27/10/2013

SERIA DON JOÃO VI UM PRECURSOR DO BLACK-BLOQUISMO?


PODE SER, NÃO SEI. NÃO TINHA PENSADO NISSO, POIS.

Um amigo postou a seguinte pergunta no Facebook: 

Quem são os Black-bloc?

Ele está tão perplexo com a movimentação desses quanto nós mesmos. Faço a mesma pergunta desde quando esses caras apareceram. 

Seriam de uma sociedade secreta de cunho ideológico definidamente, indefinida? Com estrutura clássica de organização como nas grandes empresas, com CEO, gerentes, chefes, coordenadores e soldados? Obedecendo estratégias arquitetadas em mansões, porões da classe média e em cortiços de periferia, desenhando investidas em praças públicas, pelos flancos, retaguardas para deflagrar rancor, medo e terror nas manifestações que seriam pacíficas? 

Seria possível que os encapuzados fossem iniciantes da política, sindicalistas mal intencionados, membros do PCC, CV, clandestinos ou não, meio que para-militantes obstinados ao propósito único de bagunçar o que já está do avesso desde os tempos da colônia ou até mesmo uma espécie de Ku Klux Klan inversa, onde os adeptos se obrigam a esconder os rostos - aqui numa versão Black Panther, para bater, destruir e atear fogo no que se move ou não na sua frente?

Sabe-se lá o que pode ser os Black Bloc. Seriam estas figuras, nervosas coxinhas, prontas para umas boas palmadas da mamãe e merecedores de castigo do tipo ficar sem internet no final de semana? 

Difícil compreender o que são os caras do bloco preto. Uma coisa eu acredito que não sejam: somente arruaceiros. Promotores da arruaça pela arruaça.

A se medir pelas imagens dos intrépidos cinegrafistas e fotógrafos, o que julgávamos limítrofe as bizarrices das torcidas organizadas em dias de clássicos, os BBs superaram essas facções em todas as expectativas. 
Eles destroem sem dó o que vêem pela frente, de quitandas a bancos, de catracas a estações do metrô, com um ódio zumbi nazista inigualável, não escapa nada de suas botas, músculos e porretes. Nem a polícia segura. Inclusive bate e apanha deles.

A coisa ficaria sem pé e sem cabeça, pelo menos pra mim, não fossem as pixações. Uma em especial me chamou a atenção: “FORA O CAPITAL” 

? - Pensei.

Haveria uma ideologia por traz dos mascarados, daquelas do tipo “Eu quero uma pra viver” ou “Soy loco por ti América”?  Seria um deliberado desvio de foco, numa tentativa de dificultar a identificação pelo público, como parte de uma astuta camuflagem?

Eles pedem o fora ao O Capital se referindo ao filósofo Karl Marx, um não absoluto ao marxismo, um singelo, Abaixo médicos cubanos - Fora PT ” ou se trata exatamente do contrário, uma veemente pregação do fim do capitalismo, fonte para alguns, dos enormes e históricos abismos sociais?
…o homem será realmente livre e mais feliz, ou coisa parecida, quando o último banqueiro for enforcado com as tripas do último capitalista. 
? - Duvidas.

Após os meses de maio e junho deste ano, antes e durante a Copa das Confederações da FIFA (desculpe o palavrão), quando deu-se o inicio do fenômeno da manifestação pública em escala jamais vista, depois de décadas de hibernação, num estado de ressaca intelectual, encharcada de axés, pagodes sambabacas, sertanejos universitários e mais recentemente com os bundões do funk e MCs disso e daquilo, o chamado “gigante” despertou. 

Caramba! Que gigante seria esse?

Acordou cambaleante, abestalhado, sob o efeito de tripla anestesia, que não cubana (ou seria?), tropeçando pelos lados e espalhando barulho pra todo canto. 

De início tomou praças e alamedas paulistanas e depois as cidadelas do estado e brasileiras, chegando até o planalto central. Ninguém poderia imaginar os fantasmas da libertada pairando sobre os prédios do Congresso Nacional e da Justiça. Inimaginável.

