10/11/2012

De onde vem os sonhos?

No meu sonho eu acordei lembrando o que tinha acabado de sonhar. Sonhei nesse sonho despertando num dia de primavera. Abrindo a janela do quarto, quando me levantei e me encantei com o jardim que coloria o quintal da minha casa. Flores diversas, de cores diversas, num gramado aparado, alcançado no fundo distante o azul do horizonte. O bucólico ornamentava o quintal que recebia os primeiros raios de sol, estes contrastando-se com o verde das montanhas logo à direita.
O ar puro e fresco invadiu minha alma e meu corpo. Subiu-me um arrepio que recolhi os braços.
Notei uma pessoa sentada num banco de madeira a uma distância razoável e ela vestia uma roupa leve, branca e azul. Os cabelos lisos, escuros acastanhados caíam-lhe alinhados para além dos ombros, eles também sentiam o vento suave da manhã e esvoaçavam como se tivessem vida própria, sutilmente. Ela parecia feliz, mas, estranhamente e ao mesmo tempo, guardava um quê de melancolia. Alguma tristeza, mágoa talvez. Decepção, quem sabe.
Olhou de súbito para mim, exitou e depois de segundos sorriu com ligeira timidez, movimentando os lábios finos da boca pequena, deixando as bochechas um pouco mais salientes do que eram naturalmente. Acenou com a mão direita, demonstrando um pouco de alegria ao me ver. Os olhos franziram-se como num encantamento. Passou um tempo e ela voltou-se ao horizonte. O céu, mais forte que eu, me venceu.
Tentei alcança-la. Gritei, berrei. A janela se fechou com o sopro repentino do vento forte vindo das montanhas. Tentei abrir os varões das trancas da maldita janela. Notei que não tinha dedos nas mãos, eles desapareceram. Meus braços sumiram, minha voz calou-se. Empurrei, empurrei, forcei com o que me restava do corpo, mas, nada de abrir. A janela se fechou para sempre.
Deitei-me. A conta veio e percebi que o sonho acabara. O sonho acabou, pensei e acordei de verdade.

Ninguém sabe de onde vem os sonhos. Eles vêm e vão, nos pegam frágeis, desatentos, dormindo, invadem nosso descanso. Aparentemente sem sentido, sem tempo, sem cor, sem simetria. Vêm e vão invadindo a nossa privacidade.
Prefiro sonhar acordado, o roteiro eu mesmo traço e no final eu sempre venço.
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