absolutamente incabíveis à países muito pobres, pobres como o nosso pobre Brasil que explorado sempre foi por forças externas, desde o seu descobrimento e que, reconhecidamente, pela boa fé de seu povo, insiste em ser um grande produtor de ídolos. 
Acho que qualquer pessoa com um mínimo de decência e competência para gestão, teria melhor desempenho na administração de um Legislativo de um país de terceiro mundo e diminuiria o custo operacional para no máximo, dez por cento do atual. O resto seria destinado para a saúde, educação e câmaras de gás.
26/02/2013 
Congresso Nacional custa R$ 23 milhões por dia
Marina Dutra  - Do Contas Abertas
Em 2013, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal devem gastar juntos R$ 8,5 bilhões, o equivalente a R$ 23 milhões por dia. O valor é semelhante a todo o orçamento autorizado para a cidade de Belo Horizonte (MG) em 2012 – R$ 8,8 bilhões e aos dispêndios integrais de seis ministérios: Cultura, Pesca, Esporte, Turismo, Meio Ambiente e Relações Exteriores.
Entre os gastos, estão incluídos os salários dos 15.647 servidores efetivos e comissionados da Câmara e dos 6.345 do Senado. As despesas, previstas na proposta Orçamentária da União para 2013, também incluem aposentadorias, pensões, indenizações, compra de materiais de consumo, serviços de terceiros, entre outros itens.No ano passado, o Congresso Nacional gastou R$ 7,6 bilhões, valor 10% inferior ao previsto para o atual exercício. Desse total, R$ 373 milhões, ou 5% do valor, foram destinados ao custeio de despesas pendentes em 2011.Apenas com o pagamento do vencimento aos servidores das Casas foram gastos R$ 3 bilhões, o que representa 40% das despesas do Congresso. Além dos salários propriamente ditos, dentro desse valor estão incluídos os adicionais noturnos, as incorporações, os adicionais de periculosidade e insalubridade, as férias, o 13º salário, entre outros. Só em adicional noturno, por exemplo, Câmara e Senado pagaram R$ 4,4 milhões em 2012.Fora dos vencimentos, as despesas com horas extras somam uma quantia significativa ao orçamento do Congresso. Foram pagos pelas duas casas R$ 52 milhões em horas adicionais aos servidores. A Câmara dos Deputados foi responsável por R$ 44,4 milhões desse montante. O valor gasto pelo Senado só não foi maior, pois, de acordo com relatório divulgado no início do mês, a Casa economizou R$ 35 milhões com despesas de horas extras no ano passado, após a implementação do banco de horas.Atrás apenas dos vencimentos, a maior despesa do Legislativo em 2012 foi com o pagamento de aposentadorias. Ao todo, R$ 1,7 bilhão foi gasto com os 2.839 servidores aposentados do Senado e com os 2.563 da Câmara.  Em seguida, estão os custos das pensões, que somaram R$ 529 milhões. Os gastos ainda envolveram os desembolsos com sentenças judiciais, indenizações e restituições e indenizações trabalhistas. As três rubricas custaram R$ 205 milhões ao Congresso. A Câmara dos Deputados foi responsável por 83% dos pagamentos deste tipo de despesa. Só em indenizações e restituições a Casa gastou R$ 145 milhões.No ano passado, Câmara e Senado gastaram R$ 8,3 milhões com os pagamentos de auxílio-moradia aos parlamentares que não conseguiram vaga nos apartamentos funcionais. Entretanto, como mostrado no Correio Braziliense do dia 17 de fevereiro, a Câmara dos Deputados mantém 132 apartamentos de quatro prédios – dos 18 de que dispõe – vazios, à espera de reforma.As despesas do Senado Federal em 2012 foram inferiores as dos últimos dois anos, considerando os valores constantes (corrigidos pela inflação). No ano passado, a Casa custou R$ 3,3 bilhões aos cofres públicos. O valor também é menor que a média dos últimos sete anos – R$ 3,4 bilhões.Já os gastos da Câmara dos Deputados foram os maiores desde 2003. A Casa pagou R$ 4,2 bilhões em 2012, montante superior em R$ 400 milhões a média dos últimos dez anos – R$ 3,8 bilhões.   
Entenda o Congresso 
O Congresso Nacional é constituído por 513 deputados e 81 senadores. Como o Senado representa a unidade da federação, todos os Estados (e o Distrito Federal) têm o mesmo número de representantes (três senadores), independentemente do tamanho de suas populações.Na Câmara dos Deputados, o número de cadeiras por estado é distribuído conforme o número de habitantes da região. Entretanto, como essa proporcionalidade é limitada a um mínimo de oito deputados e a um máximo de setenta deputados por estado, a representação não se dá de forma justa. Enquanto Roraima tem um representante para cada 51 mil habitantes, São Paulo é representado por um deputado para cada 585 mil habitantes.Segundo o Ministério do Planejamento, em 2012 a média salarial do Legislativo era de R$ 15.055. O valor é mais que o dobro do que ganham os servidores do Executivo – R$ 5.906. No Judiciário a média é de R$ 10.385.Para se ter uma ideia, o salário de um parlamentar é de R$ 26,7 mil. O valor pode ser ainda maior se considerados os acréscimos de auxílio-moradia (R$ 3,8 mil) e a cota para exercício do mandato (R$ 34,2 mil). 
Congresso brasileiro é o segundo mais caro do mundo 
O congressista brasileiro é o segundo mais caro em um universo de 110 países.  É o que aponta estudo realizado em 2012 pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a UIP (União Interparlamentar), divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo.De acordo com o levantamento, cada um dos 594 parlamentares do Brasil - 513 deputados e 81 senadores - custa para os cofres públicos US$ 7,4 milhões por ano. O custo brasileiro supera o de 108 países e só é menor que o dos congressistas dos Estados Unidos, cujo valor é de US$ 9,6 milhões anuais.Em resposta à Folha, os assessores da presidência da Câmara disseram que a constituição brasileira é recente, o que exige uma produção maior dos congressistas e faz com que eles se reúnam mais vezes - na Bélgica, por exemplo, os deputados só têm 13 sessões por ano no plenário. No Brasil, a Câmara tem três sessões deliberativas por semana. Ainda segundo a publicação, no total, as despesas do Congresso para 2013 representam 0,46% de todos os gastos previstos pela União. O percentual é próximo à média mundial, de 0,49%.Logo após a divulgação do ranking dos Congresso, o consultor político Rogério Schmitt escreveu um artigo para a Folha apontando dois motivos para o Congresso brasileiro ser o segundo mais caro entre os 110 países analisados.Schmitt cita o elevado número de funcionários e aposentados na folha de pagamentos, como um dos fatores. Segundo ele, a quantidade é da mesma magnitude do Congresso americano.O segundo fator é o número de dias com sessões plenárias no ano: em 2012 foram 160. O consultor político aponta que o Congresso brasileiro é o 5º que mais vezes se reúne para votar leis. No ano passado, o Congresso Nacional aprovou 193 leis ordinárias (propostas por parlamentares) e 45 medidas provisórias (propostas pelo Executivo). 
Reforma administrativa do Senado 
Um dia antes de ser entregue uma petição com cerca de 1,6 milhões de assinatura pedindo pelo impeachment de Renan Calheiros (PMDB), na terça-feira da semana passada, o Presidente do Senado anunciou reforma administrativa na Casa.A reforma que prevê economia anual de R$ 262 milhões já foi aprovada pela Mesa Diretora do Senado.  Embora a economia seja bem-vinda, ela representa apenas 7% do orçamento da Casa previsto para este ano, de R$ 3,5 milhões.De acordo com o Senado, a proposta se baseou em sugestões apresentadas pelos dirigentes dos diversos órgãos administrativos da Casa e procura eliminar excessos e superposições.Entre as mudanças propostas, está a ampliaçao da jornada de trabalho dos servidores da Casa de seis para sete horas diárias. Além da não renovação de contratos de mão de obra com vencimento até o meio do ano e a demissão de 512 funcionários do apoio administrativo e outros 61 do arquivo, entre outras medidas.

26/02/2013

Cuidado, o egípcio dengoso voltou.

