02/02/2013

Como ser um Beagle e não um Vampiro da Saga Crepúsculo

Lucy é uma cadela muito simpática. Ela é da raça Beagle e está com três anos de idade. Sou completamente devotado a esta cadelinha. 
Dizem que os beagles são muito inteligentes e sensivelmente carinhosos e a cada dia me certifico que o que falam sobre eles é a mais pura verdade. De fato Lucy tem um raciocínio rápido, memória excelente e adora nossa companhia. Ela me surpreende a todo momento. Além de tudo tem um caráter mais do que amigável. Lucy é absolutamente encantadora. 
Dizem também que os beagles são muito leais, mas acho que todos os animais são. Eles obedecem aos instintos de forma coerente, bem diferentes dos do gênero humano, que invariavelmente são voltados ao oportunismo.
Não sou do tipo que diz: quanto mais eu conheço os homens mais eu admiro o meu cachorro. Mas em se tratando de cães e, em especial da Lucy, às vezes me inclino ao devaneio.
Não seria justo pensar assim, pois boa parte das pessoas, a maioria na verdade, daqueles que eu conheço pelo menos, é composta de almas totalmente beagle. 
Os beagles e os homens de bem são a mesma coisa. Os corruptos e os soberbos lembram mais os insetos peçonhentos, os adeptos da imundice e esses não serão beagles nunca. Nem daqui a quatro encarnações. Deles devemos manter boa distância, mas sem perde-los de vista, claro. 
A Lucy é uma beagle, os bombeiros são beagles, os doadores de órgãos são bleagles, os elefantes, as borboletas, os leões, as calopsitas, os cágados, assim como todos os animais do planeta são beagles. Os dinossauros eram beagles na excelência até que alguma coisa não beagle vinda dos céus os exterminaram.
Ghandi, Madre Tereza de Calcutá, Carlos Drummont de Andrade, Maria Madalena, meu pai, todos esses foram beagles. Os voluntários anônimos no episódio recente de Santa Maria e uma infinidade de tantos outros humanos de bem são beagles da melhor espécie também. Bilhões de pessoas na verdade são beagles e elas nem sabem que são. Isso que é o legal.
Alguns seres humanos nasceram com esse dote, mas, com o tempo, renderam-se ao não-beaguismo. Não sei exatamente o por quê disso, mas deixaram de ser muito sinistramente e transformaram-se em abóboras, daquelas nascidas em noites de lua cheia ou em vampiros do tipo Saga Crepúsculo. Gostaria de citar alguns nomes dos não beagles aqui como exemplo, mas deixarei essa relação de lado. Alguém poderia se ofender. (Tá, tá bom… só um então e que não nos ouçam: Renan Calheiros e todos que o apoiaram na saga crepuscular da Presidência do Senado Federal nesta última sexta feira). 
Me pergunto às vezes se eu sou um bleagle. Acho que devo ser, porém não de linhagem refinada. Tanto que me criticam que confesso ter dúvidas às vezes sobre minha identidade. Me questiono de vez em quando da legitimidade beagleniana italiana da qual tenho origem. O mundo me deixa cada vez mais perplexo. Então afirmo que puro-puro mesmo somente um ou uma do tipo Lucy que é uma verdadeiramente, beagle. 
O que preciso mesmo é aprender com ela, como ser um animal irracional, pois os da coluna racionais me assustam. Eles não sabem nem lamber os beiços depois que comem, só fazem engordar suas panças flatulentas para atacar depois os indefesos beagles pelo mundo e isso não é justo. Concorda comigo, Lucy?

Postar um comentário