20/11/2013

O ENCONTRO NO CHINESE THEATRE

Encontrei meu amigo Johnny Deep outro dia zanzando pelas ruas de Los Angeles, lá na Hollywood Boulevard, quase em frente ao Chinese Theatre.
Tentei desviar o olhar, ameacei atravessar a rua, mas não deu tempo, logo ele me chamou:


__ Oi cara!

Respirei fundo e me fiz de surpreso.

__ Como vai, Johnny?

Enquanto ele se aproximava tratei logo de esconder a carteira fechando o zipper do bolso, pois é sempre um risco estar perto dele com a grana disponível.

Ele se vestia como uma pessoa comum. Odeia ser um astro sem ter privacidade. 
Trajava um terno azul marinho dos baratos, camisa branca e uma gravata azul estampada. Carregava uma bíblia na mão e o chapéu clássico escondia os longos cabelos. Óculos de aros retangulares de metal, com lentes grossas davam-lhe o quê de idiota necessário para a ocasião.

Não foi reconhecido por ninguém. Mas eu, hum... ele nunca me engana.

Assim que respondi ele pôs o dedo na boca pedindo cuidado. Compreendi, sem nomes, por favor.

__ Ainda bem que te encontrei. Acabei de falar com o Tim (Burton) ele precisa de sua ajuda.

__ Sei. E o que ele quer dessa vez? Respondi.

__ É sobre o Hitch. (Alfred Hitchcock)

__ Não, não! Hitch de novo, não dá! Sinto muito.

__ Dê uma chance a ele, velho. O cara é legal. Está com planos de um novo filme - Os pássaros.

__ Jurei pra mim mesmo que nunca mais trabalharia com Hitch e nem com o Spielberg, nem Tarantino, Felini, Anselmo Duarte e Almodôvar.

__ Pô, cara. Mal isso heim!

__ Acertei com o Kubrik já. Mês que vem iniciamos.

Mas ele insistiu:

__ Não custa nada, vai. Fale com o Tim e você vai entender melhor o plano.

__ Ok. Ligo pra ele amanhã. Só porque você está me pedindo. Preciso seguir agora, vou comprar ração no Carrefour.

__ Valeu, cara. Você é o cara! Ah! Toma um presente. O disco novo do Amado Batista. Acabei de comprá-lo, mas quero que fique com ele.

__ Valeu, abraços, Johnny!

__ Psiu! Dedo na boca. 

Segui meu caminho sem olhar pra trás. Lembrei do Jack Sparrow, Keith Richards e do Henrique Pizzolato comendo pizza na Itália com nosso dinheiro.


Baseado em sonhos reais.
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