09/12/2012

Passárgada fica depois de Shangri-La.

Vou-me embora pra Passárgada, lá sou amigo do Rei. Lá tenho a mulher que eu quero na cama que escolherei.
Manoel Bandeira
Nasci em 1954 quando o presidente da república era Getúlio Vargas. Depois de uma etapa de quinze anos no poder, conquistado e mantido a bala de 1930 a 1945 foi substituído por um interino, José Linhares, este ficando por lá por três meses, quando um outro general, agora eleito pelo povo, vestiu a mesma faixa com elegância caudilha, era Eurico Gaspar Dutra.

Getúlio em segundo mandato, legítimo dessa vez, não suportando viver no mesmo período histórico que eu, suicidou-se em agosto, oito meses depois do meu nascimento. Teria sido um ato de covardia por parte dele? O vice, Café Filho foi elevado ao posto constitucionalmente e permaneceu nele até novembro de 1955, quando dois interinos subsequentes completaram o mandato, Carlos Luz e Nereu Ramos.

Em 1956 sob forte apelo popular, Juscelino Kubitscheck foi eleito e assim cumpriu a promessa de campanha, construiu uma nova capital bem no centro do país deixando alguns cariocas aturdidos. Neste período meu pai iniciava uma pequena indústria, fabricava com sacrifício  e em pequena escala, sidecars, aquelas barquinhas que ficavam ao lado das lambretas que serviam de transporte de pessoas ou de bagagens, muito em moda no início dos sessenta e viu seus sonhos irem para o espaço, melhor, para a nova capital pela total falta de aço no país, pois o estoque limitado tinha destino certo, o planalto central. A Bossa Nova dava o tom aos modernistas.

Um sujeito que parecia ter vindo de marte, com uma vassoura na mão e com um bigode que lembrava Groucho Marx, o mesmo que mandou o rinoceronte Cacareco para os quintos dos infernos, foi eleito. Jânio Quadros era o seu nome e foi para Brasília cheio de razão e levou a faixa de presidente com pompa de britânico. Mas com ela ficou somente seis meses e vinte e cinco dias - de 31/01/61 a 25/8/61. Forças ocultas fizeram com que ele, prematuramente  evaporasse. O danado renunciou na calada da noite e o país foi pego de surpresa da noite para o dia. (seria mesmo?) Posição que deixou os militares da época loucos para abrirem os quartéis e de orelhas em pé. O vice João Goulart que se profissionalisava  no papel de vice desde os tempos de Juscelino, encontrando-se em viagem diplomática pela China, então avermelhada por Mao Tse Tung, não cheirava bem aos narizes das forças armadas, estas subsidiadas ideologicamente pelo império do norte. 

Ranieri Mazzili, presidente do Congresso, subiu às pressas a rampa e tomou o assento presidencial e nele ficou por treze dias, enquanto os progressistas e conservadores degladiavam-se entre ideais alternativos.

Jango, como era conhecido, foi enfiado goela abaixo aos quem não o queria e sob total desaprovação americana, que também encontrava-se às voltas com os mísseis soviéticos de Nikita, todos de calibres atômicos, bem aos seus pés, instalados na ilha de Fidel, um pequeno país que levava e leva até hoje nome de bebida. Provável brincadeira da Coca-Cola - Cuba Libre que na verdade não  era e não é nada livre. 

Assumiu mas não por muito tempo. Jango foi deposto e obrigado a refugiar-se no Uruguai. O socialista virou fazendeiro de gado. Foi presidente de 07/09/61 a 01/04/64, curiosamente duas datas emblemáticas no Brasil - a primeiro é o dia da independência e o segundo, comemorasse o dia da mentira.

Então eles, os militares, vieram com tudo, em nome da segurança nacional e da defesa da moral e dos bons costumes. Teleguiados por forças ocultas, possivelmente as mesmas que encurtaram a carreira do varredor marciano, o que deu medalha ao Tchê, argentino amigo do cubano, ergueram-se do berço explêndido muito nerosos e chutaram o pau da barraca em pura campanha. Os países vizinhos, coincidentemente, embarcaram no mesmo batismo de sangue.
Bora! Comunista aqui não tem vez. Mando prender e mando matar! 

General substituindo general no posto central, de abril de 1964 a março de 1985. Vinte e um anos em forma, nos colocando em forma como pães de forma e ai daquele que não entrasse na linha, pau nele e no dele.

