30/01/2016

ENTRE RIOS

A URBANIZAÇÃO DE SÃO PAULO.
 
Piratininga é o antigo nome do Rio Tamanduatei. Na língua tupi, piratininga quer dizer: rio do peixe seco, sendo, pira = peixe e tininga = seco. Quando o volume das águas descia, logo após o período das chuvas, os peixes encalhavam às margens antes alagadas e morriam secos servindo de alimento para as formigas. Estas, por sua vez, atraiam os tamanduás. 
Todo ano é a mesma coisa: verão, tempestades, enchentes e com elas as tragédias urbanas, os desmoronamentos, alagamentos, engarrafamentos de trânsito e tudo mais. O caos se estabelece e os prejuízos de toda ordem são incalculáveis. A população cansada e sem saber o que fazer desce a lenha nos políticos, mas logo esquece e a vida continua. 
O documentário ENTRE RIOS - A Urbanização de São Paulo, filme apresentado pelo Senac em 2009 como resultado do trabalho de conclusão de curso de bacharelado em audiovisual que foi dirigido por Caio Silva Ferraz, resume a história da construção da cidade e os erros dos projetistas urbanos que alcançaram os nossos dias. Estes mesmos erros que talvez constem na formação dos grandes centros urbanos pelo país. 
O filme mostra que a origem do problema foi o enfoque dado pelos administradores da cidade quando a São Paulo provinciana indicava potencialidades para ser uma grande metrópole. Na época a referência de arquitetura urbanística para as belas-cidades eram as capitais européias e as grandes cidades americanas. A produção do café, ora em alta, foi a precursora na mudança.
A especulação imobiliária, inicialmente e erroneamente, ocupou as várzeas dos rios Tamanduatei e Anhangabaú e mais os afluentes, áreas que se encharcavam nos períodos de chuvas e vistas como terras desperdiçadas e ainda que dificultavam o crescimento. Alteraram percursos dos rios, restringiram suas margens e canalizaram os afluentes com o único propósito de venderem terrenos para a população mais pobre. Somada a esta visão imediatista estavam os engenheiros oportunistas, ávidos por soluções urbanísticas rápidas para uma cidade que insistia em não parar de crescer. 
O filme é curto, cerca de vinte e cinco minutos e nos remete a uma reflexão para as questões da vida nas grandes cidades e quais as soluções para os seus problemas. 
Assista e faça as suas considerações.





Rio Tamanduatei - ontem e hoje
Imagens - Google



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