E voltou como se nunca tivesse ido.
O assassino febril, Aedes, um franzino egípicio radicado no Brasil, também conhecido na marginalidade como o mosquito, fugiu da Penitenciária Central e vem provocando estragos em vários estados brasileiros. Cresce o número de vítimas de seus ataques furtivos, como cresce também, na mesma proporção, a incapacidade do estado em mante-lo sob controle. O que fora dito e acreditado um dia como erradicado, exterminado, aniquilado das terras hoje nacionalistas, voltou com a corda toda e cheio de panca. E pior, proliferando. Portanto, pau nele, pois o assunto é sério. Pau nos dois, na verdade.
"CASOS DE DENGUE TRIPLICAM EM 2013

Epidemia já atinge os Estados do Acre, Tocantins, Mato Grosso do Sul , Mato Grosso e Goiás
O número de casos de dengue triplicou em 2013 quando comparado com o mesmo período do ano passado. Até agora, foram confirmados 204.650 pacientes com a doença. Em 2012, foram 70.489. A epidemia já atinge os Estados do Acre, Tocantins, Mato Grosso do Sul , Mato Grosso e Goiás.
"A luta está só começando", advertiu o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Além do aumento de casos, o Ministério da Saúde alerta que o número de cidades com criadouros do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, cresceu de forma significativa.
O mais recente Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) mostra que em janeiro 267 municípios apresentavam situação de risco para a dengue. Ano passado, 146 estavam nesta situação. O número de municípios classificados como em nível de alerta também subiu de 384 para 487.
O número de cidades analisadas também aumentou. Isso, em parte, poderia explicar o aumento de indicadores ruins. No entanto, quando se analisa os indicadores de cidades classificadas como em situação satisfatória, o fenômeno não se repete. Não há praticamente variação: este ano, 238 foram assim consideradas. Em 2012, foram 235." 
Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo - 25/2/13

25/02/2013

Arrastões em São Paulo

Um amigo me contou logo pela manhã que no último sábado, por volta das oito da noite, foi vítima de um arrastão. Fiquei chocado com o relato, segundo ele o assalto foi muito rápido, eficiente do ponto de vista dos bandidos e, claro, assustador. 
Parado no trânsito da Avenida do Estado, aqui em São Paulo, aguardando o semáforo se abrir acompanhado de seu filho de sete anos de idade que, naturalmente, além de presenciar a cena de violência, uma característica desta cidade, foi também vítima.  
Alguns delinquentes armados surgiram do nada e aos gritos exigiram que eles entregassem tudo, dinheiro, documentos, relógios, celulares, enfim tudo que poderiam levar, e pior, com  revólveres em punho, batendo nos vidros do carro, gritando, ameaçando. Os carros à sua frente já haviam sido surpreendidos.
Tudo feito a céu aberto, diante de motoristas e espectadores perplexos, mudos, pela surpresa e pelo instinto de sobrevivência.
Levaram o que puderam levar e sumiram tão rapidamente quando chegaram deixando somente a indignação às vítimas. Provavelmente para retornarem minutos depois para uma nova rodada.
Cenas de uma urbanidade paulistana, brasileira com RG e CPF e firma reconhecida, absolutamente instituída.
O final de nossa conversa se deu como de praxe em relatos dessa natureza: Vamos agradecer à Deus por não ter sido pior. 
E assim a vida segue, vamos em frente. Mas bem que Paulo, o santo, o homenageado pela cidade e pelo estado, poderia dar uma forcinha. 

24/02/2013

Salve, Gil!

Josenaldo e Docineide trocavam mensagens apaixonadas pelos celulares. Embora fossem vizinhos morando em casas geminadas e não germinadas como dizem por ai, viviam torpedeando um ao outro, o tempo todo. Como a vizinhança dizia: é certo que eles iriam se casar.
Josenaldo  - Vc não me ai loviu + do q eu. + eu ti ai loviu D+ beibi
Docineide  - Mor. Eu ti ai loviu sim! + q vc pensa. Bem +
Josenaldo  - Então dá aquilo que vc disse que ia dá pra mim.
Docineide  - Putz!!!
Josenaldo  - Q foi?
Docineide  - Dei pro Lindomar ontem. Achei q vc não ia querer +
Josenaldo  - Deu?
Docineide  - Dei
Enquanto Josenaldo saia de casa espumando de ódio para um encontro abrupto com Docineide, decido a desferir-lhe um tiro nas ventas, ela respondia a última mensagem ao seu amor. 
__ Mor… o Lindomar me pediu e eu dei pra ele o DVD do Gustavo Lima e vc que eu ia dá pra vc. Achei que vc n˜ 
Docineide não teve tempo de completar a frase. A bala certeira do calibre 38 de Josenaldo, transpassou a cabeça da moça apagando-lhe a memória para todo o sempre. Josenaldo, mesmo se entregando à polícia, foi julgado como um criminoso de altíssima periculosidade, duas semanas depois no Fórum da Barra Funda e tecnicamente pegou 33 anos e 9 meses de prisão em regime mais do que fechado, sem direito a redução de pena por bom comportamento, sem indultos de natal, sem porra nenhuma. Saiu do Fórum algemado com a TV mostrando ao vivo para todo o país a justiça-sendo-feita, seguindo de camburão escoltado por diversas viaturas da segurança pública, direto para a penitenciária de segurança máxima em Itirapina.
Josenaldo é pobre e nunca conheceu o pai. Diferente de Gil Rugai que pertence a outra casta social.

23/02/2013

Limões, N S de Fátima, Polegar, Bob Marley e outros.

  
O que você vê, parece mesmo com Nossa Senhora de Fátima? Católicos da cidade de Limoeiro, no agreste de Pernambuco, juram de pés juntos tratar-se da imagem da santa, revelada milagrosamente através de uma gota de sangue caída de um paciente de 88 anos, durante exames médicos no hospital da cidade. Rapidamente ela se espalhou pelo lençol chamando a atenção de início dos enfermeiros e posteriormente da própria direção do hospital. 
A notícia percorreu as redondezas levando devotos e curiosos para a porta do hospital na tentativa de verem com os próprios olhos e certificarem-se tratar-se de mais um milagre, a ponto da direção da entidade recolher o lençol manchado para um local mais seguro aguardando apreciação da igreja. 
A Diocese de Nazaré da Mata, que responde pelas paróquias da região, inclusive as de Limoeiro, informou estar a par do caso e o padre responsável pela Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação em Limoeiro, José Nivaldo, confirma ter visto a imagem, mas, cético ainda, aguarda para ver se ela desaparece ou não.
Olhei a imagem com atenção e bem que me pareceu com alguém conhecido, lembra muito o rosto de uma pessoa. 
O cérebro da gente, recheado de informações e pré disposto a concatenar com nossos anseios, associa de imediato o desenho formado pelo sangue absorvido pelo lençol com o rosto de alguém. Mas ao mesmo tempo, à luz da imaginação,  ele associa com outras figuras, até o com a marca de um polegar sujo, por exemplo. Com esforço é possível associá-lo a qualquer coisa. Lembrei até de Bob Marley, chapado, contemplando a natureza sob um sol caribenho. 
Percebo melhor porque tem gente ganhando muito dinheiro controlando o que a gente pensa. O sistema é bruto, é uma espécie de condutor mal encarado que define o que é bom e o que é ruim. 
Viva Nossa Senhora de Fátima, que pelo que consta, não é e nunca foi maconheira.
Fonte: Site NE10 do Grupo Jornal do Comércio de Recife. Publicado em 20/02/13 

Agulha no dedo

Estava sentado no muro de casa olhando a rua deserta. Devia ser umas duas da tarde e o sol do verão de 1963 castigava a gente, ainda mais, eu, um garoto de 9 anos que detestava dias quentes. Tinha almoçado há pouco e o sono da tarde, que desde aquela época me acompanha, me abatia. Eita preguiça que dá depois do almoço! 

Minha vontade sempre foi de me estatelar numa rede e me deixar levar pelos sonhos durante a tarde. Raramente pude fazer isso na vida. Então aprendi a sonhar acordado todo início de tarde. Aprendi ainda que, em determinadas circunstâncias, melhor mesmo é nem almoçar, assim o sono não me amolece. Quando não almoço esta parte do dia é o de maior rendimento para mim. Coisa quem nem Freud explica.

