31/12/2012

Feliz Ano Novo

As flores aceitam felizes a água da chuva da mesma forma como recebem a luz do sol
A mudança de ano é uma etapa no calendário, nada mais que isso. Para o universo não significa nada a ordem que damos ao tempo. Esta foi a forma mais segura encontrada para organizarmos nossa história no planeta e também estabelecermos as regras para o futuro. 
Assim compreendo, de forma fria e aparentemente sem graça alguma. O tempo como conhecemos só existe nas lembranças dos homens e das mulheres da terra, ele reserva também aspirações futuras, geralmente positivas. As outras formas de vida daqui não acompanham a mesma cronologia, elas se deixam levar pelo tempo natural.
Para a criação do calendário observou-se o giro constante que o planeta faz em torno de seu próprio eixo, definindo em dias quando uma de suas faces está voltada para o astro que o magnetiza, o Sol. Posteriormente os dias foram divididos em horas e depois, mais precisamente, em minutos e segundos, uma vez que o planeta também foi faccionado em meridianos setentrionais. 
Considerou-se o percurso que o planeta faz em torno do Sol, contornando-o numa órbita elíptica, estabelecendo em 365 dias e seis horas cada ciclo de voltas ao seu redor, completando-se assim o ano na terra. As estrelas do firmamento e os planetas alinhados ao grupo estelar, também magnetizados pela estrela de quinta grandeza, serviram de referência para o cálculo. A esse conjunto de astros foi dado o nome de Constelação.
Nessa constelação, pela ordem o primeiro dos nove planetas é Mercúrio. Depois vêm Vênus, Terra, Marte, Saturno, Júpiter, Urano, Netuno e Plutão.
Quase todos têm dias e noites com durações maiores ou menores, com exceção de Mercúrio. O pequeno planeta avermelhado visto no céu tem um dos lados sempre voltado ao Sol e por consequência o outro para a escuridão do infinito. Assim como a Lua, o satélite natural da Terra que mantém uma das faces oculta de nós.
Percebeu-se também que a constelação onde a Terra se situava era somente uma minúscula aglomeração entre tantas bilhões de constelações que compunham a massa cósmica brilhante e logo a chamaram de de Via Láctea a que seria a nossa galáxia e ela constatada como apenas uma entre as infinitas dispostas pelo universo sem fim.
Mas a criação do calendário tal qual a que se chegou foi necessária para a convivência entre os humanos e não humanos e para as vidas de qualquer forma de expressão. 
Ainda não conhecemos outras maneiras de consagrar o tempo e nem mesmo temos a certeza de que é necessária esta consagração, esperava-se uma ordem serena. Precisamos dele para darmos noção do antes, do agora e do depois. Devemos mante-lo, ao menos até descobrirmos um outro jeito mais adequado ao conjunto. Mante-lo sem perdermos a consciência de que somos realmente importantes para o tudo. Todos, sem exceção, organizados e não travados por ele, de forma comum, considerando com afeto uns aos outros.
Diante da grandeza do universo o calendário da terra não é nada. Ele serve apenas para trivial. Ele não traduz o eterno sem ciclos, não releva o constante e o mutante do mesmo agora, não pondera a existência pela simples existência. Pensar na eternidade considerando datas pode-se crer num fim.
A folhinha que ganhei não tem alma, é fria demais. Parece mais com uma planilha de excel cuja fórmula diz exaustivamente: Feliz Ano Novo.
Aos amigos, aos não amigos e a mim mesmo, prefiro desejar que sejamos todos felizes, muito felizes, seja lá onde estivermos, todo o tempo, felizes.

24/12/2012

Festejarmo-nos nós

Conjugue da forma como quiser, mas conjugue. Conjugue e pratique. Não faz mal se será somente num único dia do ano, todo mundo fala a mesma coisa. Compreendemos que este poderá ser o primeiro dos novos dias. O mundo acabou na sexta feira passada, embora tenham dito que não e nós sobrevivemos.  
Se você festejou nos anos anteriores e acha que não deu certo, não tem problema, isso acontece às vezes. Tente de novo. É possível que tenha festejado de forma inadequada, só da boca pra fora. Preste atenção no coração e faça com que ele provoque o seu cérebro. Lembrando que ele é dotado de emoção, ele pulsa, bomba sangue às veias e nelas correm a vida. O coração compartilha o equilíbrio meio a meio com o cérebro, o dono da razão. Quem nos fez caprichou na fórmula.
Deixo abaixo as formas de conjugações caçadas na internet (conjugação.com.br), escolha uma e divirta-se. Pessoalmente gostei do Infinitivo Pessoal


