26/10/2011

Pelo Twitter


Boa parte da vida da gente é dedicada ao trabalho.

Dificilmente em outra profissão eu teria oportunidade de circular por corredores dos lugares por onde trabalhei.

Raramente quando alguém sai de uma empresa - um banco, um estabelecimento comercial, indústria ou sei lá o que, ela tem chance de retornar a ela - trabalhando ou simplesmente passeando. Não é comum. Ainda mais quando se viveu intensamente, trabalhando.
A sensação é gostosa, bastante estranha e ao mesmo tempo um pouco assustadora. As lembranças se misturam e vêm à mente numa velocidade incrível. A história em fragmentos é revisada e em segundos nos damos conta que o tempo passou. 
O tempo passa o tempo todo. Passa e como passa. Assim como passa o vento que leva o tempo que passa pela gente.
Precisei ir, dias atrás, em duas emissoras de TV onde trabalhei durante anos. Fui a elas a trabalho e reencontrei velhos amigos, queridos colegas e pessoas quase esquecidas na memória, mas que, também com elas compartilhei momentos alegres e tristes na convivência das nossas atividades. 
Com esses relembramos após pequenos acenos e sorrisos leves coisas que eu julgava terem sido apagadas, deletadas, como se diz hoje em dia. Com os que foram mais próximos, os abraços e muitas lembranças.
As pessoas se instalam, se apropriam e se guardam na nossa memória. Ficam escondidas, camufladas e de tempo em tempo se manifestam de alguma forma para serem lembradas através das coisas mais comuns como nos encontros ocasionais, ouvindo uma música, algumas roupas mais antigas, comidas, cafezinhos que tomavam juntas com conversas no final do dia, situações revividas hoje que nos remetem ao passadas e tantas outras coisas assim.
As que nos marcaram, parecem como que nascidas para estarem sempre com a gente - a vida toda. Até o infinito que nunca acaba.
Algumas ainda, fisgaram a alma de forma inexplicável, voluptuosamente e se prenderam na gente como que fossem nossa própria pele. Tem coisas que não se explicam. São assim porque são assim e pronto.
Esses reencontros me fizeram bem. Além de rever as pessoas, que por si só foi muito bom, olhar as paredes repintadas da mesma cor, os corredores enormes, os sons no ambiente, o ruído das catracas, os quadros de avisos nas paredes e tantas coisas que com os anos e a distância ficaram tão diferentes do que guardava na memória, provocaram em mim uma certa nostalgia. Confesso que me emocionei. 
A sensação foi como viajar no tempo. Cinco, dez, quinze, vinte anos, talvez mais. Me dei conta que conversava com os amigos usando gestos e palavras da época e todos eles se comportavam da mesma forma. Numa espécie de hipnose coletiva, tivemos o comportamento à revelia ao nosso controle.
Pareceu um verdadeiro deslocamento temporal, bem sentido, percebido em cada poro do corpo. Talvez dissesse o inspirado - a única maneira de viajar no tempo seria com o sensorial, com a alma.
O trabalho foi feito muito rapidamente sem que desse conta da facilidade e retornar para outubro de 2011 foi num piscar de olhos, exatamente no momento da despedida, no até breve, no - obrigado, meu caro, foi um prazer te encontrar.  
A máquina do tempo me trouxe de volta para o futuro, rapidamente. Quando entrei no carro e virei a chave do contato senti o tempo passar como num sopro.
No caminho de volta fui me reintegrando, carregando comigo as sensações da viagem. Dias depois elas viraram memória resolvi aqui, compartilhar. 
É preciso viver intensamente cada segundo da vida. Dessa forma o presente ficará bem registrado e no futuro nos lembraremos dele como um passado bem vivido. E o melhor de tudo, sabendo ter mais presente para se viver.
Até lá, então. Nos vimos, nos vemos e nos veremos. Nos falamos ao menos pelo Twitter.
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