Ninguém na rua, ela estava completamente vazia, uma alma viva se quer eu via se atrevendo a desbravar aquele Saara do capeta. Só eu mesmo poderia estar ali debaixo de um calorão daqueles, um perfeito barnabé.
O muro tinha quatro colunas que se destacavam do restante da parede que separava o terreno de casa com a calçada da rua. O espaço entre essas colunas era de uns dois metros e meio e um menor onde ficava o portão de entrada da casa, que tinha ripas grossas de madeira pintadas com tinta verde. Este vão tinha um metro e vinte de largura, mais ou menos.
Olhei para aquelas colunas de cimento cujos topos em plataformas quadradas de uns sessenta centímetros cada, que recebera um assentamento bem liso e imaginei que poderia pular uma a uma sem muito esforço e para tanto compreendi que seria mais seguro experimentar pelo vão menor.
Mesmo com o sono me corroendo me levantei e fiz um primeiro teste. Saltei o vão menor com muita tranquilidade. Saltei novamente e mais uma vez e mais outra e outra. Estava fácil demais. Confiante, decidi saltar agora usando somente um dos pés - pé direito aqui e pé direito ali. Espetacular, consegui de primeira e com bastante equilíbrio. Ouvia a platéia pedindo bis, os aplausos explodiram aos meus ouvidos.
Pensei comigo: quem sabe a Ideli esteja me observando e finalmente iria notar o menino que todos diziam ser muito atrevido. Com certeza ela iria se apaixonar por mim e eu, finalmente, teria a atenção da menina mais bonita da rua.
Olhei para os outros lances, os de dois metros e meio de vão. Nem o calor intenso da tarde compensou o frio na barriga que senti. Lá de cima aos coisas eram diferentes, percebi que não iria conseguir. Mas e se a Ideli estivesse mesmo me olhando pelo vão da janela. Se eu conseguisse então, pra ela eu seria o mais corajoso dos meninos que conheceu na vida. Um menino homem, valente, um super herói.
Mas, não. Disfarcei um pouco e dei meia volta. De alguma forma não poderia mostrar que eu estava com a intenção de pular aquela distância tão grande. Senti um pouco de vergonha mas acho que fui um bom interprete, fui sensato sem saber direito o que isso significava.
Outra ideia me ocorreu. Saltaria as colunas já conquistadas de forma diferente. Colocaria um dos pés no ar,  o esquerdo, bem entre elas, no espaço e muito rapidamente levaria a outra perna para alcançar a coluna seguinte. Grande ideia para um número de matinê do Grande Circo Norte Americano. Para isso me preveniria, eu deixaria o vão aberto para não esbarrar o pé no portão e consequentemente cair, evitando um vexame histórico diante da princesa que a essa altura tinha certeza que me observava. E também o pé no ar seria melhor notado por todos. Ah! Só faltava mesmo alguém fotografando aquilo tudo! Que sonho!
Preparei o salto, cumpri o ritual da exibição imaginando o público em silêncio, aflito, agoniado, aguardando o gran finale. Ideli se derretendo por mim. O maior equilibrista saltador de todos os tempos, o seu grande amor, o menino mais corajoso do mundo se preparando para o espetáculo definitivo.
Subi pelo muro com movimentos dignos de um profissional circense, me sentia mesmo o máximo. A platéia agonizante, Ideli com os olhos arregalados temendo pela vida de seu herói e eu no centro do picadeiro. Tudo escuro, somente um facho de luz acompanhava meus movimentos.
A lei da gravidade foi determinante mais uma vez. Não a conhecia até esse dia, pelo menos nunca tinha me dado conta de sua eficiência. No que coloquei o pé no ar, sem apoio algum e com o corpo em posição para o salto, ligeiramente inclinado para frente, a queda foi inevitável e muito rápida. Bati a cabeça na coluna com toda a força, a coluna a qual deveria alcançar a perna direita na velocidade da luz. Outra lei da física que descobri nesse dia, nenhum corpo trafega no espaço a 300 mil quilômetros por segundo sem que se desintegre.
O que quase se desintegrou mesmo foi minha cabeça. Desmaiei no impacto. Me lembro acordar minutos depois completamente atordoado no colo da dona Iracema, a mãe da Ideli, esta sim me espreitava pela janela. Ela me socorreu e me levou para dentro de casa aos gritos, onde minha mãe quase desmaiou pelo susto quando viu o filho mais velho, o problemático, como ela sempre dizia, o de nove anos metido a besta, completamente ensanguentado. Perdi o sentido novamente. Pensei ter morrido.
Acordei tempos depois num lugar estranho, parecia um hospital. Estava num pronto socorro na verdade e cercado de gente, todos vestidos de branco. Na maca ao lado uma mulher estava sendo atendida ao mesmo tempo e chorava muito, ouvi alguém dizendo que ela tinha um pedaço da agulha da máquina de costura enfiada no dedo da mão. Achei que ela estava com mais problema do que eu. Me costuraram a pestana direita e nela deixaram para sempre seis pontos mal alinhados e um curativo que tapou o olho por alguns dias. Berrava mais que podia e menos que queria. Acho que ainda não tinham inventado a anestesia, só podia ser.
A cicatriz se esconde por debaixo dos pelos da sobrancelha direita até hoje. Somente as pessoas mais próximas a mim sabem que ela existe. Mesmo assim nem se lembram dela. Acho que se incorporou ao meu rosto como os aros dos meus óculos.
A Ideli soube depois da minha atuação mal sucedida, ela veio me visitar no dia seguinte com alguns biscoitinhos que dona Iracema tinha feito para mim. Costume da época. Agradeci com um sorriso envergonhado tentando esconder a enorme quantidade de esparadrapo que cobria boa parte minha testa. 

As recomendações dela foram para eu deixei de lado minha motivação para espetáculos de exibicionismo. Depois desse dia optei pela cautela e nessa linha a minha conduta como um todo - com tudo e com todos, mesmo eu sendo por natureza, um gigantesco exagerado, Ninguém me espreita, isso seria paranóia. E caso, eventualmente, queiram fazer isso, pois que façam. Não devo me preocupar com uma hipotética platéia. Melhor mesmo é dormir depois do almoço ou não almoçar quando não for possível tirar uma pestana em seguida. É mais seguro.

22/02/2013

Não confunda fezes com bosta.

Olá. Se você tem excessiva paixão por um time de futebol, seja lá qual for, uma paixão daquelas que te leve aos extremos, que te faça perder o sono, uma que te prenda a discussões com colegas de trabalho ou a soltar bombas assustando as aves e outros animais pelo mundo, procure urgentemente cuidados médicos. Recomendo um psicólogo ou até mesmo um psiquiatra, dependendo o grau de anomalia em que você se encontre, pois, provavelmente, você tem um grande potencial para se tornar um delinquente e isto te levará, inevitavelmente, a buscar refúgio em alguma torcida organizada. Os alistados a essas agremiações até matam em nome do amor. É um absurdo.
Não importa sua classe social, credo ou cor, esta doença pode atingir qualquer um que tenha nascido um dia na condição de humano. Somos todos vulneráveis a ela. Basta você ficar atento aos sintomas, muito atento e se perceber alguma coisa diferente em seu íntimo, o quanto antes procure ajuda médica. A coisa é séria, meu caro e os tempos estão realmente difíceis hoje em dia, há muita oferta de bobagens por todo lado.
Se você não for corinthiano e decidir criticar a torcida louca-por-ti-corinthians de forma generalizada, influenciado pelo rancor diante da tragédia na Bolívia, onde um grupo de primatas uniformizados lançou uma bomba que matou uma criança do outro lado do estádio numa simples partida de futebol, você, nitidamente, tem sinais de distúrbios psíquicos e sérias dificuldades com a capacidade de discernimento.
Dificuldade de discernimento é quando não compreendemos bem uma determinada situação e para nos safarmos do constrangimento da ignorância, dizemos que tudo é uma bosta.
E bosta para quem não sabe, não são os detritos fecais expelidos pelos seres vivos, esses detritos, na verdade, são conhecidos como fezes. 
Bosta é um sujeito ou alguma coisa sem vida ou mesmo uma situação bizarra não dotada de lógica sensata, que age isoladamente ou em grupos organizados e que atua de forma irracional, odiosa e inconsequente.
No princípio os primatas eram bostas humanas que se reproduziam como larvas nas cavernas e alimentavam-se de mastodontes e de suas carniças. Porém, com a evolução natural, muitos desenvolveram a inteligência, acumularam informações, aprenderam sobre o discernimento e multiplicaram o conhecimento. Alguns poucos acompanharam essa evolução à distância, escondendo-se covardemente na escuridão das cavernas. Até hoje insistem em camuflarem-se atrás de toucas ou de coisas parecidas. São primatas contemporâneos.
Portanto, meu amigo, muito cuidado. Torcidas organizadas, torcedores fanáticos e falta de discernimento são bons exemplos do que é esta categoria orgânica. Não seja um bosta, use o discernimento e viva feliz.

