24/08/2013

Aos amigos: dois motivos.

Sede da TV Cultura no início dos anos 70
Na época, ainda funcionário da TV Cultura, lamentei quando soube que o Sr. Marcos Mendonça iria assumir a presidência da Fundação Padre Anchieta - Centro Paulista de Rádio e Televisão. Empresa pública de direito privado, como diz seu estatuto e que controla as Tvs Cultura, Rá-Tim-Bum e Canal Multi-Cultura, um convênio de produção e exibição do canal digital Univesp TV, duas emissoras de rádio - Cultura FM e Cultura Brasil AM e mais o portal CMAIS na internet. 
Soube disso entre os meses de março, abril e maio deste ano. O fato se consumou após uma eleição que se deu em meados de maio, a posse foi numa sexta feira, 14 de junho, selada em reunião do Conselho Curador na segunda feira seguinte, 17. 
O grupo de gestores da administração que se encerrava, quase que por completo e mais alguns outros colaboradores de importância estratégica na direção, foram demitidos no dia 21 de junho, na sexta feira. Entre eles, eu, este humilde blogueiro nas horas vagas. 
Lamentei desde o início quando soube que haveriam mudanças, não por elas em si e tampouco pelo fato de que muito provavelmente eu não iria continuar na empresa. Imaginava desde o início que seriamos todos ou quase todos substituídos, mas lamentei por não me agradar a perspectiva de trabalhar com pessoas com as quais jamais me alinharia, como profissional eu gostava do que estávamos fazendo.
Sou de televisão há quase 40 anos e sei bem como essas coisas funcionam e aprendi ao longo desses anos que não devemos nos prender emocionalmente a esta ou aquela instituição. Devemos sim respeitá-las e dedicarmos todo nosso talento até quando e quanto pudermos. 
A emoção a que me referi acima é a barata, a egoísta, a mesquinha. Deixo isso para os poucos acomodados e preguiçosos como alguns que tive o desprazer de conhece-los e que eu percebia, insistiam em se agarrar ao chão da Fundação com unhas de pavor e rancor. A mim, nitidamente por reconhecerem-se incompetentes para outras emissoras de TV e Rádio. Deve ser difícil viver assim. 
Lamentei na verdade por outros dois motivos que exponho resumidamente abaixo. 
O primeiro motivo foi pelo significado num contexto amplo, da não continuidade do Sr. João Sayad na presidência da Fundação. Ele é um homem simples, muito prático e de talento sábio, que me fez compreender que ainda existem pessoas em cargos públicos que têm respeito no trato com o dinheiro do contribuinte - acreditem, é verdade, e agindo sob essa perspectiva impôs um saneamento nas contas da empresa bastante severas, retomou a ordem e deu objetivo para a televisão. 
Claro que isso promoveu desconforto e ira em muitos, aos que vinham se aproveitavam da bagunça anterior,  que se escondiam sistematicamente do trabalho. Meteram o pau no João e em nós que estávamos alinhados a ele. 
Na sua gestão foram corrigidas entre outras coisas, situações no mínimo escabrosas, como por exemplo a regularização funcional dos mais de mil funcionários que há anos reclamavam da desordem e das promessas nunca cumpridas, condição que estavam sendo submetidos por anos e mais anos. Os erros foram herdados de gestões anteriores. Só isso. 
Foi perfeito na promoção do corte sumário de inúmeros cargos "de cabides", caríssimos e sem sentido; contratos que geravam despesas absurdas, com focos distantes do propósito da Fundação. Do corajoso investimento que fez em infra estrutura técnica e de serviços, alguns ele não teve tempo de conclui-los. Tudo dentro das normas e com licitações honestas e absolutamente transparentes. Impondo a retomada na produção de programas ocupando de forma racional os oito estúdios, as equipes de externas e de produção, Unidades Móveis e o grande parque técnico digital de alta definição. Impôs à programação que fosse de conteúdo condizente ao perfil da tradição da TV Cultura, porém modernizada, mais atual e com competência para concorrer e com isso trazendo o crescimento da audiência, a sua meta prioritária. Foi feliz quanto à meta, os números provaram isso.
A aposta era para que ao menos seu sucessor, mantivesse a mesma linha de administração para que assim, em pouco tempo, teríamos de volta uma televisão pública paulista do mais alto nível, como foi num passado distante. Uma boa TV para quem a assistisse, no caso o grande público, o verdadeiro patrão e boa para quem trabalhasse nela. Essa era a proposta final. Bem clara assim. 
O segundo motivo pelo qual me preocupei foram as informações que me chegavam dos quatro cantos do mundo a respeito de quem ocuparia o cargo. O histórico que ouvia dos funcionários, dos mais antigos em especial, os que vivenciaram a dureza de trabalhar em uma empresa que não oferecia perspectiva alguma. 
Segundo esses, em sua primeira passagem, MM, assim chamado por alguns, foi um péssimo administrador, pois "até papel higiênico faltava nos banheiros". Falou-se “à miúdo” que, supostamente ele estaria envolvido com desvios de dinheiro, que os contratos com a TV Assembléia/SP, TV Câmara/SP e TV Justiça de Brasília possibilitavam alterações de números gerando um caixa-dois que lhe rendia boas somas e claramente diziam que ele era mais preocupado com questões políticas do que com o próprio destino da TV. 
“A Cultura era uma espécie de plataforma para os interesses políticos dele (MM), dos que o apadrinhavam e de quem fazia parte de sua equipe e que agora, de volta ao comando da TV, ainda mais com as eleições estaduais batendo às portas, a coisa iria pegar mesmo” 
Essa foi a imagem que me foi passada do “homem”. Não tive oportunidade de conhece-lo melhor para constatar a procedência da fama, embora, pelas primeiras atitudes depois da posse sinalizavam bem nessa direção. Tivemos um único e breve encontro pelos corredores da TV, logo após ao discurso que fez aos funcionários no final da tarde do dia em que assumiu o cargo, quando a ele fui apresentado meio que de sopetão. O encontro não foi maior que 15 segundos. 
Com essas impressões negativas, somadas ao que constatei quando cheguei na Fundação, realmente complicadíssimas, que talvez em outra oportunidade relato com maiores detalhes e a decepção de ver nosso trabalho com chances de ir para o buraco, acreditei que dali pra frente os tempos seriam outros, portanto, estava na hora de cair fora. Se não por eles, por mim mesmo, pois não me rendo aos de tramóias. Nem a pau.
Outro emprego? Sim. É relativamente fácil para quem não tem medo de enfrentar novas tarefas e ainda goza de muita saúde e um bom prestígio no mercado. Me mantenho equilibrado, lúcido e a vida nesse item segue muito bem, não posso reclamar. 
O duro é saber da possibilidade de tramóias e arquiteturas políticas sujas numa empresa pública que vinha se modernizando nesses três últimos anos, mais agora, na condição de contribuinte, sabendo de tudo e sem ter o que fazer, me sinto impotente.
Dá-lhe Brasil, dá-lhe jeitinho brasileiro do ganha-fácil. É difícil de engolir, mas aqui é assim ou está assim ainda. 
Torço pelos bons amigos da Fundação, gente da maior competência e dedicação. Tem vários por lá e tive a honra de conhece-los e sei que estes se dariam bem, aliás, muito bem em qualquer outra emissora. E sabem que podem contar comigo se precisarem. 
Torço também pelos incompetentes que lá se arrastam como lesmas embriagadas, poucos, mas atentos e traiçoeiros. Eles são dignos de atenção e não de repúdio. Espero que enxerguem os seus medos, que se desvinculem deles, que sejam livres e mais felizes, mas sem provocar pesos mortos ao erário público, por favor.
ooooooooooooooooooooo

