26/09/2012

Pasteurização

Alguém se importa? Eu me importo não me importando. Na verdade me incomodo. Mas acompanho.

Transcrevo aqui o último resultado da pesquisa de intenção de votos para prefeitura da cidade de São Paulo. Mais para o registro no Blog do que propriamente com a preocupação em divulgar a informação. Até porque a mídia em geral vem fazendo com eficiência e claro, seguindo conforme a natureza e interesse de cada uma delas. 
Registro os dados para meu arquivo aberto, como venho guardando em arquivo fechado, por enquanto, as promessas de campanha dos candidatos com maior probabilidade de vitória - Russomano, Haddad, Serra e Chalita. Observo dois outros mais distantes que chegam a ser exóticos - Levy Fidelix que é pura brincadeira e tira partido de seu estilo e o Giannazi que parece ter vindo do tunel do tempo, lá do final dos anos sessenta com um discurso estudantil pra lá de antiquado. A Soninha me parece sincera, tem ideias arrojadas, mas ela sabe muito bem que o paulistano, extremamente conservador, dificilmente a elegeria para um cargo executivo e eu pessoalmente duvido que na condição de eleita não teria que se render aos conchavos - alianças, como preferem os técnicos, com partidos radicalmente opostos na campanha e isso, óbvio, em pró de uma governabilidade. A gente sabe como são as coisas, assistimos pasmos tantas outras vezes as tais alianças. Passado o dia 7/10, após o primeiro turno, os dois partidos escolhidos pelo voto democraticamente popular, buscarão nos derrotados as tais alianças e dai se inicia a combinação e o ciclo se retoma, vem o toma lá da cá. Que raio de democracia é essa? Se atacavam dias antes e sobem no mesmo palacanque dias depois diante de nós que assistimos tudo e ainda aplaudimos em pé com bandeirinhas nas maos. Será ação da divina Luz?
Venho acompanhando os debates pela TV - quatro até agora - Band, RedeTV, Cultura e Gazeta e na medida em que eles vão acontecendo, aproximando-se da data da eleição, o comportamento de cada um deles fica mais e mais pasteurizado, estranhamente equilibrado. Maquiados, parecem que falam para a câmera olhando em nossos olhos bem fundo, lendo nossos pensamentos, falando tudo aquilo que gostaríamos de ouvir e que fizessem de verdade. Comportam-se como não humanos, lembram nem sei o que. Observem.
Pra quem pretende anular o voto como eu por absoluta falta de confiança e esperança, não somente nos candidatos, mas especialmente no sistema como um todo, tenho até que me dedicado ao acompanhamento. Me esforço, acreditem, mas me decepciono. Mais uma vez, nada. Nada de nada aproveitável.
Não é fácil anular um voto ou não ir até a urna em dia de eleição. A sensação é horrível, fico deprimido. Imagino que imigrantes ilegais devem sentir a mesma coisa.

Imagem - Uol
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