Ranieri, o que antecedeu Jango por treze dias, assumiu o posto em 31 de março, por outros treze até que Castelo Branco, um general carrancudo, no 15 de abril pegou o bastão e com ele permaneceu até março de 1967. Diz a lenda que ele não queria a presidência, recebeu uma ordem e como soldado vou cumpri-la. O tom foi dado ali.
Desta data a março de 1969 quem vestiu a faixa foi Costa e Silva (eu pensava no início que tratava-se de duas pessoas, uma dupla de generais caipiras - não existiam ainda as sertanejas universitárias). O homem gostava tanto de mandar, ele e seus pares que, depois de quatro Atos Institucionais, deflagradores de infortúnios, mandou um quinto de detonar, um tal de AI-5. Daí o pau comeu de vez. A Ilha de Fidel mudou-se para cá sem ele. É o que parecia. A censura encobria a miséria e os miseráveis encobertos pelas porradas.
A farra seguiu até a doença de Costa e Silva que o afastou em definitivo e por três meses de 1969, do final de agosto ao final de outubro, uma Junta Governativa Provisória, formada pelo auto comando do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, assumiu o governo sem que um único ocupante pudesse sentar à cadeira - só havia uma mesmo. E depois da Junta foi escolhido para os próximos quatros anos,  o general Emílio Garrastazu Médici, o cara da Copa de 70 o que convocou Dario Maravilha, o que aplaudia o Ameo-o ou Deixe-o. Foi o todo-poderoso de 30 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974. 
Dizem as más línguas que foi o período mais truculento da didatura. A todo canto escondiam-se os paramiliatres, meticulosamente imbuídos de obscuros anseios perversos, caçando jovens indignados que erguiam metralhadoras, assaltando expropriando como eles se defendiam, dinheiro dos bancos e sequestrando embaixadores em troca de companheiros caídos. Tudo pela vitória e fé na liberdade e igualdade para todos. Muitos deles evaporam, transformando-se em novos Tiradentes. Outros amarguraram anos de exílio em terras distantes e alguns poucos se deram bem anos à frente, muito bem, diga-se de passagem, curtindo ternos e taieres elegantíssimos, encharcando-se de champanhe francês em cerimônias requintadas, empanturrando-se de comida como porcos gulosos as suas barrigas enormes, tal como faziam seus antecessores.
Outro linha dura chegou tomando o trono em Brasília. De março de 1974 a março de 1979, portanto, durante cinco anos vimos e ouvimos um sisudo general falar todo sério no rádio e na tv coisas que não compreendíamos direito, mas pela obediência e servidão, tínhamos que aceitar. O nome dele era Ernesto Geisel. Sujeito grandão, mal encarado como seus amigos e ainda de sobrenome alemão, fatalmente nos remetendo aos generais da Gestapo.
Novos tempos à frente, sinais de abertura democrática no final do túnel. João Figueiredo, um pouco mais jovem, esse general tinha cara de bonzinho, mas revelou-se logo depois mais um tirano. Não usou farda na maior parte do tempo em que esteve no poder. Realmente pelo sinal dos novos tempos o marketing do início dos oitenta exigia um país mais moderno. Seria ele o último da linhagem?
Sim, foi o último. Mas aproveitou no que pôde raspando o fundo da panela bem raspado, mandando prender e mandando soltar, lascando bombas nos primeiros de maio, até cair do cavalo um dia machucando a bunda velha. Os exilados retornaram pois o afrouxamento era inevitável. Anistia era a palavra de ordem. Ampla geral e irrestrita. (para ambos os lados, é claro). A economia globalizada ameaçava bater à porta e bala de canhão não combinava com o novo padrão.

O Congresso restaurado, povoado de direitistas, centristas e esquerdistas recusou o Diretas Já! e um novo presidente que não seria mais um general, foi eleito pelo voto indireto, claramente manipulado pelo mesmo congresso afoito. Um veterano congressista, um mestre articulador, mineiro dos mais arretados foi escolhido para a transição, Tancredo Neves. Um presidente sem nunca ter sido, morreu horas antes da posse, isso em 25 de março de 1985.

Seu vice era nada mais nada menos que José Sarney, José Ribamar, poeta nas horas vagas, membro da Academia Brasileira de Letras, o mesmo chefão que manda muito até hoje. Ele tomou posse instaurando a República Nova, se contra ponto às Velha e Nova Repúblicas e a ditadura militar agora recolhida aos quartéis. Assumiu com juras de promessas mil, iria lutar contra a inflação de quase três dígitos e que acabaria com a corrupção, a doença cancerígena que nos assola desde os tempos da colonização.

