03/06/2012

Os irmãos, Carlos


Domingo lindo tarde de sol, pego o anzol.
Ligo a lancha, vou navegando para o farol.
Mal eu chego, vejo o sossego, o mar nem pisca.
Estufo o peito, faço pose e jogo a isca.

Mas os peixes não querem cooperar.
Se eu não pescar nenhum, com que cara eu vou ficar.

Vou de pressa e compro um peixe no mercado
Enquanto o céu e o sol vão sumindo eu volto sorrindo.
E mal um broto me ver passar, ouço sempre ela falar.
Se ele é um bom pescador, serve pra ser meu amor.



Eu vou contar pra todos a história de um rapaz que tinha há muito tempo a fama de ser mal.
Seu nome era temido, sabia atirar bem. Seu gênio violento, jamais gostou de alguém.
E ninguém jamais viveu prá dizer que o contrariou sem depois morrer.
Nos duelos nem piscava, no gatilho ele era o tal. Todos que o desafiavam, tinham o seu final.

Mas, eis que de repetente, alguém apareceu e com ele quis lutar e o mundo até tremeu
Marcaram numa esquina antes do pôr-do-sol. E todos já sabiam que um ia morrer.
Nesse dia, porém, o homem mau tremeu, logo entrou num bar e no bar bebeu.
Ninguém tinha visto ainda ele em tal situação, mas somente ele sabia qual era a razão.

Chegando, então, a hora do outro encontrar, chegando na esquina, parou para olhar
O outro estava firme com a arma na mão, fazia grande alarde, fazendo sensação.
O homem mau, então, quis logo matar e no valentão quis logo atirar.
E depois de um tiroteio, todo mundo estremeceu, quando um grito seu ouviu, o homem mau, morreu.


Relembro a casa com varanda, muitas flores na janela.
Minha mãe lá dentro dela me dizia num sorriso, mas na lágrima um aviso pra que eu tivesse cuidado.
Na partida para o futuro, eu ainda era puro, mas num beijo disse adeus.
Minha casa era modesta, mas eu estava seguro, não tinha medo de nada, não tinha medo de escuro.
Não tremia trovoada, meus irmãos à minha volta e meu pai sempre de volta, trazia o suor no rosto.
Nenhum dinheiro no bolso, mas trazia esperança.
Essas recordações me matam, por isso eu venho aqui.

Relembro bem a festa, o apito e na multidão um grito.
O sangue no linho branco a paz de quem carregava em seus braços quem chorava.
E no céu ainda olhava e encontrava esperança de um dia tão distante, pelo menos por instantes encontrar a paz sonhada.
Essa recordações me matam, por isso eu venho aqui.

Eu venho aqui me deito e falo pra você que só escuta, não entende a minha luta. Afinal, de que me queixo, são problemas superados. Mas o meu passado vive em tudo que faço agora. Ele está no meu presente, mas eu apenas desabafo, confusões da minha mente.
Essa recordações me matam por isso eu venho aqui.

Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Me lembro uma ouvinte do Programa Barros de Alencar na Rádio Tupi de São Paulo, isso por volta de 1964, perguntando ao telefone - É verdade que o Roberto Carlos é irmão do Erasmo Carlos? Ela sabia a resposta, de certo, mas o que valia era participar, mesmo passando-se por idiota. A resposta na voz grave do locutor veio num tom de sabedoria suprema - Não, querida. Roberto não é irmão de Erasmo, eles são somente amigos. Garanto, pois sou amigo dos dois.
Estava eu no carro a caminho do trabalho por esses dias e sintonizei ao acaso uma rádio AM, acho que era Tupi e me surpreendi ao ouvir uma pergunta de uma ouvinte desesperada, parecida com aquela da mocinha dos anos 60 que hoje deve ser uma vovó. Não me lembro bem os nomes dos artistas que a jovem atual se referia, talvez fosse alguém do time do sertanejo universitário, me dei conta então, que meus heróis morreram mesmo de overdose e quem ainda está vivo, sobreviveu ficando surdo como eu.
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