Verbo festejar

Indicativo do verbo festejar

Presente do Indicativo

eu festejo
tu festejas
ele festeja
nós festejamos
vós festejais
eles festejam

Pretérito Perfeito do Indicativo

eu festejei
tu festejaste
ele festejou
nós festejamos
vós festejastes
eles festejaram

Pretérito Imperfeito do Indicativo

eu festejava
tu festejavas
ele festejava
nós festejávamos
vós festejáveis
eles festejavam

Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo

eu festejara
tu festejaras
ele festejara
nós festejáramos
vós festejáreis
eles festejaram

Futuro do Presente do Indicativo

eu festejarei
tu festejarás
ele festejará
nós festejaremos
vós festejareis
eles festejarão

Futuro do Pretérito do Indicativo

eu festejaria
tu festejarias
ele festejaria
nós festejaríamos
vós festejaríeis
eles festejariam

Mais-que-perfeito Composto do Indicativo

eu tinha festejado
tu tinhas festejado
ele tinha festejado
nós tínhamos festejado
vós tínheis festejado
eles tinham festejado

Gerúndio do verbo festejar

festejando

Subjuntivo do verbo festejar

Presente do Subjuntivo

que eu festeje
que tu festejes
que ele festeje
que nós festejemos
que vós festejeis
que eles festejem

Pretérito Imperfeito do  Subjuntivo

se eu festejasse
se tu festejasses
se ele festejasse
se nós festejássemos
se vós festejásseis
se eles festejassem

Futuro do Subjuntivo

quando eu festejar
quando tu festejares
quando ele festejar
quando nós festejarmos
quando vós festejardes
quando eles festejarem

Imperativo do verbo festejar

Imperativo Afirmativo

--
festeja tu
festeje ele
festejemos nós
festejai vós
festejem eles

Imperativo Negativo

--
não festejes tu
não festeje ele
não festejemos nós
não festejeis vós
não festejem eles

Infinitivo do verbo festejar

Infinitivo Pessoal

por festejar eu
por festejares tu
por festejar ele
por festejarmos nós
por festejardes vós
por festejarem eles

Infinitivo Impessoal

festejar

Particípio Passado do verbo festejar

festejado

Conjugação Pronominal do Verbo Festejar

Indicativo do verbo festejar (pronominal)
Presente do Indicativo

eu festejo-o
tu festeja-lo
ele festeja-o
nós festejamo-lo
vós festejai-lo
eles festejam-no

Pretérito Perfeito do Indicativo

eu festejei-o
tu festejaste-o
ele festejou-o
nós festejamo-lo
vós festejaste-lo
eles festejaram-no

Pretérito Imperfeito do Indicativo

eu festejava-o
tu festejava-lo
ele festejava-o
nós festejávamo-lo
vós festejávei-lo
eles festejavam-no

Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo

eu festejara-o
tu festejara-lo
ele festejara-o
nós festejáramo-lo
vós festejárei-lo
eles festejaram-no

Futuro do Presente do Indicativo

eu festejá-lo-ei
tu festejá-lo-ás
ele festejá-lo-á
nós festejá-lo-emos
vós festejá-lo-eis
eles festejá-lo-ão

Futuro do Pretérito do Indicativo

eu festejá-lo-ia
tu festejá-lo-ias
ele festejá-lo-ia
nós festejá-lo-íamos
vós festejá-lo-íeis
eles festejá-lo-iam

Mais-que-perfeito Composto do Indicativo

eu tinha-o festejado
tu tinha-lo festejado
ele tinha-o festejado
nós tínhamo-lo festejado
vós tínhei-lo festejado
eles tinham-no festejado
Subjuntivo do verbo festejar (pronominal)
Presente do Subjuntivo

que eu o festeje
que tu o festejes
que ele o festeje
que nós o festejemos
que vós o festejeis
que eles o festejem

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

se eu o festejasse
se tu o festejasses
se ele o festejasse
se nós o festejássemos
se vós o festejásseis
se eles o festejassem

Futuro do Subjuntivo

quando eu o festejar
quando tu o festejares
quando ele o festejar
quando nós o festejarmos
quando vós o festejardes
quando eles o festejarem
Imperativo do verbo festejar (pronominal)
Imperativo Afirmativo