Brasileiras e brasileiros com o Cruzado e depois o Cruzado Novo, em mãos, passaram a ser os Fiscais do Sarney. Planos e mais planos se sucederam sem surtir efeito algum. Greves se espalharam pelo país, afinal, na condição de livres, elas eram permitidas. Fomos fiscais somente contra a inflação. Meia duzia de gerentes de super mercados foram presos, um ou outro comerciante foi exposto na tv taxados por dias como inimigos públicos. 

O foco do seu governo, habilmente manipulado, escondeu mais uma vez o verdadeiro mal, a origem de tudo, a velha corrupção.
Novos líderes foram surgindo na explosão de greves. Barbudos cachaceiros, semi analfabetos e intelectuais, mais operários, metalúrgicos, bancários e bancárias. Algumas centrais sindicais únicas, saíram da clandestinidade. O Brasil estava mudando. Arena e MDB, toscos partidos políticos remanescentes dos derradeiros anos de chumbo, ficaram para trás. Inúmeras novas siglas nasceram a partir da reforma partidária. Foi um toma-lá dá-cá geral, uma bagunça ideológica que confundiu meio mundo. 

Uma nova constituição foi promulgada por políticos auto intitulados constituintes e Ulisses Guimarães, o veterano guardião, berrou com a voz do coração, embargada de tanta emoção no centro do Congresso Nacional em 1988.

Nessa época, lá pelos lados de Alagoas despontava um novo nome, um nome de caráter nacional, um caçador de Marajás, vendendo integridade e competência indubitáveis. Fabricado, malequisado, pasteurizado como um homem de bem, assim o ilustre poderia concorrer pelas presidenciais, que finalmente seriam diretas. O ano era 1989. 
Um sindicalista sem estudo, barbudo, dado a falar demais, que chegado de Pernambuco ainda criança, num pau-de-arara, vinha dando trabalho aos banqueiros e empresários. Seria visto ele como um Robin Wood do final do século vinte? Sim, foi visto assim, um perigoso para a nova democracia, tanto por um lado como pelo outro. Dos dois lados da mesa viam-se os preocupados.

Dai foi necessária a criação de uma nova figura, de um revolucionário do bem. Um jovem de quarenta anos, de corpo atlético, vendendo saúde, bem estudado, nascido no Rio de Janeiro e radicado em Alagoas e de trato fino.  

Olhar altivo, sempre para o horizonte, rico empresário das comunicações, dono de jornais, emissoras de rádio e tv. Este cativara a inocência humilde do povo do estado, não menos miseravelmente corrupto que os demais do país, tornando-se, portanto, o seu governador.
E assim foi, elegemos por voto direto, depois de longos anos de abstinência compulsória, Fernando Collor de Melo, para cumprir um mandato que seria de março de 1990 a  dezembro de 1993, numa disputa eleitoral não vista a muito tempo. Seu opositor, a figura, pra muitos, donquixoteana, de Luiz Ignacio da Silva, ou simplesmente Lula, que já se profissionalizara como um político de carteirinha.

