Da série Caipiragem dos Domingos, lá vai uma poesia da terra.
ARRUMAÇÃO
Eleomar Figueira de Melo
Josefina sai cá fora e vem vêOlha os forro ramiado vai chuvêVai trimina riduzi toda criaçãoDas bandas de lá do ri gaviãoChiquera pra cá já ronca o truvão
Futuca a tuia, pega o catadôVamo planta feijão no póFutuca a tuia, pega o catadôVamo planta feijão no pó
Mãe purdença inda num cuieu o aiO ai roxo dessa lavora tardãDiligença pega panicum balaiVai cum tua irmã, vai num pulo sóVai cuiê o ai, o ai da tua avóLua nova sussarana vai passáSêda branca, na passada ela levôPonta d´unha, lua fina risca o céuA onça prisunha, a cara de réuO pai do chiquêro a gata comeuFoi um trovejo c´ua zagaia sóFoi tanto sangue que dá dóOs cigano já subiro bêra riÉ só danos, todo ano nunca viPaciênca, já num guento as pirsiguiçãoJá só caco véi nesse meu sertãoTudo que juntei foi só pra ladrão
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