27/12/2011

Entre Festas

Natal e Primeiro de Ano caindo no domingo e as vésperas deles no sábado, deixam prá mim a sensação de finais de semana comuns. Nem parecem os Natais e Finais de Ano que temos na memória. Na minha, pelo menos, não.
Essas datas especiais têm jeitões de quintas, terças, segundas, sextas e até de quartas feiras.
Sábado, véspera e domingo o dia propriamente dito parecem sábados e domingos normais. A semana rolando e o final dela com as comemorações - um pouco estranho, não é a mesma coisa.

Tá bom, não devemos esquecer o verdadeiro sentido do Natal e da importância da virada do ano, independente do dia que caia. Procuro me envolver com esses pensamentos, aliás, é difícil evitá-los, nos lembram a cada segundo. Aparecem filósofos de tudo quanto é canto com frases de efeitos, embora, todos bem intencionados. É até natural, faz parte do clima de final de ano. Entendo-os por isso, pois faço a mesma coisa.
Mas, a gente acaba mesmo é se envolvendo com o clima da euforia - a festa pela festa, com as tradicionais trocas de presentes, com os abraços, com a bagunça. As comidas diferentes que nos entopem, com a música típica, gente falando alto, ligeiramente embriagadas. Tudo vale nas festas de final de ano. Boas Festas! dizemos.
Portanto, elas tem de estar num feriado prolongado se não, a graça é outra. 
Final de semana é final de semana. Falo por mim, que de um ano e pouco para cá, andam disponíveis ou quase isso, entendo melhor agora o que é um fim de semana. Depois de décadas trabalhando aos sábados e  domingos - foram raros os que pulei, somente hoje em dia estou saboreando o tradicional descanso dominical com direito ao sábado de brinde. Pensamento típico de um burguês gordo com meleca na cabeça. Me cobro, eu sei. Só falta o barrigão cheio de cerveja e churrasco - quem sabe ela virá, espero que não.

Ontem segunda feira, mesmo de folga, sentia o clima de segundona nas costas. Aquelas segundas feiras chatas, bem preguiçosas que nos levam aos compromissos inadiáveis - nem todas são assim. Fui até pagar uma conta no banco - horrível isso, mas me superei e encarei uma boa fila, com disciplina de um bom pagador. Que folga mais besta esta, pensei comigo.
Em Piracaia o dia amanheceu com pouco brilho. O céu acinzentado de uma manhã abafada prenunciando chuvas. Lá pelas três da tarde ela veio, sem dó e as ruas, antes movimentadas, ficaram quase vazias. Não foi uma chuva forte, típica de verão, foi sim, aquelas parecidas com as de finais de outono - as que nos molham sem percebermos e deixam nossos pés gelados.  
Uma ou outra pessoa seguia pelas calçadas protegendo-se da garoa impertinente. Os carros lameados deixavam trilhas de barro pelo asfalto. O som dos pneus molhados sobre o piche das avenidas estreitas davam a nítida impressão de uma tarde de inverno melancólico, esfriou. Se puxarmos pela memória, sabemos como são e nem preciso aqui perder meu tempo descrevendo o tal do clima. Enfim, um dia sem sal e sem açucar, este, pós Natal.  
A chuvinha chata se foi e a noite pareceu chegar melhor. E chegou. A ponto de eu dormir cedo - onze horas, muito cedo prá mim, quase, com as galinhas, como dizem os caipiras. Eu sou um.

Acordei hoje lembrando do Natal que já se foi e, que ainda estamos entre as festas de final de ano, pois a Virada vem aí.
Mesmo elas caindo em finais de semanas, continuam festas. Meio diferentes, mas não deixam de ser festas e são prá comemorarmos - o Natal com sua importância e o Ano Novo pela renovação.


Aos que esperam o fim do mundo para dezembro de 2012, anunciado pelos Maias há cinco mil anos e hoje, assunto explorado pelo cinema, programas de TV e literatura de impacto, penso não passar de uma grande bobagem - o mundo se acaba somente para os que pulam fora dele. O legal é ficar e convidar todos para curtirmos juntos mais outras tantas festas. Mesmo que elas caiam em sábados, domingos e que sejam seguidas por segundas feiras preguiçosas, tipo, sem sal e sem açucar.

Hoje, terça feira. O dia amanheceu melhor. Aliás, muito melhor. A renovação está chegando.

Em paz. 





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