23/08/2011

Contando as lajotas



__ Seguindo, estou indo!

Respondo quando me perguntam como vou.

As ruas parecem cada vez mais estreitas,
congestionadas com tanta gente se espremendo, elas me assustam.
Os cruzamentos me estancam a todo momento, freqüentemente.
Se encostam em mim como eu nelas.
Olhos azuis, castanhos e esverdeados. Baixas e altas, esguias e esbeltas.
Estranhas em volta de mim, pisando na grama ou nas pontas de cigarros acesos.

E eu contando as lajotas na calçada esperando o sinal me deixar passar.

Não conheço nenhuma delas e parecemos todos amigos.
O cão guía o homem pela guía.
O céu com nuvens cinzas enquanto o frio me esfria.
Quanta roupa colorida à luz do dia.
Ruas sinuosas te deixam marcas vertiginosas e as pessoas continuam pra lá e pra cá.
Os olhos castanhos amendoados gostariam de saber porque foi assim.

E me perguntam a todo momento como vou e eu repondo sem pensar
__ Seguindo, estou indo!
Abaixo a cabeça contando as lajotas da calçada esperando o sinal me deixar passar.
Só depois poderei contar, depois que o tempo passar.
Parece impossível poder acreditar mas é sensato assim pensar.
Dai o cinza vai azular e o frio esquentar.
Agora estou contando as lajotas na calçada esperando o sinal me deixar passar.

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