--
festeja-o tu
festeje-o ele
festejemo-lo nós
festejai-o vós
festejem-no eles

Imperativo Negativo

--
não o festejes tu
não o festeje ele
não o festejemos nós
não o festejeis vós
não o festejem eles
Infinitivo do verbo festejar (pronominal)
Infinitivo Pessoal

por o festejar eu
por o festejares tu
por o festejar ele
por o festejarmos nós
por o festejardes vós
por o festejarem eles

Infinitivo Impessoal

festejá-lo
Gerúndio do verbo festejar (pronominal)
festejando-o

Conjugação Pronominal Reflexa do Verbo Festejar

Indicativo do verbo festejar (pronominal reflexa)
Presente do Indicativo

eu festejo-me
tu festejas-te
ele festeja-se
nós festejamo-nos
vós festejais-vos
eles festejam-se

Pretérito Perfeito do Indicativo

eu festejei-me
tu festejaste-te
ele festejou-se
nós festejamo-nos
vós festejastes-vos
eles festejaram-se

Pretérito Imperfeito do Indicativo

eu festejava-me
tu festejavas-te
ele festejava-se
nós festejávamo-nos
vós festejáveis-vos
eles festejavam-se

Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo

eu festejara-me
tu festejaras-te
ele festejara-se
nós festejáramo-nos
vós festejáreis-vos
eles festejaram-se

Futuro do Presente do Indicativo

eu festejar-me-ei
tu festejar-te-ás
ele festejar-se-á
nós festejar-nos-emos
vós festejar-vos-eis
eles festejar-se-ão

Futuro do Pretérito do Indicativo

eu festejar-me-ia
tu festejar-te-ias
ele festejar-se-ia
nós festejar-nos-íamos
vós festejar-vos-íeis
eles festejar-se-iam

Mais-que-perfeito Composto do Indicativo

eu tinha-me festejado
tu tinhas-te festejado
ele tinha-se festejado
nós tínhamo-nos festejado
vós tínhei-vos festejado
eles tinham-se festejado
Subjuntivo do verbo festejar (pronominal reflexa)
Presente do Subjuntivo

que eu me festeje
que tu te festejes
que ele se festeje
que nós nos festejemos
que vós vos festejeis
que eles se festejem

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

se eu me festejasse
se tu te festejasses
se ele se festejasse
se nós nos festejássemos
se vós vos festejásseis
se eles se festejassem

Futuro do Subjuntivo

quando eu me festejar
quando tu te festejares
quando ele se festejar
quando nós nos festejarmos
quando vós vos festejardes
quando eles se festejarem
Imperativo do verbo festejar (pronominal reflexa)
Imperativo Afirmativo

--
festeja-te tu
festeje-se ele
festejemo-nos nós
festejai-vos vós
festejem-se eles

Imperativo Negativo

--
não te festejes tu
não se festeje ele
não nos festejemos nós
não vos festejeis vós
não se festejem eles
Infinitivo do verbo festejar (pronominal reflexa)
Infinitivo Pessoal

festejar-me eu
festejares-te tu
festejar-se ele
festejarmo-nos nós
festejardes-vos vós
festejarem-se eles

Infinitivo Impessoal

festejar-se
Gerúndio do verbo festejar (pronominal reflexa)
festejando-se

22/12/2012

Entopem-nos

Este é o país que vai pra frente uou uou uou uou uou!
De uma gente alegre e tão contente uou uou uou uou uou!


Para todos os gostos.

21/12/2012

Noé, José de Alencar, Nostradamus, Maias e o Palmeiras.

