21/09/2014

Os iguais de sempre

Na foto estão inversamente posicionados em relação aos princípios ideológicos.
Mas na prática definitivamente alinhados na ideologia do absurdo.
No facebook vi uma postagem com esta foto. Um calafrio me fez encolher os dedos dos pés como se tivesse visto uma barata passeando pela casa. 
Na hora me lembrei da fábula de George Orwell - A Revolução dos Bichos. 
Uma crítica espirituosa aos modelos de governos tidos como revolucionários, mas que escondem de início uma verve tirânica digna dos maiores ditadores da história. 
Na fábula os animais de uma fazenda sofriam com a exploração e a falta de consideração por parte do proprietário, que mais vivia bêbado e caído pelo chão do que trabalhando. Os pobres animais não recebiam quase nenhuma alimentação e eram submetidos aos trabalhos forçados em troca de nada ou quase nada.  
Um dia se uniram e decidiram fazer uma grande mudança. 
Liderados pelos porcos, que desde então escondiam ser mais astutos, conduziram uma revolução que havia sido apresentada nas caladas noites, esta como a única alternativa para a conquista da ordem, da paz, do reconhecimento e da prosperidade. De uma forma comum e absolutamente igualitária. 
Decidiram então, induzidos pelas hábeis palavras de Major, o porco que aparentava ser o mais indignado com a exploração do rico pelo pobre, expulsar o proprietário da fazenda e iniciar a revolução. 
Napoleão, um porco letrado, escreveu os seguintes mandamentos que nitidamente guardavam o ódio da espécie humana, que foram submetidos a apreciação dos animais:

  1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo;
  2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenhas asas, é amigo;
  3. Nenhum animal usará roupas;
  4. Nenhum animal dormirá em cama;
  5. Nenhum  animal beberá álcool;
  6. Nenhum animal matará outro animal;
  7. Todos os animais são iguais. 
Estes seriam os pilares da revolução. 
Democraticamente os porcos conduziram a votação. E entusiasmados com a proposta os animais da fazenda fizeram a constituição. 
Passado algum tempo quando a revolução já se mostrava banalizada pela falta de mudanças verdadeiras, numa manhã os animais da fazenda não se surpreenderam quando leram no quadro de avisos da Casa Grande, a seguinte alteração no último mandamento:  
"Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros" 
Anteriores a esta, outros mandamentos já haviam passado por alterações sutis. 
Os porcos nessa fase das mudanças andavam com duas patas e viviam bêbados, perambulando preguiçosamente pela fazenda feitos donos dela. Com os narizes em pé, cheios de arrogância, berrando ordens pra tudo quanto é lado, assim como fazia o antecessor. 
A vida dura continuava igual para os animais comuns, agora balizados pela ideologia instalada. No entanto, resignados, entendiam que o sofrimento era por uma boa causa - a igualdade de direitos.
Vendo esses patetas ai em cima me lembrei da fábula que aproveito, recomendo a leitura. 
O antes e o depois se confundindo na história, como sempre foi.

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