28/02/2013

Lula, mais para Lincoln do que para Deus.

Segundo ele próprio. 

Pelo que os Maias previam o mundo iria se acabar em 21 de dezembro de 2012. Previram com exatidão mesmo antes do calendário gregoriano existir. Cataclismas nunca vistos na história, praticamente dizimariam a vida na terra, Erupções vulcânicas, tsunamis gigantescos, terremotos em escala jamais observados, varreriam quase tudo o que se conhecia. Poucos sobreviveriam e as vidas remanescentes, os privilegiados por alguma razão, fariam da terra um mundo novo. Não sei bem o que quiseram dizer com isso.

Me perguntava à época, considerando a possibilidade dessa previsão se tornar real, por mais absurda que ela parecia, quem e quantos sobreviveriam e o que esses levariam da memória para novos tempos? O velho mundo, o novo mundo e o novíssimo mundo estariam nos mesmos lugares de hoje na configuração? O lindo planeta azul e branco continuaria sendo assim para quem os visse dos céus? E a diversidade de línguas de hoje? Culturas, conhecimentos, valores, religiões, a fé, o que aconteceria com tudo isso? Um sem fim de perguntas ficaram sem respostas porque nada disso aconteceu.Talvez porque os cálculos da civilização Maia não consideraram uma coisa bastante simples: o tempo não existe além da necessidade humana de medir tudo. 

Mas, brincando com as ideias, imaginei uma situação singular. A memória permanecendo mesmo após o cataclisma. 

Se encontrariam numa ilha distante em meio a um imenso oceano, provavelmente agora com águas do que foram um dia do Atlântico e do Pacífico, os nossos queridos, Lula e FHC. Ambos maltrapilhos, sujos, com sede, fome e barba por fazer. Irreconhecíveis aos seguidores.
Junto a eles um punhado de sobreviventes, atônitos, descalços, perdidos, perguntando-se o que havia acontecido naquelas últimas horas.
Juntaram-se em torno de uma fogueira, pois estranhamente, quando a noite chegara, o intenso calor foi substituído por um frio de arrepiar os cabelos. Neve caia sobre as larvas vulcânicas ainda ativas, deixando o cenário num contraste do avermelhado ao branco, com um leve azulado da noite de lua cheia.
Calados e friolentos aqueciam-se próximos uns dos outros, rodeando a fogueira que lançava pequenas chamas hipnotizadoras. Horas se passaram e os únicos sons que se ouviam vinham dos ventos noroeste que cortavam os morros e das ondas baixas que quebravam nas areias escuras da praia.
Do nada, depois de algum tempo de consternação, ouviu-se uma voz rouca vinda de um deles: 

"Companheiros, eu estava lendo o livro do Lincoln. E fiquei impressionado como a imprensa batia nele em 1860, igualzinho bate em mim, e o coitado não tinha computador. Sabe o que ele fazia para saber de notícias? Ia para o telégrafo, ficava numa sala esperando. Nós aqui podemos xingar um ao outro em tempo real. Quantos aqui já estão no telefone, (dizendo que) o Lula está falando demais? Quantos já estão tuitando ai?"
Todos aplaudiram discretamente o comentário sem pé e nem cabeça. Inclusive, FHC. Na minha fábula os Maias acertaram no cálculo, mas erraram e feio nas mudanças.

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