20/02/2013

Trote na Casa Branca

Todo começo de ano é a mesma coisa em São Paulo. Cai tanta água que a cidade não consegue absorver o volume das trombas e a população sofre as consequências.
Nas últimas semanas nada de diferente, alagamentos que mais parecem enchentes e enchentes que lembram muito os tsunamis asiáticos. Faróis apagados, caos no trânsito, centenas de árvores derrubadas pelos ventos fortes que destroem carros, redes elétricas e até mesmo matando pessoas. Verdadeiras cenas de guerra vemos por todo o canto nos finais de tarde e início de noite de verões tropicais.
Em meio a isso tudo a criatividade pelo desespero deixam histórias curiosas. Pesquei uma delas e reproduzo aqui.
BOMBEIROSNa alameda Casa Branca, o corte da tipuana que interditava a via só começou mais cedo por causa do trote de um morador desesperado.Desde a manhã, moradores da região relatavam ter telefonado à AES Eletropaulo para saber quando a energia seria retomada. Funcionários a serviço da empresa diziam que, por causa de riscos, não podiam mexer na rede e aguardavam a chegada dos bombeiros.A corporação diz atender primeiro as ocorrências com risco à vida ou ao patrimônio, e que havia muitos pedidos para corte de árvores na fila.De acordo com o tenente Augusto Nacano, um morador telefonou para os bombeiros informando que havia fogo em um apartamento. Sua equipe só descobriu que se tratava de alarme falso quando chegou, por volta das 13h."Estávamos cortando outra árvore na Vila Mariana, pois havia risco de uma casa desabar. Mas, como incêndio é prioridade, viemos para cá. Esse tipo de coisa [trote] só prejudica o nosso trabalho."Como já estava no local, a equipe começou o corte e outra foi enviada para concluir o trabalho na Vila Mariana. 
ANDRÉ MONTEIRO DE SÃO PAULO OLÍVIA FLORÊNCIA COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

19/02/2013

Deputados, Tablets e Taquígrafos

No UOL hoje: 

NA VOLTA DO CARNAVAL, DEPUTADOS ESTREIAM TABLETS QUE CUSTARAM MAIS DE R$ 609 MIL.

Reportagem de Fernanda Calgaro - UOL-Brasília.
Ao retornarem do recesso de duas semanas do Carnaval, os deputados federais irão estrear nesta semana o uso de tablets no plenário da Câmara. Recém-adquiridos pela Casa sob o argumento de que é preciso reduzir gastos, os equipamentos serão usados pelos parlamentares para consultar projetos e pareceres durante as sessões, em substituição aos enormes calhamaços de papel. Segundo a Câmara, em 2012, foram feitas cerca de 1,7 milhão de impressões. O parlamentar que não tiver tanta familiaridade com a tecnologia poderá contar com a ajuda de técnicos da Casa.
No total, 489 tablets foram instalados. Embora sejam portáteis, foram fixados nas mesas e, portanto, não poderão ser transportados. Cada tablet, modelo Samsung 10.1 de 16 Gb, custou à Câmara R$ 1.109, totalizando pouco mais de R$ 542,3 mil.
Para a equipe de taquigrafia, que faz o registro dos discursos, foram comprados 50 iPads 2, que também serão usados pelos integrantes da Mesa Diretora. Foi preciso adquirir um equipamento diferente do sistema do plenário porque o programa específico usado na taquigrafia só roda em iPad. Cada iPad custou R$ 1.349. Assim, o gasto total da Câmara com os 539 tablets chegou a R$ 609,7 mil.
Outras medidas tecnológicas foram adotadas para tentar agilizar a atividade parlamentar. Terminais de atendimento com telas sensíveis ao toque e leitores biométricos serão acessados pelos deputados para, entre outras coisas, poderem se inscrever para discursar na tribuna.
Também com esse sistema os deputados poderão coletar eletronicamente assinaturas dos seus pares em apoio a projetos. Até então, a adesão para proposições que exigem apoio de mais parlamentares, como a apresentação de uma PEC (proposta de emenda à constituição), por exemplo, ou a instalação de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), era feita manualmente, o que demorava muito.
Custos
No caso do Senado, os senadores também receberam tablets do mesmo modelo instalado na Câmara, com a diferença que não foram fixados nas mesas e podem ser transportados.
Os aparelhos, no entanto, custaram mais ao Senado: cada um saiu por R$ 1.718, 55% a mais do que a Câmara pagou.
Embora as duas compras tenham sido feitas por meio de licitação eletrônica, a diferença no valor, segundo as Casas Legislativas, se deve à quantidade maior de equipamentos adquiridos pela Câmara (489) em comparação aos comprados pelo Senado (110).
De acordo com o Senado, em junho de 2012, seis meses após a aquisição dos equipamentos, houve redução média de 61% no custo com a impressão de documentos --em algumas comissões, chegou a 80%. No total, a Casa economizou R$ 1,85 milhão em insumos gráficos com a substituição das publicações oficiais impressas.

Fico impressionado com a administração desta casa, pra não dizer estupefato. Eficiência, rapidez e contemporanieidade. Esses deputados são maravilhosos, todos os políticos são maravilhosos, sinto muito orgulho deles. Nós os elegemos em pleno exercício de democracia. Realmente, este é um país que vai pra frente!

Ampliar para tentar  encontrar alguém ai

17/02/2013

Profissões Piratas

Estava aqui pensando. Lendo uma coisa ou outra nesta tarde de domingo e me dei conta que existe uma profissão, se é que devo chamá-la assim, que realmente penso ser a última na escala de trabalho do homem na terra, muito abaixo dos limpadores de fossas ou de políticos profissionais. Esta última dedico aos imundos, somente a eles. Me desculpem o exagero, mas realmente penso assim. Me pergunto como que alguém pode se permitir a tamanha humilhação, mesmo considerando que tenha que sobreviver no planeta e pelo ganha pão de cada dia. Me veio à cabeça o que será que eles dizem aos seus filhos, para as esposas ou aos maridos, aos familiares, aos amigos, enfim, à todos, quando têm que preencher o ítem "profissão" numa dessas milhões de fichas que preenchemos ao longo da vida. Não sei, deve ser constrangedor a ponto do sujeito ter que inventar coisas ou super valorizar o seu trabalho.
Vamos lá, a profissão que me refiro é a de assessor de político, em seus diversos níveis, pois, como não bastasse um, existem vários tantos níveis nessa hierarquia surrealista. Penso que um flanelinha cadastrado tem maior dignidade. Aos que me leem e não são de São Paulo, flanelinhas são guardadores de carros em vias públicas, aqui na cidade existem aos montes. Mas agora os flanelinhas cadastrados têm um nome mais pomposo - valets.
Assessores de políticos são medíocres por natureza e se prestam a nada a não ser acobertar, desvincular, alterar, manipular a realidade dos fatos, para que qualquer ação indesejável dos seus chefes possam gerar repercussões na imprensa e consequentemente no público em geral. Lembrando que público vota e a cada quatro anos essa categoria vale ouro nas campanhas. 
Abaixo um vídeo ilustra bem o que penso deles. O ex presidente FHC é entrevistado pelo repórter da TV Globo durante a transmissão do desfile na Marques de Sapucaí e nem bem a reportagem entra ao AR, ve-se uma mão boba vinda do além túmulo, que bem poderia ser de um incauto assessor e esta mão retira o copo de bebida das mãos do ex presidente.
Me perguntei: Por que isso? Não seria melhor deixar o sujeito na sua folga aparecer na TV mais assistida do país com um copo de whisky nas mãos, uma vez que a própria fala mole dele demonstrava o quanto estava alterado?
Por que então, não tomou essa providência antes da entrada ao vivo O que o assessor estava fazendo enquanto o repórter e o entrevistado aguardavam a ordem da entrada pela TV? Sei muito bem como funcionam essas transmissões, pelo menos um minuto de espera existiu.
O infeliz devia estar bebendo também ou então, traiu-se pela mesma estupidez que um dia o levou a ser um assessor de político.
Em tempo. Achei engraçado alguns comentários postados nas redes sociais a respeito dessa entrevista, fazendo comparações com outro ex presidente, o Lula, argumentando que se fosse com ele a repercussão seria muito maior. Óbvio, por que será? Lembro que quem mostrou ao vivo a cena não foi a TV Santana do Noroeste do Sul, mas sim a rede televisão de maior audiência no país. Só rindo, pra não chorar. O Lula devia estar mamado em outro lugar.

