25/03/2012

Esporte Espetacular

Não entendo como podem aplaudir. O que leva essa gente buscar tamanha violência?

A TV descobriu o filé comercial. Há público para o tal UFC, acho que é esse o nome da categoria ou se é uma liga, não sei exatamente, e dão a ela o singelo nome de "artes marciais". Já estão criando ídolos num trabalho impecável de marketing. Na novela das oito (ou nove e vinte e três) da TV Globo, Fina Estampa a qual assisti os capítulos finais, criaram um personagem tipo bom rapaz, galãzinho, cheio de valores éticos, mas que, contraditoriamente, no octógano se transforma num troglodita bossal que espanca com socos, pontapés e encoxadas disfarçadas os adversários, aplaudido pela namorada e pelos filhos dela - Campeão do Mundo, gritavam todos. 
Em breve estreia um reality com o tema na mesma emissora. Chega a ser obtuso esse teatro de horrores. Me desculpem os fãs, reconheço que há muitos, mas, não dá pra aguentar tanta estupidez.
É muita violência para escancarada aos quatro cantos e, pior, fazem dos protagonistas, os novos heróis nacionais. Como se não bastassem os de Brasília. 


Recentemente li uma reportagem que falava sobre os malefícios da agressão à caixa craniana, ainda mais se ela for recorrente. Para se ter uma idéia, dizia a matéria, o nosso cérebro tem a consistência parecida com uma gelatina, dessas que compramos no mercado, vermelha, verde, amarela, deduzi, e é fácil entender o que acontece à massa encefálica dos gladiadores do século 21. Com o tempo vem a perda da memória, a redução do raciocínio lógico, inevitável o comprometimento da coordenação motora e outras coisas. Sabe-se do destino dos boxeadores aposentados.

As orelhas deformadas são características dos praticantes e imprimem ao semblante dos bruta-montes um quê acentuado de imbecilidade. O tipo de cara feia, de machão incontestável, contrasta com as atitudes, seus corpos se esfregam o tempo todo nessas lutas, um ao outro, remetendo ao espectador a ideia de cortejamento  bizarro de pré acasalamento entre animais do mesmo gênero.


Se é uma modalidade esportiva, acredito que não deveria ser. O judô tem mais cara de esporte do que isso aí.
Vejo que está mais para a apologia à violência, gratuita e sem nexo. Num mundo com tantas aberrações institucionalizadas - como a política, a do Brasil em especial, das organizações religiosas que vendem pacotes de fé, da segregação racial, da FIFA da CBF, COE e tantas outras, mais essa ainda? 
Quando os argumentos se esvaem, quando a capacidade de articulação inteligente se perde resta a força bruta.
Difícil imaginar os praticantes da modalidade numa cadeira universitária.






É bizarro, doentio e repudiante. A violência é vendida num empacotamento em alta definição. Artistas e público se completam na exibição do esporte espetacular.


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