07/07/2012

O general e o papel higiênico

Fim de semana prolongado para os paulistas, brasileiros e estrangeiros que por aqui vivem ou estão de passagem. Pois é, nesta segunda feira, nove de julho o estado tem seu feriado exclusivo. São Paulo comemora os 80 anos de uma revolução que tinha como objetivo a derrubada do governo provisório de Getúlio Vargas que desde 1930 havia se apossado da presidência federal, na marra e com armas em punho, impedindo a posse do que seria o futuro governador do estado, na época se dizia presidente, Julio Prestes e destituindo a presidência da república de Washington Luis, encerrando o que chamaram de República Velha e da política do café-com-leite onde mineiros e paulistas alternavam-se no poder.
O golpe acabou com a autonomia dos estados e o comandante disso tudo foi Getúlio Vargas, um baixinho dado a arrogância e à centralização. Seria ele diferente dos que antes governavam o país na época?
Por todos os brasileiros Getúlio foi idolatrado. Por entre tantas medidas populistas, marcou sua passagem quando estabeleceu anos depois, já em 1940, as leis para as relações de trabalho entre patrões e empregados, colocando o Estado como interventor, fiscalizador e acionista dessa relação, consagrando assim a CLT - Consolidação das Leis do Trabalho (ou do trabalhador), fortemente inspirada no fascismo italiano de Mussolini, uma versão macarrônica do lunático, Adolph Hitler e que até hoje a consolidação que regula o modelo mais do que antiquado para a relação de trabalho no Brasil.
Louvamos os rebeldes paulistas sim e ter orgulho deles é nobre, mas também consideramos que havia interesses escusos da classe que dominava o país antes do golpe. Sempre há.
Os 87 dias de combates entre 9 de julho a 04 de outubro daquele ano, deixou um número oficial de 934 mortos, porém,  mais de dois mil, segundo estimativas não oficiais.
A rendição se deu e a revolução ficou como o último grande conflito armado na história do Brasil.

Ao grande legado de Getúlio e ao que representa a intervenção maquiavélica do Estado, principalmente em países do terceiro mundo, em nossas vidas, transcrevo ao leitor um artigo interessante que li na revista Aventuras da História, da editora Abril na de edição de julho de 2012. Muito curiosa e pertinente.
Como fazíamos sem... papel higiênico. 
Antes dele, as pessoas se viravam, literalmente, com o que estivesse à mão.
 O item primordial dos banheiros já foi luxo para poucos. Inventado na China em 1391, o papel higiênico vinha em folhas e era produzido para uso exclusivo da nobreza.Na Europa, enquanto pessoas comuns recorriam à neve e à lã de carneiro, os nobres usavam toalinhas higiêncas, que de tão caras, eram consideradas símbolo de poder. Na antiguidade, os gregos usavam uma vara com uma esponja na ponta (que depois de embebida em água e sal era usada novamente). Nos tempos de colônia, os brasileiros faziam usos da palha de milho - de preferência, as verdes, mais macias. Os menos afortunados se viravam como podiam. Na maioria das vezes, com o que estivesse à mão. Folhas de grama, pedaços de madeira, sabugo de milho, areia, peles de animais, cascas de frutas, jornal (tal qual a famosa paródia natalina) e até as mãos - costume esse ainda existe em alguns lugares da Índia. "Por isso os indianos usam a mão direita pra comer e cumprimentar as pessoas. A mão esquerda era usada para se limpar", afirma a professora de história da USP, Tereza Pereira Queiroz. O papel higiênco só começou a se popularizar em 1857, quando o americano Josephy Gayetty passou a vender pacotes de 500 folhas por 50 centavos de dólar - com marca d'água do criador e perfume de Aloe vera. Direcionada a pessoas com hemorroidas, a invenção foi um fracasso comercial. Só dez anos mais tarde, os fabricantes descobriam que era possível vende-lo mais barato e que o perfume era dispensável. No final do século 19 o papel higiênico passou a ser fabricado em escala industrial, apesar de ainda não ser grande coisa. Até a década de 1950, era possível encontrar pacotes nos Estados Unidos com a inscrição "Papéis Horthern. Os únicos sem lascas".Os rolos? Eles facilitaram o uso, mas não se sabe qual foi a empresa precursora dessa grande ideia.
Ilustração Kleber Salles
Bom feriado.

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