O que eles tem em comum? 
Eu devia ter uns seis ou sete anos no máximo, portanto, estávamos em 1960 ou 61. Me lembro que minha mãe conversava com dona Iracema, uma vizinha gorda que morava na casa ao lado da nossa, mãe do Reinaldo, um moleque metido a besta, da Idelí e da Regina, a filha mais nova e da conversa que tiveram pela cerca de madeira que dividia os dois quintais, isso depois de dias seguidos de chuva intensa. Eu brincava ouvindo elas conversando e entre uma frase e outra, uma me paralisou imediatamente. Me deixou perturbado por um bom tempo:
__ Iracema, dessa vez o mundo vai acabar em fogo já que da última vez foi em água. Minha mãe argumentou de forma veemente diante do atraso da lavagem das roupas que a chuva ocasionou. Parece que dona Iracema iniciou a conversa reclamando alguma coisa assim.  Aquilo caiu como uma bomba na minha cabeça. Como assim, o mundo acabou um dia?
Dias depois quando folheava um livro cheio de ilustrações misturadas aos escritos bíblicos, soube da história de Noé e de sua arca.
Imagem Google
Noé, um velho pastor que cuidava do rebanho com bondade de santo e um homem dado às coisas do céu como ninguém em sua época. Ele ouvia vozes estranhas chamando por ele a todo momento: Noé! Noé! 
Assustado olhava para um lado e para o outro e nada via além dos filhos, noras e esposa entretidos no trabalho.
Certa vez Deus o chamou pedindo para que construísse um enorme barco, ali mesmo onde moravam, distante de lagos e do mar. Foi motivo de chacota do povo. No livro o barco era chamado de arca. Eu não tinha ouvido falar em arcas até então. A palavra foi nova e soou bonito aos meus ouvidos.
Noé deveria abrigar sua família nela e também pares de animais de todas as espécies, machos e fêmeas, pois o dilúvio viria a destruir tudo e ninguém sobreviveria aos quarenta dias de chuvas fortes que se seguiriam. Dilúvio foi outra palavra nova que me agradou.
Associei a história com o que tinha ouvido dias atrás e concluí que minha mãe e dona Iracema poderiam estar cobertas de razão. Comecei a me preocupar com o fim do mundo aos seis pra sete anos de idade.
Mas também queria saber o que significava exatamente "o mundo acabar". Difícil para a compreensão de um menino. Depois, quis entender por que ele se acabaria "em fogo" e não novamente "em água". Existiria alguma razão para isso, uma sequência a ser cumprida? Me perguntava.
Outra coisa que me deixou perplexo foi: se o mundo acabou um dia como ele nasceu de novo? A resposta meio que compreendi lendo a história de Noé até o final.
O que permaneceu em mim por anos foi a tentativa de compreender a razão pela qual Deus matou pessoas e animais que não puderam embarcar na Arca. Por que faria isso com tanta gente, a não ser que elas, com exceção dos escolhidos fossem todas do mal, pessoas e animais muito do mal. Mas o que seria para Ele ser do bem, então? Obedecer a mãe e o pai garantiriam acesso a uma nova arca?
O pior de tudo foi quando dona Iracema concordou enfatizando como uma filósofa:
__ É Angelina, acho que você tem razão, do jeito que andam as coisas, não tem jeito mesmo, o mundo precisa acabar para começar tudo de novo. E será por fogo e não por água. De novo? Como assim? E eu que não fiz nada pra morrer tão cedo?
O remorso e o medo de Deus chegaram instantaneamente, quase que ao mesmo tempo do que havia pensado de pronto: Dona Iracema, vai tomar no cu! Só porque é uma velha gorda que tem bigode quer que o mundo acabe? Pedi desculpas, mas acho que somente eu ouvi as minhas desculpas. Não sei se Deus as ouviu. Me lembro ter olhado para o céu.
Iracema - Imagem Google
Anos depois me lembrei do fim mundo que até então, obviamente não tinha acontecido. Isso se deu quando lia o romance de José de Alencar, que nada sugeria sobre o assunto, mas cujo título me remetia às lembranças de infância - Iracema. História de uma índia linda, filha do pajé Araquém da tribo dos Tabajaras que se apaixonara pelo estrangeiro Martin, apesar da flechada que lhe dera quando o viu caminhando pelas matas no primeiro encontro.
O amor entre eles explodiu como fogo de final de mundo, mas fatalmente proibido por ser ela a virgem de Tupã. O livro, como tantos outros eram de leitura obrigatória no colegial.
Essa Iracema, no entanto, era diferente da primeira, ela me foi mais atraente e melhor, não pedia para o mundo se acabar, queria mesmo é se acabar nos braços do estrangeiro pelas matas atlânticas do Alencar.
Imagem Wikipedia