Pais continental esse nosso! 

A cada passo desajeitado deste gigante moribundo que a cada dia se mostrava mais irado, os estrondos ecoavam pelo planeta. Do polo norte ao polo sul o mundo nos via com os olhos arregalados. Acho que pensavam que o sexo livre daqui, somado ao sol, carnaval, praias e muita cerveja e churrasco, fizeram mal aos nossos miolos. Pobres brasileiros!

Notou-se até um recuo estratégico dos políticos do país, (desculpe pelo palavrão novamente, foi inevitável). Os profissionais da retórica, os gulosos por dinheiro e poder se esconderam, pelo menos, por uma semana. Sumiram, escafederam-se dos noticiários como abóboras murchas em noites de lua cheia. As fornicações cessaram ou não foram percebidas.
Pareciam avestruzes enterrando as cabeças no chão deixando as bundas gordas e empinadas para qualquer um chutá-las e mesmo assim, ninguém se atreveu aproveitar da oportunidade. 
A presidente, mulher que se julgava de natureza forte, desgarrada ou em vias de, falou manso em cadeia nacional, mas não convenceu. Nitidamente parecia amedrontada, aterrorizada, na verdade. Incrédula. 
O tempo mostrou que tratava-se de mais uma encenação e das gordas, definida e escrita pelos assessores espertalhões sempre de plantão, os tais marqueteiros políticos (palavrão de novo, puta que o pariu). Nada teria mudado abaixo da linha do equador, mais uma vez.

Salvo os Black Bloc que hoje passaram a chamar a atenção de fenícios e filisteus. 

Saiam da frente, pois quem acordou mesmo foram eles. Os Incas venusianos voltaram na versão século vinte e estão botando pra quebrar.

Encontraram um país onde o crime conta com a o apoio da instituição, que tem leis muitas vezes injustas do ponto de vista da moral. Onde gregos trocam farpas com troianos fora dos palácios, mas dentro deles se empanturram do mesmo sururu de caldo grosso que produzem aos píncaros pelas nossas custas. 
Um lugar onde a malandragem é tida como coisa de esperto, pontuada como obrigatória no currículo do cidadão comum. Onde celulares correm soltos nas mãos de condenados, pelos presídios de segurança máxima. (essa é de fazer rir). 
Uma nação onde bilhões e mais bilhões de impostos são arrecadados e parte significativa destes são retidos para a manutenção do próprio Estado. 

O que mais poderia se imaginar de tão absurdo?

Lobisomens? Mulas-sem-cabeças? A Cuca do Sítio do Pica Pau Amarelo saindo das florestas para nos atacar? O robô de Perdidos no Espaço com “Destruir destruir”, jogando os braços cibernéticos para o ar, vindo em nossa direção como um computador desnaturado na odisséia terrestre?

Bobagem. Caetano Veloso, o censor do nem morta, do proibido biografar, dá o tom à nova ordem nacional. Ficamos abaixo dos escombros, muito além do Haiti.

Mas, Up grade, pessoal, os tempos são outros! Bola pra frente que atrás vem gente! 
Black Bloc é mais que Apple e Galaxy juntos. Mais que iPhone 50 e todos os tablets de 7 e 9 polegadas de Taiwan, China e dos indianos. Muito maior que o Google e o trilionário Facebook.

Ainda se surpreendem os incautos com as espionagens americanas? Tolice.

O QUE SERÁ QUE VEM PELA FRENTE?

Essa pergunta deixo como resposta para provocar o nobre colega. 

O que vem pela frente é a pergunta que faço, pois o que vem por trás a gente sabe bem. Nos acostumados com a coisa já desde os tempos da colônia de Don João.

O BB me parece mais um fruto bichado numa sociedade em formação num país que tem vocação para ser gigante de verdade, não como uma potência bélica, doutrinária, mas sim de gente querendo paz vivendo em meio a natureza. 
Ainda sofre do mal da mentira e da ganância. Está longe de ser gente grande. Acho que tem muito que aprender para que depois possa sair do castigo com dignidade.

Já pro quarto, moleque.



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