A pressão conservadora foi tanta que teve até sequestro de magnata do ramo de supermercados, onde o sequestrador, depois de preso, no dia do pleito, foi apresentado à imprensa vestindo uma camiseta com apoio à candidatura Lula. Tudo valia para garantir que Collor fosse o eleito. Somos demais conservadores nessas ocasiões, nos rendemos às coisas da política só ouvindo o coração.
De cara ele bloqueou as contas bancárias do povo com promessas de devoluções, corrigidas e em parcelas a perder de vista. Tinha um único tiro para acertar o tigre da inflação e o povo brasileiro precisaria ajuda-lo nessa caçada. Promoveu a abertura na economia e carros importados e mais um monte de quinquilharias chinesas chegaram por aqui. Ir ao Paraguai, em Cidad Del Este ou a zona franca de Manaus deixaram de ser tão atrativas a partir de então.
Mas tamanha a desordem no esconde-esconde de corrupções e luxurias que o barco afundou. Trazendo à tona, contradições e divergências com seu irmão, que tinha mais cara de maluco que ele, talvez até pela cunhada que virou namoradinha do Brasil. O jardim da Dinda se escancarou e Collor errou, não soube fazer o jogo do sistema como souberam os antigos portadores da faixa e até aqueles que o colocaram na posição suprema do executivo o derrubaram. Foi caçado pelo tigre que não havia sido morto por ele e pela Zelia que depois foi esposa de Chico. Mesmo tendo pedindo renúncia na última hora, isso em 29 de dezembro de 1992. Seu homem de confiança, o caixeiro viajante, PC Farias foi encontrado morto na cama com a amante, anos depois, numa cena dantesca típica de filmes de gangsters mafiosos.
Itamar Franco, o vice, apressou-se na apresentação de sua declaração de rendas e posses Um surto de honestidade invadiu o mundo político provocando comoção e com apoio total da imprensa e de toda nação. Durou pouco o ufanismo, mas marcou passagem na história.
Tomou posse no mesmo dia e ficou como presidente até 01 de janeiro de 1995. O seu topete também marcou história.
O cruzado virou real num plano inteligente, o qual os economistas  da oposição criticaram e o repudiaram. Plano alinhado ao movimento da economia mundial que se globalizava a toque de caixa. O fusca do Itamar foi ressussitado  sob aplausos.
Seu governo serviu de plataforma para a candidatura à presidência da república pelo sociólogo, Fernando Henrique Cardoso, ativista, político profissional, intelectual da corrente liberalista,  disputando com Lula a campanha de 1995. 
FHC eleito, tomou posse num primeiro mandato que durou quatro anos e mais quatro numa reeleição onde a revisão constitucional permitiu reeleições,  por mais um período, a contra gosto da oposição que sabia que ele seria imbatível num novo pleito.
A economia global exigia menos interferência do estado, portanto, privatizações inimagináveis aconteceram aos cântaros. Sabe-se que muita gente ganhou fortunas com elas, aliás, como ganham até hoje.
O segundo mandato em pleito absolutamente legítimo, iniciou-se em janeiro de 1999. A popularidade dele no segundo tempo foi caindo. Escândalos, ou foram acobertados ou não existiram. (duvidosa essa segunda hipótese), pelo menos em relação direta ao presidente não se falou muito. Não a mesma coisa com o pessoal do seu partido. Uma lambança esses caras fizeram.
O PSDB se tornou gigante e aliou-se a outros distantes nos princípios ideológicos, tudo pela governabilidade. E esses, misturando-se num único todo, no maior balaio de gato da história favorecendo a corrupção que somada a farta distribuição de ministérios, secretarias, presidências de estatais e centenas de outros órgãos, confirmando ser a moeda de troca no troca-troca imbelizado, não importando se o político é de direita, de centro ou de esquerda. Parecido com um ônibus lotado de japoneses descendo ladeira abaixo totalmente sem freios. O vírus abraçou o modelo administrativo protegendo-se cada vez mais com a burocracia crescente e ineficiente envolvendo homens e mulheres inescrupulosos. O ambiente ficou aparentemente estável, mas o cheiro de podre foi sentido do Oiapoque ao Chuí. A carniça nunca teve um corpo, o mal-cheiro vinha de fantasmas. Lembrando um crime onde o corpo da vítima nunca é encontrado.
O povo, estupidamente sábio, decidiu botar um fim nisso. E aquele jovem barbudo e fedorento do final dos setenta, agora mais equilibrado, mais light e bem intencionado, teve sua chance. Chorou e fez o povo chorar ao receber o diplomado de Presidente do Brasil. 
“Para quem sempre me acusou de não ter diplomada, olha aqui o que consegui” Foi emocionante, o tonto aqui chorou copiosamente.
Em janeiro de 2003, marcou-se por um fato histórico da maior importância,  um homem do povo, um pai d'égua foi eleito presidente do Brasil. Deu para arrepiar e sentir uma ponta de orgulho em ser brasileiro. (se fixarmos somente essa parte do contexto) 

FHC, democraticamente, passou a faixa presidencial a Lula. O homem que um dia desceu do pau-de-arara, o homem que perdeu um dos dedos numa prensa quando ainda era um trabalhador, agora subia a rampa do planalto no maior estilo, cheio de orgulho, deixando seus conterrâneos mais orgulhosos ainda, e, melhor, de forma legítima, reconhecida no mundo todo. Subiu ao lado da primeira dama, não menos modesta a tira colo. Ela sorridente e feliz da vida. (Não permitem que ela fale em público, é isso mesmo?) 