Nostradamus da Renascença, fez renascer em mim a preocupação quanto ao final dos tempos. Isso foi em 1977. O apocalipse da bíblia nunca me convencera, embora o tivesse lido por várias vezes. Mas as profecias de Nostradamus, essas sim me incomodaram. Ainda mais quando os estudiosos interpretaram as quadras contidas no livro dando como realizadas dois terços das proféticas alucinações.
Pô, esses caras não têm mais o que fazer na vida do que voar na maionese? Que ânsia é essa pelo final do mundo? Entre tantas guerras, catástrofes, maselas de toda natureza, três nomes ficaram em destaque. Três anticristos que provocariam muito sofrimento à raça humana e de boa parte da vida na face da terra: um nasceria próximo às terras de França, um imperador alucinado seria o terceiro na ordem de importância, ele aniquilaria milhões de seres por todo o canto. Deduziu-se posteriormente que este seria Napoleão Bonaparte, que segundo cálculos de especialistas dizimou sete milhões de pessoas nas invasões por ele comandadas.
Adolph Hitler, por Nostradamus citado como Hister, talvez por interferência de comunicação extra sensorial, seria o segundo anticristo. Seus exércitos dominariam a grande prostituta, assim Nostradamus descreveu o mapa da Europa, provocando guerra pelo resto do mundo, culminando com o lançamento de bombas atômicas em duas cidades japonesas. Milhões de pessoas foram mortas e outros tanto milhões padeceram pela sua tirania.
E num primeiro posto, que seria o mal derradeiro, o que seria admirado, idolatrado no início, mas que no final se revelaria a própria face do demônio, ele o chamou de Gog. O  sofrimento promovido por Gog seria a guerra final, o Bem contra o Mal. Dela a cada três homens dois morreriam. Esse ainda está por vir.
Tremi na base, pois talvez eu nem veria a passagem do milênio e menos ainda o 2001, para conferir se teríamos mesmo viagens espaciais em naves com computadores rebeldes como do filme de Stanley Kubrick. Teria eu que me contentar com a Laranja Mecânica do brilhante diretor.
Nada de novo no front. O mundo não acabou para quem continua vivo nele.
Imagem Google
De uns cinco anos para cá divulga-se um novo fim de mundo. Agora capricharam no projeto, buscaram um muito grande, um bem cinematográfico. Daquele que colocaria os finais de mundo anteriores no lixo, fazendo com que parecessem contos de princesas em castelos encantados com bruxas malvadas que se dão mal no final.
Dessa vez o fim viria em definitivo, total, arrasador, não deixando pedra sobre pedra. E o mal viria do espaço com raios solares em terabites magnânimos, fazendo o serviço no melhor estilo siciliano. E também do interior da terra em super erupções vulcânicas.
Cientistas em 2006 concluíram que o nosso sistema solar se encontrará no final de 2012 num cruzamento com outras duas galáxias, assim alinhando-se ao centro da via Láctea, alguma coisa assim, provocando um aquecimento global visto somente a cada 5.125 anos. Como foi na época da Arca de Noé.
A civilização Maia previu tal situação milhares de anos atrás e a data eles previrams para o dia 21 de dezembro de 2012. Que cálculo espetacular considerando que na época não conheciam o calendário gregoriano utilizado hoje pelos humanos.
O cinema, a TV, a Internet exploram o tema com exaustão. E com a mesma exaustão ficou o meu compartimento de paciência. Cheio ele estaria se tivessem parado nas profecias de Nostradamus ou no bug do milênio. Mas essa agora exauriu de vez. 
Caso não aconteça nada de diferente nesta sexta feira, 21, que não me venham depois com outras histórias pra boi dormir. Vão catar coquinho. Caso acertem, tudo bem, reconhecerei o mérito de onde estivermos e de lá darei os meus parabéns aos matemáticos maias e também me congratularei aos que ganharam dinheiro com a previsão. 
Bem fez José de Alencar que, acredito, nunca se dera a hecatombes. Preferiu produzir romances singelos bem escritos aos voos de maionese de idiotas como eu.
Concluí que viver fora desse mundo mesmo estando nele, deixa o homem livre de crenças e manias de perseguições. De certo aprenderemos com o tempo a conviver com a natureza de forma harmoniosa e pacificamente. Sem religiões, sem governadores, sem territórios, sem generais. Somente nós como somos, admirando as diferenças naturais que Deus fez em nós desde o início dos tempos.
Até lá aproveito para encomendar o mesmo destino que desejei na infância ao que representa as ideias de dona Iracema, a primeira, com todo o respeito e consideração possíveis. Mas agora sem pedidos de desculpas. Vá e fique por lá sem encher o nosso saco.
Todos rumo ao ano 3000 esperando também que o Palmeiras retorne a primeira divisão já com outra diretoria.

