13/10/2012

Cinema




O cinema é uma das mil maneiras esquisitas de um artista se expressar.

O registro da imagem vem desde os tempos das cavernas, quando feitas sob a luz da fogueira que aquecia e iluminava a alma do mais aflito. É provável que tenha nascido quando a consciência deu-se como presente. Quando a simetria do pensamento se estabeleceu como ordem. Quando se deu conta de sua natureza. Quando percebeu que muito além de um corpo ele carregava uma alma e que ela é quem ordenava desordenando. O homem primitivo percebeu que tinha um fogo dentro de si, um carnívoro sensível que nem mesmo conhecia a palavra para o que sentia.

Imagem Google
O impulso do homem das cavernas é simplesmente fantástico, digno de nossa atenção. Em cada desenho nota-se sua intensa angustia, absolutamente reveladora, ansiosa para expressar, rabiscar, registrar, apontar utilizando seus cinco sentidos. 
O frio, a fome e o medo faziam parte desde o princípio. Partes integradas, constantes como são a luz do sol, como o vento, como o fogo, como as matas, como a chuva, como o outro ao seu lado. Em todos os traços percebe-se o quanto esse espírito remoía-se dentro do corpo, corpo ainda curvado e coberto de peles de animais abatidos.
Em pouco mais de cinco mil anos, dos rústicos traços nas paredes, o homem aflito, buscou outras maneiras de gritar. A história registra os fatos e ele chegou ao cinema. Cinema de celulóide ou digital, não importa. A imagem em movimento, organizada fluiu como nunca antes havia fluído qualquer manifestação. Controlou a luz e a reação dela em agentes químicos e o espírito humano encontrou assim mais uma forma de contar as cenas do cotidiano.

Relaciono alguns filmes e diretores dos quais tenho muita admiração. Filmes que tocaram e remoeram a alma deste que escreve. Vejo nesses artistas a mesma alma que ocupavam os corpos dos homens das cavernas, agora em sua provável quingentésima, nonagésima edição. 
Na verdade gostaria de mostrar uma relação muito maior, porém, seria extensa por demais, fico aqui com uma desse tamanho. Não obedecendo ordem de preferência, nem tão pouco de estilo. Afinal, arte é arte, não se deve considerar estilos e nem mesmo as técnicas. Podem ser interessantes para alguns e para outros não significarem nada. Vale mesmo o quanto ela nos toca, daí o registro do artista acerta o alvo.

Laranja Mecânica - Stanley Kubrick


O Fantasma da Liberdade - Luis Buñel


Amarcord - Federico Felini


Durval Discos - Anna Muylaert


Salário do Medo - Henri-Georges Clouzot


O Pagador de Promessas - Anselmo Duarte


Volver - Pedro Almodóvar


Big Fish - Tim Burton


Psicose - Alfred Hitchcock


Ed Wood - Tim Burton


O Balão Vermelho - Albert Lamorisse



Cinema Paradiso - Giuseppe Tornatore


Se pudesse iria ficar aqui relacionando os meus preferidos por muito tempo. Tem tantos outros. Hoje fico com esses.
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