16/02/2013

Velas dos 90

O homem vestindo um blaser preto e sem usar bengalas, caminhava numa manhã de primavera pelo parque da cidade. Apesar dos seus 89 anos de idade, para sua aparência, ninguém dava mais que 63. Esguio, ereto, charmoso e muito educado.
Entre as passarelas arborizadas e alamedas suntuosas ele cruzou o olhar com a jovem de olhos azuis e cabelos levemente ondulados, que naquela manhã também se deleitava do oxigênio puro e dos pensamentos soltos.
A moça de 21 anos sorriu para ele, pois sentiu o coração pós adolescente, pulsar instantaneamente e descontroladamente deu a ele sua atenção.
Se conheceram ali e dali nasceu o amor que ele e ela jamais pensaram pudesse existir. Casaram-se dois meses depois, mesmo a contra gosto das famílias e mudaram-se para outra cidade.
Viveram um amor intenso e eterno por nove meses e quatro dias, até a chegada repentina de um último suspiro, exatamente quando ele soprava as velas dos 90 anos.
Ela, vinte e dois dias depois de viuva, suicidou-se. Não suportou a dor da solidão.

Diálogo Imaginário



Rádios telescópios da Nasa registraram diálogos incompreensíveis, imediatamente após a queda do meteorito, nesta sexta feira em Tcheliabinsk na Rússia.
Cientistas, instigados, não compreenderam o teor da conversa, mesmo passando pelo translator do Google.
Segue:
__ Ysnxjd! Ujskd doflfm dksind, ajaksio!!! Kjsid sde kfkf;;. Nddhhsooodll osldop kdldmnoppdp ,xlll;s;;'pd,lfger.
__ Ysnxjd eldkjdp, dlsoooo?
__ Ysnxjd, gfhriiii. kdkdneoeo eoemd  mdldooflff.
__ Jjsoodkd, cmdodod;s;l, dkldmff 55 08'30 45N - 61 23'21.05L?
__ FDP, dkdodo 15 50'16"S - 47 42'48"O. Jk skdiodkm, kdocod dkdoeop dknfnj jdkidkdn, aodmdndk ,, fofooo dkdoonn. SDld djkfidn nfiodnbbn.
__ Pô, dkfodo dkd, codnfkfo. Hjdl ndkk.

Depois da tradução, o diálogo:
__ Não! Puta que te pariu, caralho!!! Olha a merda que você fez. Mandou o meteorito para o lugar errado.
__ Não era ali, comandante?
__ Não, bastardo. Confere as coordernadas que te passei na semana passada.
__ Mas, comandante, eu programei o lançamento com destino a 55 08'30 45N - 61 23'21.05"L, não era isso?
__ FDP, era 15 50'16"S - 47 42'48"O. E ainda mais, a ordem foi para que fosse disparado entre terça e quinta feira. De sexta não tem ninguém lá.
__ Pô, desculpa aí, comandante. Foi mal.

15/02/2013

1962


O primeiro som que ouvi quando despertei foi o do rádio ligado. Alguém falava alguma coisa com muito entusiasmo e eu não entendia direito o que diziam. Parece que os jogadores da seleção que estavam no Chile desembarcaram no Aeroporto de Congonhas a pouco e uma multidão em delírio absoluto os recebiam. O locutor praticamente gritava sem parar: Minha gente, o escrete canarinho chegou e agora na condição de bi campeão do mundo. Brasil, Brasil, bi campeão mundial de futebol! Suécia em 58, Chile em 1962. Viva Jânio! Viva o Brasil! Viva a República brasileira!  
Vi minha mãe cruzando a sala, saindo do quarto em direção ao banheiro. Senti os pés do meu irmão resvalando aos meus e notei que ele ainda dormia e que estávamos no velho sofá-cama da sala de casa, um aos pés do outro. A luz por entre as cortinas avermelhadas e floridas que cobriam a janela, bem ao nosso lado, quebravam a escuridão.
O locutor de voz grave da rádio Bandeirantes, disse ainda: São sete horas e quatorze minutos na capital bandeirante. Hoje o Brasil está em festa para receber os heróis de Santiago.
Embora estivesse com as ideias ainda confusas pelo dia iniciando, um lapso de alegria me bateu de pronto - lembrei-me de que estávamos em 18 de junho de 1962 e naquele dia eu não teria aula, ninguém teria aula, saboreávamos uma espécie de feriado nacional, graças à chegada da seleção vitoriosa e o Brasil todo estaria pronto para  recepcioná-los, comemorando o título de Bi Campeão da Copa do Mundo daquele ano. O Brasil vencera a Tchecoslováquia no dia anterior, domingo, e sagrou-se o campeão. Portanto, hoje era uma segunda feira, porém, uma segunda feira diferente, das boas, sem aulas. Só festas. Uau!
Logo depois do anúncio da hora certa ouvi a música:  
Verde, amarelo, cor de anil, são as cores do Brasil. Vencemos o mundo inteiro, melhor no futebol são os brasileiros. Salve a CBD, jogadores, diretores. Salve, oh pátria varonil! Campeões do mundo, Brasil!

Fui dormir na noite passada acreditando que éramos de verdade os maiores do mundo. Até me emocionei. Nós todos nos emocionamos, o país inteiro se emocionou. Naquela copa tínhamos jogado com a Tchecoslováquia no segundo jogo e foi difícil segurar o zero a zero ou um a um. Só sei que chorei e chorei muito e com discrição, pois não queria que ninguém percebesse que eu chorava feito uma menina. Mesmo sendo uma criança, fazia de tudo para me mostrar à todos que eu já era bem grandinho, um homenzinho. Pelo menos me esforçava para isso. 
Me lembrei que a cada gol que ouvíamos pelo rádio, em casa ouvíamos a  Bandeirantes, naquela tarde ensolarada de 17 de junho de 1962, um domingão quente, eu corria até o muro da frente de casa, me sentindo o próprio herói nacional e com a espada em riste, uma de madeira que eu mesmo havia construído, para me passar por Zorro aos meninos e meninas, subindo na parte mais alta do muro, eu berrava endoidecido: Brasil, Brasil! Eu venci! Eu sou o maior! Se o Pelé tivesse jogando seria doze a zero e não três a um. Eu sou o máximo!
A rua Cônego José Norberto, 256 no Jardim Brasílio Machado, distrito do Ipiranga, uma rua larga e ainda de terra batida, estava cheia de gente, muitas pessoas felizes festejando os gols brasileiros e logo depois do apito final, a vitória, a consagração. A vizinhança se abraçava, as crianças pulavam loucamente e se jogavam ao chão sujando-se à vontade. Tudo foi permitido naquela tarde. Até mesmo dona Encarnação, que raramente colocava-se ao portão, esboçava nesse dia um sorriso largo de portuguesa bigoduda.
Em meio a tudo isso me lembro que gritei: Independência ou Morte, thecos de uma figa! Até hoje não entendi direito o que quis dizer com essa frase. Acho que, além do Zorro, Don Pedro I tinha se tornado mais um herói na minha vida.  Dona Cida, a professora do segundo ano, provavelmente fizera a lavagem cerebral perfeita nos meus miolos de oito anos.

