30/07/2013

Coisa do Zebedeu

Não digo que eu seja um ateu dos mais convíctos, somente deixei de acreditar num Deus da forma como pensava existir, um que me ensinaram deveria acreditar simplesmente porque deveria acreditar. Era assim que deveria ser. 
Uma entidade despresível, disposta a castigar a quem não o tema. Aos sessenta cansei de ser ameaçado. 

Associo essa devoção a uma forte necessidade de atenção que homens e mulheres vêm ao mundo, uma carência intrínseca à sua natureza, que evolui na medida em que elas se dão conta, inconscientes ou não, de quanto são pequenas diante do universo. A solidão provoca o medo e o medo faz com que buscamos a mão de alguém.

A religião dá conforto ao espírito e penso que é por isso que ela existe. São tantas restrições impostas pela fé que mais parecem regimes de aquartelados.

Contudo, penso que exista vida além da que vivemos aqui. Não sei exatamente de qual forma, qual modelo, mas, de certo, acredito que seja muito diferente da que conhecemos. Sem hierarquias e muito menos punições ameaçadoras.


Semana passada o Brasil recebeu a visita do líder da igreja católica, o papa Francisco. Diferente de seu antecessor, o papa Bento, que é um sujeito de semblante sério, demais fechado, nada simpático como papa, como diziam, um convicto tradicionalista que mesmo assim surpreendeu ao mundo quando deixou o cargo máximo do Vaticano, recolhendo-se numa cidadezinha do interior da Itália.


Francisco, mostrou-se diferente, bem diferente. Generoso e humilde, um intelectual sem nariz empinado. Deu-se ao povo com carinho e respeito, deixando por aqui a melhor impressão possível. Até mesmo àqueles que não fazem parte do catolicismo romano ou de religião alguma, como eu.

Possivelmente a igreja Católica tenha provocado preocupações aos opositores, por motivos óbvios. Num país extremamente carente a festa foi tamanha que a concorrência deve ter ficado de cabelos em pé. Até aí, tudo bem, mantiveram-se discretos. 

O que não vale, o que é incabível foram as grosserias de poucos com piadas de mal gosto sobre o papa e sua religião, através das redes sociais ou até mesmo em público.

Esta última, o exemplo máximo foi a de um grupo radical que se infiltrou na Marcha das Vadias lá em Copacabana. (a marcha valeu, mas o radicalismo não). Mulheres nuas ou semi nuas, mascaradas, ofenderam de forma mesquinha a crença de tantos exatamente num momento de explosão de sua fé. Foi baixo demais, muito além do ridículo, tacanho e rancoroso. 
Promoveram cenas bizarras, patéticas quando, com gestos vulgares, covardes, insultaram símbolos dos mais tradicionalíssimos cristãos. Absolutamente desnecessárias.

Está bem, a liberdade de expressão deve existir e não pode ser repudiada, mas desprezadas, algumas devem ser sim e muito. 


Por isso mesmo resolvi registrar aqui meu descontentamento. Essas pessoas que nem putas são, muito menos artistas, ainda precisam aprender como conviver com o oposto.


Tasso Marcelo/AFP Photo
Não cabe mais a intolerância, nunca coube. Isso é coisa do demônio, do Zebedeu.
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