16/02/2013

Velas dos 90

O homem vestindo um blaser preto e sem usar bengalas, caminhava numa manhã de primavera pelo parque da cidade. Apesar dos seus 89 anos de idade, para sua aparência, ninguém dava mais que 63. Esguio, ereto, charmoso e muito educado.
Entre as passarelas arborizadas e alamedas suntuosas ele cruzou o olhar com a jovem de olhos azuis e cabelos levemente ondulados, que naquela manhã também se deleitava do oxigênio puro e dos pensamentos soltos.
A moça de 21 anos sorriu para ele, pois sentiu o coração pós adolescente, pulsar instantaneamente e descontroladamente deu a ele sua atenção.
Se conheceram ali e dali nasceu o amor que ele e ela jamais pensaram pudesse existir. Casaram-se dois meses depois, mesmo a contra gosto das famílias e mudaram-se para outra cidade.
Viveram um amor intenso e eterno por nove meses e quatro dias, até a chegada repentina de um último suspiro, exatamente quando ele soprava as velas dos 90 anos.
Ela, vinte e dois dias depois de viuva, suicidou-se. Não suportou a dor da solidão.
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