Vi meu pai saindo do quarto às pressas indo ao banheiro e minha mãe saindo de lá para seguir até a cozinha preparar o café. No caminho ela olhou para mim e disse friamente: levanta da cama, se você já abriu os olhos, já está acordado, mas não acorde seu irmão que ainda dorme.
A voz dela estava diferente, menos rouca, parecia a voz de uma mulher com menos de trinta anos. Ela aparentava ser bem mais nova naquela manhã, mesmo com aquele coque horrível na cabeça, meio desalinhado pela noite de sono. E o vestido azul claro, de tecido grosso, um pouco desgastado, há muito não o via, mas caia-lhe bem. O que era aquilo? Pensei.
Antes de chegar na cozinha ela voltou-se de súbito para buscar o rádio Zilomag que estava sobre o criado mudo em seu quarto. Quando ela ligou o rádio novamente eu ouvi o locutor enaltecendo os lances do jogo de domingo, dos grandes lances dos heróis nacionais. A música não parava de tocar. Era Brasil daqui e Brasil de lá.
Caiu a ficha. Meu coração disparou e eu pensei que fosse desmaiar. Tirei as cobertas que me protegiam do frio e me coloquei em pé, num movimento rápido sem igual.
Olhei para os lados e mesmo às escuras, vi a televisão Invictus de 21 polegadas desligada, o regulador de voltagem sobre a TV. Os fios desses aparelhos que alcançavam a meia altura da parede,  embaralhados entre si. A mesa de centro retangular deferro encapada com fios de plástico, com um vaso branco imitando porcelana cheio de flores plásticas coloridas que cheiravam muito forte. Vi a armação fina de ferro preto, que mais parecia um arame grosso, que fazia um tripé de sessenta centímetros de altura, que sustentava um cone de alumínio de laterais onduladas, esverdeado e nele se encaixava um cinzeiro cor de ouro, também de alumínio, com algumas bitucas de cigarro por dentro. O detalhe é que na base do tripé ainda existia um local para se guardar revistas. A peça de designer vanguardista estava ao lado do sofá menor para comodidade do patriarca da mansão.
Algumas folhas de jornais abertas espalhadas pelo chão como se fossem tapetes persas para proteger os tacos de madeira super limpos e lustrados. Minha mãe insistia em mante-los brilhantes. A sala cheirava à cera Parquetina.
O que estava acontecendo? O que eu fazia ali? Olha pra mim, um moleque de uns oito anos e sem óculos? E esse pijama ridículo de flanela listrada? Olha o bolso, continua furado desde quando eu era garoto? 
Meu pai passou por mim e me deu um sorriso discreto. Pediu em voz baixa para que eu cobrisse meu irmão. Eu obedeci. Pasmo, notei a voz dele e ele todo muito mais novo! Não entendia nada do que estava acontecendo.
Na rádio o locutor pediu ao repórter presente no aeroporto para que narrasse o que via. A multidão enlouquecida, os jogadores descendo pelas escadas do Electra. Em meio a tantas vozes e gritos, o jogador Amarildo, o que substituiu Pelé logo no segundo jogo da Copa, contou que estava muito feliz e que todos deveriam comemorar a vitória, afinal, a Copa do Mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa. O marechal da vitória, Paulo Machado de Carvalho também se expressou ao microfone do repórter: É um dia de muita felicidade para a nação brasileira. O Brasil é bi campeão e o mundo agora ajoelha-se aos nossos pés.

Do nada, como num filme de viagem no tempo, tudo ficou em absoluto silêncio. Eu ouvia zunidos incompreensíveis.  Fiquei parado, estatelado, quieto na sala, olhando para todos os detalhes, das paredes de reboque de mau acabamento, à porta da sala de acesso ao terraço ainda fechada. Vi suas ranhuras de madeira antiga com a tinta marrom que se sobrepondo à tantas outras camadas de tintas que recebera pela vida, tornara-se grossa e desajeitada.
Por bons minutos fiquei paralisado, olhando tudo aquilo que julgava até então fazer parte de um passado distante, um período da minha vida, da minha infância. Detalhes esquecidos na memória de um homem quase sexagenário.
O cheiro da cera me incomodava. Me lembrei da palha de aço que cortava as mãos e com ela raspávamos o piso todo, retirando com muita força a crosta de cera da semana anterior. Meu irmão e eu, todas às sextas feiras e sábados, tratávamos dos tacos dispostos simetricamente pelo piso, de quatro em quatro - em pé e deitados, alternando-se em grupos, deixando harmoniosos os desenhos pelo chão, tanto da sala quanto do dormitório. Depois encerávamos tudo com dois pedaços de pano que às vezes vinham ressecados pelo uso da última vez. E no final, o lustro, o qual fazíamos com uma blusa de lã preta, velha e rasgada, esfregando ela por todo lado até o chão ficar totalmente lustrado. Era assim que minha mãe queria.

Respirei fundo, busquei equilíbrio e me concentrei. Criei coragem para dar alguns passos à frente e parando diante da porta da cozinha e olhei para aquelas pessoas que aparentavam serem os meus pais. Pais de anos atrás, diferentes que eu tinha na memória, até mesmo das fotografias. Mas sabia que eram eles. Nem notaram a minha presença de tão quieto que eu me mantive. Mal respirava.
Olhei para a velha Frigidaire no canto esquerdo da parede coberta de barra-lisa ao fundo da cozinha. A parte inferior da geladeira era fechada para esconder o motor barulhento. Somente a parte superior servia de refrigerador e muito diferente das de hoje, aquela, a porta não tinha prateleiras para ovos, frascos ou garrafas de bebidas. O congelador era aberto e nele cabia apenas duas forminhas para fazermos o gelo. Sobre ela, vi alguns papéis e o pinguim de louça que eu gostava muito.
A mesa da cozinha de madeira clara estava com a toalha sobre ela. Do bule de café saia a fumaça, o mesmo saia da leiteira e da manteigueira de vidro via um resto de margarina. Parte de um filão de pão com uma fatia cortada, também vi. 
O guarda-louça de estilo igual ao da mesa e das cadeiras estava na mesma parede da geladeira, bem ao meu lado esquerdo. Uma das gavetas estava quase aberta e era que nela meu pai guardava os documentos e a chave de sua motocileta, Vincent.
Ele estava sentado de costas para mim e minha mãe em pé estava junto à pia de granito verde, próxima também ao fogão. Olhei para a parte inferior dele, todo de ferro esmaltado e vi o desenho estampado abaixo do forno que tanto admirava - um homenzinho carregando num carrinho, um bujão de gás da Ultragás. 
A porta do quintal dos fundos, bem à frente, estava com uma das folhas abertas e por ela vi que o sol brilhava naquela manhã, apesar do friozinho.
O Zilomag não parava de tocar. Uma ou outra notícia era anunciada e mais música do orgulho brasileiro era tocada, o fato do dia era mesmo a seleção canarinho bi campeã do mundo.
Não pode ser, deve ser um sonho, um pesadelo. Devo ter bebido muito ontem à noite. Só pode ser isso…  Eu pensava sem parar - atônito, confuso e com muito medo.

Dei dos passos para trás em silêncio e me virei para ir ao quarto da frente, o quarto dos meus pais. Vi a cama desarrumada. Os lençóis e o cobertor xadrez fino amontoados sobre ela. A penteadeira com os enfeites coloridos e alguns vidros de perfume barato sobre ela deixavam pouco espaço para a escova e o pente da dona da casa. 
O velho guarda-roupa de duas portas em madeira escura, separados por uma faixa lisa de madeira trabalhada no melhor estilo provençal, me fez lembrar também do lustra-móveis Shell que passávamos para mante-lo brilhante como novo. Os dois criados-mudos acompanhavam o estilo e portanto, o polimento manual nosso.
Uma grande caixa de papelão ao lado direito do guarda-roupa guardava as revistas e livros de rádio e de cinema que minha mãe colecionava. De tempo em tempo ela deixava a gente folhear as revistas e me recordo de ficar alucinado com as fotografias em preto e branco dos artistas e dos estúdios do cinema. Olhei para todo o ambiente e me desconcertei mais ainda.

Ainda quieto segui até o banheiro. Uma cortina de plástico com gansos e patos nadando em uma lagoa com os arbustos aquáticos enormes, estampados nela e que separava o que seria o boxe com o chuveiro que vivia dando choque da outra parte do reservado. O vaso sanitário com a tampa de madeira descascada, o armário semi aberto logo sobre a pequena pia. Vi quatro escovas de dentes dependuras na parte interna do armário - uma azul clarinha, uma rosa, uma verde e outra azul mais escura. Todas com os fios desalinhados e desgastados. A escova verde era a minha. A identifiquei de imediato.
A descarga funcionava puxando-se uma cordinha que vinha da caixa de amianto fixada logo acima do assento do vaso. Na ponta da cordinha estava o nozinho que prendia uma madeirinha que servia de sustentação para a “puxada” da descarga de água e que minha mãe havia pedido para eu fazer dias atrás.
Dias atrás, como assim? Eu tinha feito aquilo umas cinco décadas atrás e não dias atrás e naquele instante parecia mesmo que tinha feito ontem.