15/12/2012

O Xadrez da Felicidade

Raquel deixou Ernesto depois de sete anos de casamento. As constantes discussões se tornaram demais para ela, o ciúme dele chegou a níveis insuportáveis. Para Ernesto a esposa não passava de uma vulgar. 
A separação foi bastante difícil, mas com intervenções de amigos e familiares, encontram-se finalmente no fórum na presença dos advogados, do assistente jurídico e do juiz. Lavrou-se assim o divórcio.
Leitora de romances picantes desde a adolescência, Raquel dedicou-se à leitura deles ainda mais, foi quando conheceu os livros de Enrico Domanni, um escritor italiano que morava em Roma, e por ele, através de sua poesia erótica, Raquel se apaixonou. 
Quis a vida que eles se conhecessem pessoalmente após um ano de contatos por emails e câmeras de computador. Souberam que ambos vinham de casamentos fracassados.
Raquel foi para a Itália e na casa de Enrico, na periferia de Roma, ela se hospedou por um mês. Casaram-se no mês seguinte e mudaram-se para Nápoles onde o escritor nascera fazia 38 anos e nesta cidade ele quis viver com a mulher brasileira. Tiveram dois filhos lindos, Breno e Giovana, ele com os traços acentuados da mãe e ela cópia idêntica do pai. 
A mãe de Raquel faleceu no Brasil vítima de um assalto mal sucedido num caixa eletrônico. Ernesto tornou-se um pastor respeitadíssimo, depois que deixou o vício e o tráfico. Casou-se com Ester e com ela teve quatro filhos sadios. 
Todos são muito felizes hoje em dia. Inclusive o juiz e o assistente jurídico que dividem o mesmo apartamento na avenida Paulista.

14/12/2012

O fim do mundo


Anunciaram o final do mundo para a próxima sexta feira, dia 21. O calendário Maia previu o fim de tudo sem o menor constrangimento. 
Pensei, a que horas seria isso, então? 
O dia 21 começa no Japão quando aqui ainda é meio dia do dia do dia anterior. Zero hora do dia 21 pra nós seria meio dia do dia 22 pra eles. Lembram do Tsunami? A rigor noticiamos um dia antes o terrível episódio. Sempre achei curiosa essa nossa condição do ocidentais. Portanto, pelo nosso horário, sem considerar o acréscimo do verão, o cataclisma será  entre meia noite e meio dia e para eles exatamente ao contrário. Nos estados ao sul do Brasil, pelo horário de Brasília, com uma hora a mais que os do norte, a maior tragédia da humanidade se dará entre uma da manhã e uma da tarde.
Considerando nosso tradicional: espera que já to indo, a bagunça aqui deverá ter início quando a luz do sol começar a despontar pelo horizonte - logo pela manhã e provavelmente com a TV mostrando que o outro lado já era. Muito embora, à noite sentiremos o chão tremendo um pouco. Acho que para alguns isso será muito bom.
Ou será que, surpreendentemente, sairemos na frente? Já na quinta, dia 20, logo depois do almoço, gigantescas placas tectônicas se desprenderão do fundo do Atlântico mandando pelos ares as cidades litorâneas e depois os interiores do País, a floresta amazônica, Brasília, Manaus, a exótica Parintíns e tudo que conhecemos, para se apoiar com estrondos jamais ouvidos nos picos mais altos das cordilheiras dos Andes. Remexendo as águas do Pacífico, provocando o maior tsunami da história, com ondas de sete mil metros de altura arrasando todo o oriente do planeta alcançando novamente o ocidente, alagando tudo.
Erupções vulcânicas que conhecemos serão fichinhas perto das que ocorrerão nesse dia. De nada valerá o título de campeão brasileiro deste ano, conquistado pelo Fluminense e nem os tantos outros conquistados pelos outros terão importância. O bando de loucos que invadiu o Japão dias antes, estarão de volta nas terra-brasilis, comemorando o título do mundial pela Fifa.
Todo o armamento atômico explodirá concomitantemente ao evento natural magnânimo e nem terá tanto destaque assim.
Israelenses, palestinos, árabes e judeus se confundirão, não saberão quem é quem na confusão. As jóias da coroa britânica e a fome pela África se desintegrarão num mar de água e fogo. A mesma coisa por aqui: petistas, psdbistas e os outros istas, desesperados nas mansões, derretendo-se, fundindo-se a elas transformando-se em magmas de dez mil graus centígrados escorrendo por todo canto.
Imaginei nisso tudo uma situação hilária: Lula correndo pelas largas avenidas de Brasília, olhando pra trás vendo a bola de fogo cada vez mais próxima, gritando - Eu não sabia, eu não sabia! 
Enfim, acho que devemos nos preparar e torcer para amanhecermos, todos, no dia 23, ante véspera do Natal.

