03/12/2011

Fotografias

Gosto de fotografias. Gosto do que elas significam mais até do que vejo nelas. Gosto de imaginar o que o fotógrafo sente ao se preparar para elas. 
Quando vejo uma pessoa com uma câmera na mão olhando para alguma coisa, ao invés de olhar também para o objetivo da foto, reparo no comportamento dela. É singelo, discreto e observador.
Nessa hora o coração e o cérebro que ficam uns quarenta centímetros um do outro, se aproximam e fundem-se num único elemento.
A percepção é ampliada e revelada pelos olhos que reagem como um interruptor de ácido acético. Fixa o alvo e lava com água corrente o enquadramento escolhido. Ele faz um ajuste ou outro com sensibilidade e rapidez. Os joelhos se curvam ligeiramente, o corpo se inclina para um lado ou outro e a cabeça normalmente pende à esquerda. 
No visor a nitidez é encontrada automaticamente ou pelos dedos hábeis junto ao anel de foco, percebendo-se isso pelos lábios que se esparramam pelo rosto admirado do fotógrafo. 
O peito pára, a respiração se prende. O silêncio se estabelece. 
O dedo indicador da mão direita, elegantemente move o botão de disparo levando este para baixo. 
Ouve-se o clique do obturador e vê-se como um relâmpago a luz do flash fracionada num milésimo de segundo, brilhar a cena. 


A câmera desce suavemente e descansa no braço protegida pela alça e no rosto do caçador, o sorriso do tiro certeiro se vê.
O fotógrafo flagra para o eterno.


Algumas pessoas usam armas nas mãos, outras, mais felizes, têm a câmera.







Fotos de Fernanda Altenfelder

                                         



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