Um calor intenso percorreu o meu corpo, senti medo. Mais que isso, senti pânico da cabeça aos pés. Nada daquilo fazia sentido. Minhas lembranças haviam se materializado ou eu, por alguma razão viajei pelo tempo? 
Foi quando me dei conta que estava descalço. O chão gelado do cimento liso vermelho do banheiro contrastava com o calor que sentia pelo corpo.
Por instinto segui até a sapateira de madeira pintada de branco que ficava no corredor do banheiro e nela peguei meu chinelo de borracha. Aquele soltava as tiras e uma delas, a do pé direito, a tira ficou presa por um araminho que meu pai havia consertado ontem, antes do jogo do Brasil.
Ontem? Ontem eu estava em Piracaia em fevereiro de 2013 e não em São Paulo em junho de 1962.
Mesmo assim calcei os chinelos e decidi falar com eles, com os que, supostamente, seriam os meus pais, lá na cozinha. Embora eu com os 59 anos nas costas, com os cabelos grisalhos e cheio de histórias pra contar, nem de longe eles iriam me reconhecer como o filho envelhecido pelo tempo o qual ainda eles não alcançaram.
Enchi o peito de coragem, tentei me equilibrar e fui decidido. Mal coloquei os pés na cozinha ouvi a sonora ordem materna:
Vai fazer xixi, lavar o rosto e escovar os dentes e depois vem tomar café. Não é porque você não tem aula hoje que não vai estudar.
Dei meia volta e retornei ao banheiro como um filho resignado e cumpri item a item da severa ordem matriarcal.
De lá ainda ouvi: Tira o pijama e coloca a calça comprida que hoje está frio. Coloca uma blusa de lã também.
Enquanto me vestia ouvi o ronco da Vincent do meu pai e com ela o ouvi saindo para o trabalho. Meu pai nunca se interessou por futebol e muito menos perdeu um dia de serviço por causa do Brasil. Para ele, aquele 18 de junho onde todos comemorariam o bi campeonato, era um dia normal. Mais um dia para ganhar na vida.

Só sei que quando me dirigia novamente à cozinha, depois do ritual matinal cumprido, na tentativa de descobrir alguma coisa com minha mãe, um sono repentino e muito forte se abateu sobre mim. O sofá-cama à minha frente foi por demais convidativo e nele me deitei, sem me importar com a surra que poderia levar depois. Em pouquíssimos segundos adormeci. E dormi por horas, dormi até o dia clarear.  
Ao acordar o primeiro som que ouvi foi o do rádio ligado. Alguém falava alguma coisa com muito entusiasmo e eu não entendia direito o que diziam. Parece que os jogadores da seleção que estavam no Chile desembarcaram no Aeroporto de Congonhas a pouco e uma multidão em delírio absoluto os recebia. O locutor praticamente gritava sem parar: Minha gente, o escrete canarinho chegou e agora na condição de bi campeão do mundo. Brasil, Brasil, bi campeão mundial de futebol! Suécia em 58, Chile em 1962. Viva Jânio! Viva o Brasil! Viva a República brasileira!   
Vi minha mãe cruzando a sala, saindo do quarto em direção ao banheiro. Senti os pés do meu irmão resvalando aos meus e notei que ele ainda dormia e que estávamos no velho sofá-cama da sala de casa, um aos pés do outro. A luz por entre as cortinas avermelhadas e floridas que cobriam a janela, bem ao nosso lado, quebravam a escuridão.
Pensei: Oba! Não tenho aula hoje. Que bom, o Brasil ganhou a Copa e por isso não teremos aula. Mas que sonho doido que eu tive esta noite. Que bom, somos bi campeões do mundo. Será que seremos penta campeões um dia? Caramba, preciso me cuidar pra quando eu ficar velho não me tornar rabugento como aquele velho do sonho que insistia em dizer que eu era ele em 2013. Espero estar vivo até lá, mas enquanto isso, fico aqui em 1962. Mas alguma coisa me diz que tempos difíceis virão.Viva o Brasil! 
Imagem Google - Presidente Jânio Quadros
         Como a vida me sorria eu sorria o tempo todo a ela.

10/02/2013

Carnaval

Carnaval em Brotas é bem animado. Praticamente a cidade toda participa, assistindo ou desfilando. Parece que tudo longe da cidade grande é mais franco.











06/02/2013

BBB e Provocações, dois extremos na TV

Eu não entendo porque metem tanto o pau no BBB. Claro que é ruim, aliás, mais do que isso, é péssimo, terrível, um horror. Acho que é pior que funk e sertanejo universitário juntos, multiplicado por ene vezes aos programas religiosos de bispos, pastores, missionários e seus rebanhos. E não poderia se esperar outra do coisa do BBB 13. Depois das 13 edições, uma por ano, com três meses no AR cada uma delas, a fórmula do qualho, qualhou faz tempo.
A primeira edição lá em 2001, ano em que não tivemos a odisséia no espaço como eu esperava quando criança, foi tão ruim quanto a atual, mas, por ser novidade no circo de programação televisa na época, fez algum sentido assisti-la. Algum sentido, algum, microscopicamente algum, bem claro. Considerando até, que veio à cola do similar, Casa dos Artistas que o SBT produziu, passando a rasteira nos holandeses detentores da ideia de exibir confinamentos com intrigas, sexo e rock and roll. Ambos foram novidades na TV e explodiram de sucessos. 
Não entendo também porque metem o pau no Datena, no Gugu, no Jornal Nacional, no Ratinho, no Faustão, nos fofoqueiros de artistas, nas novelas e em tantas outras coisas que a TV exibe. É só não assistir nada disso. A TV aberta com esse tipo de programação deveria mesmo é ser chamada de TV fechada. Fechada com o absurdo da hipocrisia e com a mediocridade. Me desculpem as exceções e opiniões contrárias. Mas essa é a minha. 
A TV como a temos, banaliza, impede a capacidade de discernimento. Torna o assíduo telespectador, um zumbi, um morto vivo diante dela e, consequentemente, depois dela. 
A relação de dependência do público em geral chega a ser estúpida. A luz  e o som da telinha hipnotiza o cidadão que nasceu normal um dia, vindo ao mundo com alto potencial de desenvolvimento de raciocínio e de sensibilidade. Ela bloqueia a ação espontânea dos neurônios e padroniza comportamentos. Há interesse por de trás disso, só pode ser. 
Portanto, salvo raras exceções, pois elas existem sim, claro e é só procurar com atenção no dial e cito o programa Provocações da TV Cultura de São Paulo como um bom exemplo, mantenha a sua TV desligada por mais tempo. Faça com que seus filhos, seus amigos e você mesmo não adquiram ou deixem o hábito (ou o vício) de mante-la constantemente presente em suas vidas. Sugira e parta para outras opções de entretenimento o mais rapidamente possível.  
Saia mais, brinque mais, leia mais, divirta-se mais e se possível, trabalhe menos. Assim você não precisará mais meter tanto o pau no BBB e nos seus similares.

05/02/2013

A sorte de Oswaldo

Oswaldo, desolado, decidiu antecipar sua partida e dar um tiro na cabeça. Na segunda feira passada pela manhã, antes de sair para o tratamento médico de rotina, se lembrou de conferir o resultado da Mega Sena. A aposta foi feita no sábado pela manhã e como de costume foi à Lotérica A Sorte é Sua, bem ao lado da relojoaria onde aproveitou para levar ao conserto o velho Cuco que desde a semana passada parou de funcionar. 
Buscou o registro da aposta na terceira gaveta do móvel rústico da sala de estar, onde costumava guardar a papelada. Pegou a aposta, deu uma boa olhada nos números e ligou o computador. A banda larga conectou a Internet de pronto e no site que se abriu ele clicou: Mega Sena - Resultado do Concurso 1465 de 02/02/2013. Lá encontrou os números:
06 11 16 26 44 53 
Em silêncio ele conferiu e reconferiu o bilhete várias vezes, não acreditando no que via estampado no papel levemente sedoso. Lembrou-se ainda do boa sorte que a simpática moça de seios grandes lhe dissera, a do guichê da lotérica A sorte é Sua, com aquele sorriso descabido pra lá de malicioso nos lábios.
Os milhões acumulados iriam mudar sua vida (?) da água para o vinho, mas ainda não foi dessa vez, pensou cabisbaixo. O papelzinho marcava um número acima em cada dezena da aposta: 
07 12 17 27 45 54 
Seria o sinal para o fim, proclamou. No entanto, o revólver calibre 38 que herdara de seu pai e que guardava com afeição na quarta gaveta do mesmo móvel, não estava municiado e nenhuma bala Oswaldo encontrou revirando a casa. 
Outro tipo de suicídio ele descartou por total falta de convicção. Se tivesse que acabar com a vida, igual ao pai e a mãe ele faria, nunca diferente. E depois da adrenalina baixar, o ímpeto de se matar foi parar no mesmo lugar, nas ideias.
Conformou-se. Decidiu esperar pelo transcurso natural do bom e velho destino, afinal o câncer que lhe comia as vísceras, foi o que apontou o último exame médico, o da semana passada, o deixava com os dias contados. O final estava próximo e nem valia a pena continuar o tratamento e nem, tão pouco, gastar uma bala de revólver para ferir-se mortalmente. Preferiu morrer em casa sozinho, puto da vida por nunca ter sentido, sequer, o gostinho de ganhar alguma coisa em loterias. 

04/02/2013

Cadê Thereza?