13/12/2012

O Mané e a Garça


Pô! O cara sai de São Paulo pra encher o saco da pobre garça. A coitada só queria comida nas bancas de peixe e teve que aguentar um chato na cola dela.
Sem ter mais o que fazer o mané ficou ao encalço da pobrezinha que nem um tonto e pior, se divertindo. De troco ela deu o maior baile nele.


Que mala!

11/12/2012

Zé Corvo ama Tequila de montão.

José Manoel Corvo sofreu com a Tequila neste último ano. A vergonha assolou o coração, mas o vício acobertou a razão.
Zé Corvo, como era conhecido e muito querido, nunca foi dado ao álcool, preferia vende-lo com lucro. Da mesma forma fazia com o arroz, o feijão, a manteiga e o macarrão na velha mercearia herdada do pai, Seu Sebastião..
Diariamente das oito da manhã até às oito da noite, via-se Zé Corvo debruçado ao balcão atendendo a clientela com satisfação.
Até constatar com os próprios olhos, olhos que a terra um dia há de come-los, que apesar de ser um marido fiel a mulher o traia pra dedéu. Só depois entendeu porque de uns tempos pra cá os fregueses o chamando de Zé Corvo deixavam escapar um enezinho no meio do nome. Não somente os cachaceiros encostados por lá, mas também as freguesas antigas, aquelas dos tempos  de quando o pai era vivo.
Numa tarde precisou buscar o grifo em sua casa duas quadras abaixo. Não era  hábito largar o balcão pelo dia, mas a emergência do cano estourado assim pedia, aproveitou a loja vazia. Foi e pegou no flagra o Alicate com sua mulher na cama.
Berros e dois tiros se ouviram, por sorte as balas tomaram outro destino, o criado-mudo. Zé Corvo era míope e quando nervoso as lentes entupiam a visão.
Alicate, o negro de dois metros e de 130 quilos espalhados pelo corpo, empregado de dez anos na venda e que naquela hora deveria estar nas entregas e não na cama com a mulher do patrão, saiu correndo com as calças na mão exibindo a ferramenta que a pouco estava em ação. Os curiosos comentaram. As curiosas mais ainda.
Rosemary Corvo de 34 anos, caiu ao chão implorando o perdão. Mas Zé Corvo não deu não.
Falou-se depois que os encontros aconteciam a um tempão e não só com o negrão, outros tantos desfrutaram o mulherão. Zé Corvo nada sabia, a dedicação tomou-lhe o tempo, como faz até hoje, só que agora mais calejado, mantém ao seu lado, Rosemary Corvo, a morena do coração - Tequila como ainda prefere chamá-la. Das oito às oito ele e ela atrás do balcão.

