15/05/2013

Aos cubanos e ao amigo poeta.

Que sejam bem-vindos os cubanos! Se fossem bolivianos, tchecos, americanos ou sirilanqueses também seriam bem-vindos. Há carência de médicos por aqui, além da fome e da segregação por castas, o país caminha firme mantendo-se preso às suas raízes de indolência.
Mas que dá vergonha dá, não dá? Essa coisa de que o temos cerca de 400 mil doutores e que formamos todo ano mais de 10 mil e que somente 30% deles atuam nas regiões norte, nordeste e centro-oeste, regiões nitidamente mais carentes de infra estrutura, a coisa é mais do que lamentável.  É vergonhosa.
Faltam médicos, engenheiros, químicos, quitandeiros, sapateiros e exterminadores do futuro em boa parte do país. Falta de tudo e mais um pouco nesse brasilsão-véio-de-guerra, o da Copa do Mundo de 2014. Só não faltam: vergonha na cara e ladrões. Bandidos temos aos montes, de armas na mão ou engravatados escondidos nos palácios. Por que será? 
Não imagino como recomeçar o Brasil, apagar para passar tudo a limpo, a máquina é tão poderosa, tão nefasta que não deixa margem para qualquer intervenção. Até aqueles que ingenuamente acreditei que pudessem iniciar essa revisão, renderam-se à soberba cometendo os mesmos devaneios.
Por que será? O que tem de tão bom do outro lado do muro que muda as pessoas? Assim fica difícil.
Portanto, que venham os cubanos e outros tantos de onde vierem. Dane-se o Brasil, o seu orgulho e o meu RG.

Li uma frase outro dia no facebook que me tocou, muito mais que as infinitas fotografias chocantes, insistentemente publicadas por lá, aquelas onde as pessoas lançam palavrões cheias de ódios e pudores. O sujeito que a postou, prefiro não citar o nome, um  amigo de origem pernambucana, dado à poesia, foi muito feliz na expressão. Atrás de suas palavras estava a angústia e a indignação pela entrega de mais uma arena da Copa do Mundo, construída provavelmente à custa de muita corrupção, se contrapondo às necessidades mais evidentes do país. Entre tantas, a seca pelo nordeste, por exemplo.
"Em cada assento fofo encarnado da Arena Pernambuco, vou assentar uma carcaça de uma rês que morreu de sede"

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