Thereza, Therezão, onde está você, ex cunhada do coronelão e viuva do cabeça de melão?
Ela soltou a ripa em cima do Renan que agora é presidente do Senado e Congresso Nacional do Brasil. O artigo saiu publicado no Jornal Extra do Rio de Janeiro. Li e gostei. Uma colega publicou em seu facebook e eu curti.
Guardo aqui e reproduzo para quem se interessar. Se não proceder, vale o conteúdo.
TEXTO DE TEREZA COLLOR

Publicado por Mendonça Neto, Jornal Extra - Rio de Janeiro . 
Carta aberta ao Senador Renan Calheiros

"Vida de gado. Povo marcado. Povo feliz". As vacas de Renan dão cria 24 h, por dia. Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas!

Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. Você sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas.
Do menino ingênuo que eu fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978 - que acreditava na pureza necessária de uma política de oposição dentro da ditadura militar - você, Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que se acovardam e não aprendem
nunca a ousar como os bandidos.
Você é um homem ousado. Compreendeu, num determinado momento, que a vitória não pertence aos homens de bem, desarmados desta fúria do desatino, que é vencer a qualquer preço. E resolveu armar-se. Fosse qual fosse o preço,
Renan Calheiros nunca mais seria o filho do Olavo, a degladiar-se com os poderosos Omena, na Usina São Simeão, em desigualdade de forças e de dinheiros.
Decidiu que não iria combatê-los de peito aberto, descobriria um atalho, um mil artifícios para vencê-los, e, quem sabe, um dia derrotaria todos eles, os emplumados almofadinhas que tinham empregados cujo serviço exclusivo era abanar, durante horas, um leque imenso sobre a mesa dos usineiros, para que os mosquitos de Murici (em Murici, até os mosquitos são vorazes) não
mordessem a tez rósea de seus donos: Quem sabe, um dia, com a alavanca da política, não seria Renan Calheiros o dono único, coronel de porteira fechada, das terras e do engenho onde seu pai, humilde, costumava ir buscar o dinheiro da cana, para pagar a educação de seus filhos, e tirava o chapéu para os Omena, poderosos e perigosos.
Renan sonhava ser um big shot, a qualquer preço. Vendeu a alma, como o Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca.
Quando você e o então deputado Geraldo Bulhões, colegas de bancada de Fernando Collor, aproximaram-se dele e se aliaram, começou a ser Parido o novo Renan.
Há quem diga que você é um analfabeto de raro polimento, um intuitivo. Que nunca leu nenhum autor de economia, sociologia ou direito.
Os seus colegas de Universidade diziam isso. Longe de ser um demérito, essa sua espessa ignorância literária faz sobressair, ainda mais, o seu talento
De vencedor.
Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici, que forneceu a você o combustível do ódio à pobreza e o ser pobre. E Renan Calheiros decidiu que, se a sua política não serviria ao povo em nada, a ele próprio serviria em tudo. Haveria de ser recebido em Palacios, em mansões de milionários, em Congressos estrangeiros, como um príncipe, e quando chegasse a esse ponto,
todos os seus traumas banhados no rio Mundaú, seriam rebatizados em Fausto e opulência; "Lá terei a mulher que quero, na cama que escolherei. Serei amigo
do Rei."
Machado de Assis, por ingênuo, disse na boca de um dos seus personagens: "A alma terá, como a terra, uma túnica incorruptível." Mais adiante, porém, diante da inexorabilidade do destino do desonesto, ele advertia: "Suje-se,
gordo! Quer sujar-se? Suje-se, gordo!"
Renan Calheiros, em 1986, foi eleito deputado federal pela segunda vez. Nesse mandato, nascia o Renan globalizado, gerente de resultados, ambição à larga, enterrando, pouco a pouco, todos os escrúpulos da consciência. No seu caso, nada sobrou do naufrágio das ilusões de moço!
Nem a vergonha na cara. O usineiro João Lyra patrocinou essa sua campanha com US1.000.000. O dinheiro era entregue, em parcelas, ao seu motorista Milton, enquanto você esperava, bebericando, no antigo Hotel Luxor, av. Assis Chateaubriand, hoje Tribunal do Trabalho.
E fez uma campanha rica e impressionante, porque entre seus eleitores havia pobres universitários comunistas e usineiros deslumbrados, a segui-lo nas estradas poeirentas das Alagoas, extasiados com a sua intrepidez em ganhar a qualquer preço. O destemor do alpinista, que ou chega ao topo da montanha -
e é tudo seu, montanha e glória - ou morre. Ou como o jogador de pôquer, que blefa e não treme, que blefa rindo, e cujos olhos indecifráveis Intimidam o adversário. E joga tudo. E vence. No blefe.
Você, Renan não tem alma, só apetites, dizem. E quem, na política
brasileira, a tem? Quem, neste Planalto, centro das grandes picaretagens nacionais, atende no seu comportamento a razões e objetivos de interesse público? ACM, que, na iminência de ser cassado, escorregou pela porta da renúncia e foi reeleito como o grande coronel de uma Bahia paradoxal, que exibe talentos com a mesma sem-cerimônia com que cultiva corruptos? José
Sarney, que tomou carona com Carlos Lacerda, com Juscelino, e, agora, depois de ter apanhado uma tunda de você, virou seu pai-velho, passando-lhe a alquimia de 50 anos de malandragem?
Quem tem autoridade moral para lhe cobrar coerência de princípios? O presidente Lula, que deu o golpe do operário, no dizer de Brizola, e hoje ospeda no seu Ministério um office boy do próprio Brizola?
Que taxou os aposentados, que não o eram, nem no Governo de Collor, e dobrou o Supremo Tribunal Federal?
No velho dizer dos canalhas, todos fazem isso, mentem, roubam, traem. Assim, senador, você é apenas o mais esperto de todos, que, mesmo com fatos gritantes de improbidade, de desvio de conduta pública e privada, tem a quase unanimidade deste Senado de Quasímodos morais para blinda-lo.
E um moço de aparência simplória, com um nome de pé de serra - Siba - é o camareiro de seu salvo-conduto para a impunidade, e fará de tudo para que a sua bandeira - absolver Renan no Conselho de Ética - consagre a sua carreira.
Não sei se este Siba é prefixo de sibarita, mas, como seu advogado in pectore, vida de rico ele terá garantida. Cabra bom de tarefa, olhem o jeito sestroso com que ele defende o chefe... É mais realista que o Rei. E do outro lado, o xerife da ditadura militar, que, desde logo, previne: quero absolver Renan.
Que Corregedor!... Que Senado!...Vou reproduzir aqui o que você declarou possuir de bens em 2002 ao TRE. Confira, tem a sua assinatura:
1) Casa em Brasília, Lago Sul, R$ 800 mil,
2) Apartamento no edifício Tartana, Ponta Verde, R$ 700 mil,
3) Apartamento no Flat Alvorada, DF, de R$ 100 mil,
4) Casa na Barra de S Miguel de R$ 350 mil ..
E SÒ.
Você não declarou nenhuma fazenda, nem uma cabeça de gado!!
Sem levar em conta que seu apartamento no Edifício Tartana vale, na realidade, mais de R$1 milhão, e sua casa na Barra de São Miguel, comprada de um comerciante farmacêutico, vale mais de R$ 2.000.000.Só aí, Renan, você DECLARA POSSUIR UM PATRIMONIO DE CERCA DE R$ 5.000.000.
Se você, em 24 anos de mandato, ganhou BRUTOS, R$ 2 milhoes, como comprou o resto? E as fazendas, e as rádios, tudo em nome de laranjas? Que herança moral você deixa para seus descendentes?.
Você vai entrar na história de Alagoas como um político desonesto, sem escrúpulos e que trai até a família. Tem certeza de que vale a pena? Uma vez, há poucos anos, perguntei a você como estava o maior latifundiário de Murici. E você respondeu: "Não tenho uma só tarefa de terra. A vocação de agricultor da família é o Olavinho." É verdade, especialmente no verde das mesas de pôquer!
O Brasil inteiro, em sua maioria, pede a sua cassação. Dificilmente você será condenado. Em Brasília, são quase todos cúmplices.
Mas olhe no rosto das pessoas na rua, leia direito o que elas pensam, sinta o desprezo que os alagoanos de bem sentem por você e seu comportamento desonesto e mentiroso. Hoje perguntado, o povo fecharia o Congresso. Por causa de gente como você!
Por favor, divulguem pro Brasil inteiro pra ver se o congresso cria vergonha na cara. Os alagoanos agradecem. 
Thereza Collor

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De novo: se não proceder, vale pelo conteúdo.