10/12/2012

Hildegard Rosenthal

Admirei esta fotografia. A encontrei na página "São Paulo Antiga" no Facebook. A fotógrafa, Hildegard Rosenthal a fez em 1940 quando documentava a cidade na Avenida São João, num flagrante discreto de pessoas comuns no dia-a-dia, guardando para sempre informações preciosas. Um retrato simples do cotidiano paulistano, numa época em que São Paulo se mostrava uma grande metrópole de primeiro mundo.
Hildegard Rosenthal/Instituto Moreira Salles
Reparem nas sombras escondidas pela rua e na calçada, elas são suaves, alongadas certamente não são sombras de meio dia. São percebidas por conta da chuva leve que molhou o chão, destacando-as sutilmente.  Típica manhã nas Terras da Garoa.
Por serem longas, talvez o horário fosse entre 7 e meia ou 8 e meia . A luz de final de tarde em dia nublado seria mais fraca e não provocaria sombras, nem mesmo as suaves.
Na avenida de paralelepípedos umedecidos, nota-se o bonde elétrico de portas abertas esperando os passageiros. Possivelmente, seguindo para o sentido bairro. Quem sabe vindo do Largo do Paissandu. A inclinação pelo lado direito da fotografia sugere isso. Para quem conhece a avenida São João é boa a possibilidade de estarmos certos.
Supõem-se que os personagens vistos no quadro, dezessete ao total, entre os mais e os menos evidentes, tiveram um dia de trabalho duro, mas sem perderem a pose. Vivem num outono relativamente frio - mês de maio ou junho, talvez. Estão todos ou quase todos protegidos por roupas apropriadas, portanto, não foram pegos de surpresa. Provavelmente enfrentam uma semana chuvosa.
Quase todos são homens, três são as exceções: uma mulher de silhueta elegante está de costas para a câmera em primeiro plano. Ela carrega na mão esquerda um guarda-chuva decorado de dezesseis varetas e na direita, sustenta uma bolsa de mão. Por analogia deduz-se que no seu interior contenham folhas datilografadas e naturalmente importantes para ela. Poderia ser uma advogada, uma professora ou até uma assistente. Como veste-se como uma profissional, não seria uma dona de casa em passeio numa tarde úmida e sem graça.
Ao fundo à direita, atravessando o cruzamento, vemos uma jovem negra, parece isso e ela usa uma capa de chuva clara sobre um vestido estampado. E mais à direita, num plano mais próximo, uma outra mulher, mas apenas a perna dela foi registrada, ela calça um sapato de salto alto de tiras brancas. São as únicas três exceções no gênero.
São cinco os guardas-chuvas em cena. Dos quatorze homens somente um é negro, talvez dois e os sem guardas-chuvas usam chapéus. Pressupõe-se que até os desprotegidos da garoa também usem, mas não podemos ve-los. São chapéis claros, escuros e pretos.
Não há lixo pelo chão, nem na calçada nem na avenida. Tudo parece limpo, organizado. simetricamente disposto em cena.
Parte do anunciado na testeira do bonde era exigência das autoridades. A frase toda dizia: Manter a segurança é dever de todos. Todos caminham em direção ao bonde ou dele desceram saíram. 
O que me prende  numa fotografia é o que está contido nela. O que me toca é a mensagem compactada. Não necessariamente relevante o meio pelo qual ela me veio.
As técnicas pelas quais foram produzidas são importantes, importantíssimas, mas técnica se adquiri tendo algum talendo, quase que uma questão de estudar e praticar. A mensagem não, ela é diferente, tem personalidade própria.
Perceber, compor e guardar é que são elas. Um bom fotógrafo tem isso. Saber isolar um instante dos demais, numa série de tantos outros fatais. Namorar uma fotografia te leva para o tempo dela. A alma percebe, compõe o que vê e soma com outras tantas guardadas e no final, obtendo o resultado, fixa no eterno.
Hildegard Baum Rosenthal (Zurique, Suíça 1913 - São Paulo SP 1990). Fotógrafa. Vive até a adolescência em Frankfurt, Alemanha, onde estuda pedagogia, de 1929 a 1933. Mora em Paris entre 1934 e 1935. De volta a Frankfurt, estuda fotografia com Paul Wolff (1887-1951) - um especialista em câmeras de pequeno formato - e técnicas de laboratório no Instituto Gaedel. Em conseqüência do regime nazista transfere-se para São Paulo, em 1937. Nesse ano, começa a trabalhar como orientadora de laboratório na empresa de materiais e serviços fotográficos Kosmos. Poucos meses depois, é contratada como fotojornalista pela agência Press Information, e realiza reportagens para periódicos nacionais e internacionais. Nesse período, documenta São Paulo, Rio de Janeiro, o interior paulista e cidades do sul do Brasil, além de retratar diversas personalidades da cena cultural paulistana, como o pintor Lazar Segal (1891 - 1957) e o escritor Guilherme de Almeida (1890 - 1969). Interrompe sua atividade profissional em 1948 com o nascimento da primeira filha. Em 1959, após o falecimento do marido, assume a direção da empresa da família. Suas fotos permanecem pouco conhecidas até 1974, quando o historiador da arte Walter Zanini realiza uma retrospectiva de sua obra no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP. No ano seguinte, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo - MIS/SP é inaugurado com a mostra Memória Paulistana, de Hildegard Rosenthal. Em 1996, o Instituto Moreira Salles adquire mais de 3 mil negativos de sua autoria.
Enciclopédia Itaú Cultural