25/09/2011

Tempos modernos


Internet é uma coisa fantástica. Nela conectados encontramos qualquer coisa num piscar de olhos. Claro, desde que estejamos bem conectados. No Brasil a banda larga poderia ser um pouco mais larga e de maior disponibilidade, mas acho que isso acontecerá em breve - questão de tempo. Mesmo assim o meio é simplesmente espetacular. Se incorporou ao cotidiano muito rapidamente e acredito que sem retorno, pelo contrário, cada vez mais a utilizaremos para tudo.

E as redes sociais então. Parecem coisas do outro mundo. Através delas encontramos amigos, antigos, esquecidos ou não, com quem trabalhamos um dia, estudamos ou convivemos oportunamente. Amizades marcantes que delas aprendemos, ensinamos, brincamos e até brigamos. Os que cruzaram nossos caminhos em breves passagens mas mesmo assim, deixando sua presença viva em nossa memória.

Nas redes sociais podemos brincar, xingar, escrever bobagens, falar coisas sérias, dar opiniões, mandar beijos, lembranças, fotografias, registros e divulgar assuntos que ganham atenção provocando boas discussões. Para quem quiser participar. Considerando ou desconsiderando, num clique ou num rolar de barras, foi-se. 
Li outro dia uma matéria onde uma jovem jornalista apresentando-se como dependente profissional do facebook, twitter e de outros sites, tinha recebido a  tarefa de relatar como seria ficar um mês sem se conectar. Um mês trabalhando na redação do jornal sem utilizar qualquer recurso da internet. E ela, instigada, estendeu a experiência à vida pessoal. Nada de cartões de crédito, contatos, emails, pesquisas, entretenimento. Faria tudo sem a maravilhosa ferramenta. 

Os dias no jornal foram longos. As tarefas normalmente feitas a partir de um clique, ficaram em conversas diretas com as pessoas,  por telefones, pesquisas em livros, revistas, jornais antigos, tudo na base do impresso.
Durante o período cedeu uma ou duas vezes à tentação. Na calada da noite ligou seu PC sem que ninguém percebesse, conectou-se e observou que as postagens do face, twitters, emails e tantas outras informações iam se acumulando. Entrou em desespero. 
Conteve-se bravamente mantendo-se firme e forte ao seu propósito. Foi difícil.


Disse a jornalista que quase enlouqueceu. A sensação de isolamento e “abandono” - esse foi o termo que usou, deixaram seus dias bem complicados e por demais intranquilos. Sentiu-se à parte de seu tempo, como vivendo no século passado.
Foi um alívio quando tudo terminou, concluiu a matéria de forma brilhante e achei o artigo bastante interessante.
Por ser ainda muito jovem, profissional em início de carreira,  nascida e criada em meio a velocidade dos bits, não teve, como tiveram os mais antigos a oportunidade da comunicação analógica. Experimentou ali algo novo. 
Mas não é esse o caso. O caso na verdade é que damos conta do peso da necessidade da sintonia com o contemporâneo e esta leva um profissional, um cidadão comum a uma espécie de rendição, subordinação à trama que o induz a pisar fundo no acelerador. 


É o caso também nesses tempos, que, involuntariamente, acabamos nos individualizando, ficamos reféns de nós mesmos. A sintonia requerida pelos tempos modernos nos leva a um isolamento que compartilhamos com todos através dos contatos virtuais, um novo modelo de vida se estabeleceu. Nada grave é assim mesmo. Mas se a onda nos levar à ver navios, pra voltar vai ser difícil. 
Sugiro somente que nos mantenhamos atentos, bem atentos, muito atentos, dando importância devida ao sentido do estar vivo de verdade. É preciso dar importância para a percepção de como olhamos a vida e não somente de como vivemos por ela.
Ando pensando nisso. Vivo conectado pelos portáteis, pelos computadores de mesa, pelos celulares e gps`s. A abundância de chamados crescem a cada dia. Me cobro pela atualização das informações. Há de se ter disciplina.
Numa boa, acho que dá para fazer as duas coisas, sobreviver e viver ao mesmo tempo.
Viva a internet e viva a vida. (digo pra mim mesmo)

Postar um comentário