02/08/2012

Debate

Estou em São Paulo e neste momento confortavelmente acomodado no sofá na sala de casa assistindo TV. O lap no colo e os dedos nervosos pela ansiedade teclam como se tivessem vida própria.

Do site band.com
O que assisto? Debate entre os candidatos à prefeitura da cidade. Vejo o programa por questão profissional e não por opção de lazer, e nem, muito menos, porque o assunto me interessa. Realmente não me interessa. Não me iludo com as promessas e a tentativa de mostrar ao público o quanto eles conhecem os problemas da cidade. São bem orientados. Alguns mais e outros menos calejados.
Incrível como o estilo do programa não mudou ao longo dos anos. Hoje são transmitidos em HD, antes no saudoso e borrado analógico. 
A luz contrastada, o cenário dado ao comportado mesclado a um high tech. O som ambiente que se ouve ao fundo é o do ar condicionado do estúdio. Um painel de leds de alta definição ilustra um grafismo abstrato meio sem sentido e fica cintilando atrás dos candidatos. 
Os candidatos - esses são os artistas do programa. Como são iguais, bem vestidos, maquiados e bem alinhados. Como fazem perguntas uns aos outros e nem se olham para ouvi-las. Você faria uma pergunta para uma pessoa que está a seu lado olhando pra outra que está à sua frente? Não soaria como uma indireta?
Eles dedicam seus manifestos devidamente posicionados para as lentes das câmeras que os focalizam.
O que eles falam é tudo aquilo que gostaríamos que um dia fizessem. Sabemos que não farão. 
O circo é em nome da democracia.  Esta infelizmente se cala.  
É uma mentira. A sensação é que melhor seria assistir um debate entre oito putas. Acho que seria mais digno e meu tempo melhor aproveitado. Sou só um contribuinte em um país que não contribui em nada comigo.

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