Bom seria se fosse assim na prática, alternando poder entre gente comum, intelectuais, empresários, banqueiros ou latifundiários. Menos com militares pisocopatas que gostam de cercar prédios com tanques de guerra e matando pessoas a torto e a direito. 

Mais uma vez a máquina se sobrepôs. O sistema é forte demais e imperativo ao extremo. Envolve a alma do homem sem que ele perceba. 

Ele chegou lá pelo Lula-Lá, corroído e deslumbrado pelo poder. Já não era a mesma pessoa, já não era o Lula bom de briga, faltou cachaça nessa fase. Foi pasteurizado e perdeu o brilho. Cercou-se de pessoas nem todas escrupulosas e o resultado foi tão igual ao do intelectual que o antecedeu. Nada contra, mas se era pra mudar tinha que mudar de verdade, mudar radical, total, não mudança pra inglês ver. Isso fizeram antes e não deu certo. Mas, não mudou. Boa parte da primeira equipe de governo foi substituída logo de cara, descobertos por envolvimentos em falcatruas. Lula nomeou arque-rivais aos postos de primeiro, segundo e terceiros escalões, rendendo-se às artimanhas do sistema, subiu em palanques com históricos inimigos políticos confundindo-se no corpo e no cheiro com eles e pôs-se a viajar pelo mundo feito um novo rico cheio de soberba. Aplaudiu caudilhos latino americanos e se meteu em questões complexas mundiais cuja participação o Brasil nunca antes se envolvera. Claro que um presidente precisa se relacionar com os outros do mundo, claro que é fundamental vender a imagem de país de baixo risco, é óbvio isso. Mas por diversas vezes o marketing partidário falou mais auto. Esse é o verme a que me refiro, o maledeto que enxergo o mesmo sobrevivente do passado. 

Reeleito em 2006 ficou na  presidencia até 2010, cada vez mais distante do que foi um dia, mesmo assim contando com os altíssimos índices de aprovação popular. E elegeu, pode-se dizer, seu substituto. Na verdade, sua substituta. O cara é bom de papo, vende geladeira a esquimó se precisar.

Lula promoveu e o futuro vai contar isso, outro fato histórico da maior relevância. Fez com que o Brasil elegesse a primeira mulher para o cargo de presidente da república, Dilma Rousseff que tinha se destacatado em seu governo como uma ministra austera.

Altamente capacitada, de idoneidade incontestável, ao menos até agora, mas nitidamente presa a ele e aos que os cercam. A podridão de outrora se mantém como um chato no saco da gente. É de se lamentar ou de chorar, não de emoção, mas de tristeza, das profundas. 

Amigos, sem lamúrias, eu, na condição de quase sexagenário, vivi de corpo e alma, a aflição do mesmismo, pelos anos da minha vida e por não ter sangue de barata, assisti vinte e duas gestões diferentes se repetirem nos discursos e nas ações. Vi nascer e morrer um estado militar golpista que grudou na gente por quase duas décadas e meia. Vi generais fardados e a paisana; vi intelectuais, megalômanos construtores de cidades, empresários, operário e guerrilheira fazendo dobradinhas com a faixa; vi um suicida, um marciano, um falecido precocemente; vi latifundiários, alcoólatras e psicopatas ocupando o mando do país. Posando para as fotos presidenciais com cara de paisagem. 

Pago impostos mesmo antes de nascer, por mais que tentei engana-los, eles sempre me pegaram na curva. Pegam a todos nós na verdade. E tem que pegar mesmo, mas o que nos cobram deveriam devolver dobrado em serviços públicos. Serviços de um país mais que estável, em que está em puro desenvolvimento.

O país cresceu? Sim, claro que cresceu. Economicamente, nada mais. Socialmente, zero, nada, nadica da silva. Porra nenhuma, por mais que argumentem os idolopatas desse ou daquele partido.

É intolerante, insuportável ver miseráveis morrendo em portas de hospitais, ver seus filhos submetidos a um ensino público decaído, pois decadente foi um dia. Ver o crime organizado organizado-se cada vez mais, prosperando pela inépcia de políticos preocupados mais com outras prioridades. Não acabam com a corrupção pois dela vem a manutenção do sistema que os mantém.
Sabem de uma coisa, vão todos chupar cana na casa do chapéu. Eu vou mesmo é pra Passárgada, pois lá, todo mundo é amigo do Rei e ele é amigo de todos.
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