Do site www.inteligemcia.com.br 

A gestão Rá-Tim-Bum da TV Cultura


O modelo de gestão adotado pelo atual presidente da Fundação Padre Anchieta, controladora da TV Cultura, Sr. Marcos Mendonça, é de corar calouro do curso de administração de empresas.  Estimulado, não se sabe por que ou por quem, a contar as mazelas financeiras da empresa, a estampa e o discurso do Sr. Mendonça se tornaram freqüentes na imprensa paulista.
Nos últimos anos, sob a gestão do Sr. João Sayad, a TV Cultura ocupou lugar de destaque no cenário mono tônico da programação da TV nacional. Orientada por recuperar o prestígio da emissora, que outrora foi vida inteligente no dial televisivo, a administração do Sr. Sayad resgatou a respeitabilidade da emissora pública que voltou à pauta das conversas graças à qualidade dos conteúdos exibidos.
O modelo de financiamento da TV Cultura é de conhecimento de todos e a eventual carência de recursos para manter sua estrutura capaz de competir com a concorrência privada também. Ou seja, a dotação de verba do estado de São Paulo é, mais que uma necessidade, uma obrigação e o idealizado superávit é uma situação anacrônica no espectro das iniciativas públicas.
Não reclamamos dos serviços de saúde pública por causa dos recursos que estes consomem. Reclamamos dos serviços quando esses não nos atendem e se conhecemos os gastos podemos considerá-los incompatíveis com os investimentos feitos. A mesma lógica se aplica à TV Cultura. Não reclamamos do serviço de informação, entretenimento e cultura oferecidos pela emissora, portanto seus custos e rombos ao Estado são prerrogativa exclusiva da gestão.
Ao socializar a informação sobre os problemas financeiros enfrentados pela TV Cultura o atual presidente procura justificar, de maneira pseudo democrática, suas medidas de cunho exclusivamente político, desprovidas de critérios técnicos e que colocam a emissora novamente no limbo.
Semanalmente tomamos conhecimento de uma nova demissão, voluntária ou não, de profissionais de excelente qualidade protagonistas da recuperação da TV Cultura perante aos olhos dos contribuintes paulistas. Esses, em suma, são os únicos prejudicados pela destruição voluntariosa adotada pela gestão do Sr. Mendonça, mais preocupado em alardear balanços do que fazer televisão.
Dessa maneira a TV Cultura saiu da pauta dos segundos cadernos e entrou na pauta de política, único ambiente em que figurinhas carimbadas como a do atual presidente conseguem sobreviver por estarem mais afeitos às fofocas, às intrigas e aos conchavos do que com a construção de um modelo de financiamento público criativo capaz de suprir a sociedade de um bem tão precioso quanto a informação. 
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